De demissões a vitrine internacional: Mundial expõe treinadores a moral e pressão inéditas
Renato Paiva e Martín Anselmi foram dispensados após torneio, que já originou crises em vestiários, mas que também oferece oportunidade de reconhecimento global Jogar uma Copa do Mundo de Clubes com 32 times no meio ou no fim da temporada é uma situação inédita para qualquer equipe do mundo. Desde que foi confirmada, a relevância esportiva do torneio — para além da financeira — tem sido questionada sob diferentes pontos de vista. Mas dois aspectos dessa discussão são evidentes, e por vezes concretos: a vitrine e a pressão sobre os treinadores.
Dois técnicos foram demitidos dias após a eliminação de suas equipes na competição: Renato Paiva, do Botafogo, e Martín Anselmi, do Porto-POR. O agora ex-comandante do time português, que estava no clube há seis meses, não resistiu a uma campanha sem vitórias — com direito a derrota para o Inter Miami-EUA e empate com o Al-Ahly-EGI.
— Temos o orgulho ferido. Não é a imagem que queremos dar — chegou a dizer após a derrota para o Miami.
Anselmi deixou o comando do Porto após o Mundial
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Já no caso do ex-técnico alvinegro, que chegou à competição sob desconfiança, mas ganhou uma injeção de moral após a histórica vitória sobre o PSG, pesou, por ironia, o desempenho em um duelo brasileiro — foi demitido um dia depois da eliminação nas oitavas de final para o Palmeiras. Seu trabalho à frente do clube durou apenas quatro meses.
Quem também não saiu bem na fita foram os técnicos dos gigantes argentinos. Eliminados na fase de grupos, Boca Juniors e River Plate foram considerados decepções e jogaram pressão para Miguel Ángel Russo e Marcelo Gallardo, respectivamente. Ambos, ídolos dos clubes.
Prestes a completar um ano da nova passagem após ser multicampeão, Gallardo ainda não conseguiu recolocar o clube nos trilhos, segue fazendo mexidas no elenco e se vê longe dos holofotes que já o colocaram perto do futebol europeu. Já Russo fez sua estreia no Mundial após deixar o San Lorenzo. Os xeneizes até fizeram jogo duro com o Bayern de Munique-ALE e empataram com o Benfica de Bruno Lage — outro que saiu menos prestigiado do que entrou —, mas não conseguiram vencer o frágil Auckland City-NZL.
Gallardo ainda não se reencontrou no River
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Do outro lado do tabuleiro estão técnicos que saem da competição com a moral em alta, como Renato Gaúcho, que comandou o Fluminense na vitória épica por 2 a 0 sobre a Inter de Milão-ITA, nas oitavas de final — a primeira de um clube brasileiro sobre um europeu em mata-mata desde 2012. Ele foi citado em reportagens na imprensa italiana antes e depois da partida.
“O Flu de Renato avançou merecidamente. Um time brasileiro com atitude argentina, agressividade, coragem, maldade e alguma indiferença, mas também organização tática e um senso de equipe”, elogiou a Gazetta dello Sport.
Renato foi alvo de elogios internacionais após vitória sobre a Inter
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Amanhã, Renato duela com outro técnico que está em alta: semanas depois de ver a mesma Inter que comandava ser goleada na final da Champions League pelo PSG (5 a 0) e trocar o futebol italiano pela liga saudita, conduziu o Al-Hilal na façanha de vencer o poderoso Manchester City, em jogo que terminou em 4 a 3 na prorrogação.
Inzaghi comandou Al-Hilal que eliminou o City
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A eliminação não abalou Pep Guardiola no City, mas foi o episódio final de sua pior temporada em nove anos à frente do time inglês. Na Inter, por outro lado, o recém-chegado Christian Chivu já sofre com crise no vestiário e ambiente desestabilizado.