Reserva global de petróleo se encontra 'assustadoramente pequena', afirma CEO da Aramco
Os estoques de petróleo que protegem o mundo contra choques de oferta tornaram-se “assustadoramente reduzidos”, colocando os mercados sob risco de uma deterioração ainda maior caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto, segundo o CEO da Aramco, estatal petrolífera da Arábia Saudita.
Mais fundo ainda: Petrobras faz nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Foz do Amazonas
ANP: Agência reguladora delimita 501 novos blocos de petróleo na Margem Equatorial, em fronteira marítima inédita
—Até que Ormuz seja totalmente reaberto e a confiança seja restaurada, a realidade do petróleo é que a pressão nas duas pontas do barril vai se intensificar—disse Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco, no Fórum de Inteligência Energética, em Londres, nesta segunda-feira.— Embora o aperto na oferta de petróleo bruto seja grave, os preços dos combustíveis refinados subiram ainda mais acentuadamente.
O principal executivo da maior empresa exportadora de petróleo do mundo fez a declaração poucos dias depois de os governos das maiores economias mundiais anunciarem planos para liberar até 100 milhões de barris de petróleo e diesel de suas reservas de emergência, numa tentativa de conter a alta dos custos dos combustíveis.
A decisão veio dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que avaliava criar limites para as exportações de diesel, com objetivo de ampliar a oferta interna e ajudar a abaixar o preço do combustível no mercado americano.
Vizinha: 'Maldição do petróleo' ainda pesa sobre a Guiana 7 anos após megadescoberta
O consumo de petróleo continua aumentando, e os países precisarão de uma oferta ainda maior por pelo menos os próximos dois anos, enquanto recompõem seus estoques, afirmou Nasser. Isso pode significar uma demanda adicional de pelo menos dois milhões de barris por dia, ou até mais, caso os governos decidam aumentar a quantidade de petróleo mantida em suas reservas, acrescentou.
Quando começou a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, o mundo tinha cerca de 10 bilhões de barris de petróleo em estoques, disse Nasser. Esse volume caiu para menos de seis bilhões de barris, dos quais apenas cerca de 10% estão efetivamente disponíveis, devido a diversas restrições técnicas, afirmou.
A liberação de parte do que resta nos estoques globais de petróleo dará às economias algum tempo, mas não resolverá os desequilíbrios entre oferta e demanda, afirmou Nasser. Os produtores do Golfo estão trabalhando para aumentar a produção e as exportações e conseguiram elevar os fluxos de petróleo bruto para níveis próximos aos registrados antes da guerra.
A Arábia Saudita e países vizinhos, como os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait, vêm utilizando seus próprios navios-tanque para transportar petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz, que está pelo menos parcialmente bloqueado desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no fim de fevereiro, dando início a uma guerra regional.
Com guerra: Governo brasileiro estima arrecadar R$ 67,5 bilhões em receita extra com petróleo
Os maiores fluxos proporcionaram pouco alívio aos mercados de petróleo, que continuam precificando os riscos de segurança para o abastecimento no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho. O petróleo Brent, referência internacional, vem sendo negociado em torno de US$ 100 por barril no último mês, mesmo com um número maior de navios-tanque atravessando Ormuz. Essas embarcações tiveram de assumir o risco de ataques mais intensos, enquanto a Arábia Saudita foi alvo de ataques repetidamente ao longo do último mês.
Ainda assim, toda a capacidade de produção da Aramco permanece intacta, afirmou Nasser. Isso permitiu que a empresa continuasse cumprindo seus contratos de fornecimento com compradores na Europa e na Ásia. Segundo ele, a companhia utilizou diferentes rotas de exportação, redistribuiu a oferta entre seus diversos tipos de petróleo e colocou seus próprios navios-tanque em operação para abastecer os clientes.
Ao longo do último mês, a Aramco aumentou os embarques de petróleo a partir de seu principal terminal de exportação, em Ras Tanura, no Golfo Pérsico. A empresa reagiu rapidamente à interrupção temporária de seu principal oleoduto que atravessa o país, após um ataque ocorrido no mês passado, e desde então conseguiu restabelecer os fluxos para cerca de 80% da capacidade.
A Aramco está buscando rotas alternativas para a exportação de petróleo bruto, a fim de evitar uma dependência excessiva de qualquer método isolado para levar seu petróleo aos compradores globais, disse Nasser, sem fornecer detalhes. Segundo ele, a empresa também está estudando planos para duplicar ou triplicar a capacidade de suas instalações de armazenamento.