#Amazonias
A adaptação climática nas Amazônias começa pelo saneamento
Cortada pela maior rede de rios do mundo, a Amazônia enfrenta um paradoxo: milhões de pessoas ainda não têm acesso à água tratada. Com a previsão de um novo episódio de El Niño para este ano, esse contraste volta a acender um alerta sobre a capacidade da região de enfrentar períodos de seca e outros eventos extremos. Nas Amazônias, seus efeitos vão muito além de uma questão climática: expõem vulnerabilidades sociais, urbanas e sanitárias e mostram por que o saneamento precisa ser tratado também como infraestrutura de adaptação climática As imagens da estiagem histórica de 2023 ainda estão na memória coletiva do país. Rios como o Negro e o Amazonas tiveram grandes extensões de seus leitos expostas ao sol, e barcos ficaram impedidos de navegar. Agora, três anos depois, ainda há incerteza sobre a intensidade e os efeitos de um eventual novo episódio, mas a experiência recente mostra que é urgente preparar a região para impactos dessa natureza. Além de afetar o clima local, o El Niño amplifica os problemas estruturais da região Norte, onde está o bioma amazônico. Ali, 37% da população não tem acesso à água tratada, o que corresponde a 6,4 milhões de pessoas, de acordo com dados de 2025 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SNISA). O índice nacional de falta de cobertura é de 25%, segundo a mesma base de dados. Sem a garantia de saneamento básico para todos, eventos extremos trazem consequências ainda piores para as cidades. Uma chuva forte se transforma em inundação. A cheia, em contaminação. A seca, em desabastecimento. E o calor acima da média agrava a vulnerabilidade das populações mais expostas, especialmente aquelas que vivem em áreas periféricas, especialmente considerando que as capitais do Norte estão entre as menos arborizadas do país, segundo a pesquisa temática do IBGE sobre Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios. Universalizar o saneamento não é apenas cumprir uma meta estipulada pelo Marco Legal do setor. Trata-se de proteger vidas, reduzir desigualdades e preparar a região para os efeitos de um clima cada vez mais instável. Com cerca de 28 milhões de habitantes, a Amazônia não pode ser encarada apenas como uma floresta a ser conservada, embora isso seja fundamental. Ela também é território urbano. Floresta e cidade não são realidades apartadas; uma depende diretamente da outra. Por isso, preparar as Amazônias para um clima mais extremo exige olhar para o saneamento como parte da infraestrutura de resiliência dos territórios. Essa interdependência tende a se acentuar à medida que os eventos climáticos se tornam mais extremos. Entre 2000 e 2022, quase cinco mil eventos extremos atingiram a região. Na comparação entre os períodos de 2000–2005 e 2018–2022, a frequência dos eventos de fogo aumentou mais de dez vezes; a de inundações, cinco vezes; e as secas e ondas de calor triplicaram. Os dados são de um estudo publicado na revista científica Nature Communications, em novembro do ano passado, por pesquisadores do IPAM, da FGV e da Unicamp. A pesquisa também mostra o alcance desses desastres. No mesmo intervalo de tempo, 1,8 milhão de pessoas foram afetadas nos territórios da Amazônia brasileira e, em linha com o que a ONU aponta em seus relatórios, os impactos recaíram de forma desproporcional sobre as populações mais vulneráveis: comunidades tradicionais e indígenas responderam por 75% das mais atingidas. Os efeitos dos eventos extremos extrapolam a região. As perdas econômicas foram de US$ 650 milhões por ano, ou US$ 5,7 bilhões entre 2000 e 2022, com agricultura, pecuária, saúde e infraestrutura entre as áreas mais afetadas. Uma resposta à altura do desafio começa com a estruturação de uma governança local, para que os municípios amazônicos consigam acessar financiamentos e executar projetos e obras de adaptação climática. Há novos modelos de financiamento desenvolvidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), como o Programa Cidades Resilientes, para evitar perdas humanas e materiais, mas o acesso a esses recursos ainda esbarra na capacidade técnica e institucional dos municípios para planejar, estruturar projetos, acessar financiamento e executar investimentos. Os eventos extremos escancaram essa e outras necessidades prementes. É preciso fortalecer capacidades institucionais em diferentes níveis. É preciso fortalecer as instituições em diferentes níveis para que se desenvolvam planos municipais e regionais voltados à resiliência e à adaptação climática, o que exige cooperação entre a União, os estados e os municípios, com a participação da sociedade civil e das comunidades locais. Questões amazônicas demandam soluções diversas e adaptadas a diferentes contextos. No caso do saneamento, um plano desenhado para grandes centros urbanos nem sempre funciona em territórios muitas vezes de difícil acesso, cortados por rios e com grande dispersão populacional. Universalizar, portanto, não significa replicar um único modelo de infraestrutura, mas garantir o acesso por meio de soluções compatíveis com as diferentes realidades territoriais das Amazônias. As experiências já desenvolvidas na região apontam para a combinação de sistemas descentralizados, recuperação de igarapés, proteção de mananciais, drenagem baseada na natureza e arranjos regionais para o tratamento de resíduos sólidos. Nas Amazônias, o saneamento é uma das estratégias mais eficazes de adaptação climática. Isso exige tratar água, esgoto, drenagem e resíduos como infraestrutura de resiliência, com soluções desenhadas a partir dos territórios e capacidade institucional para fazê-las chegar a quem mais precisa, antes que a próxima emergência chegue. *Fernanda Rennó é co-secretária executiva da rede Uma Concertação pela Amazônia, pós-doutora em Engenharia Sanitária (UFMG) e doutora em Planejamento Territorial – Meio Ambiente e Paisagem, pela Université de Toulouse/UFMG. *Lucas Nassar é o arquiteto, urbanista e diretor-geral do Laboratório da Cidade, uma organização sem fins lucrativos sediada em Belém (PA). Mais Lidas
umsoplaneta.globo.com
September 30, 2026 at 8:38 AM
🌿 A Amazônia também mora na cidade.

Neste #DiaDaAmazônia, o txai Samuel Arara nos convida a olhar para as Amazônias urbanas - onde floresta, rios, concreto e pessoas compartilham o mesmo território.

Assista e fortaleça o jornalismo (alter) nativo do Varadouro.

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ovaradouro.com.br
September 5, 2026 at 12:42 PM
ouvindo um vlog (do uk) da moça falando sobre a poluição causada por entregas em casa fora os pacotes e eu já devo ter destruído 3 amazônias com a shopee a essa altura
August 11, 2026 at 11:23 PM
O avanço da obesidade nas Amazônias
O avanço da obesidade nas Amazônias
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valor.globo.com
August 6, 2026 at 9:12 AM
Tiny patch of Amazon probably holds 40,000 insect species — many new to science www.nature.com/articles/d41...

More, on the plight of the Amazon blog.sciencemuseumgroup.org.uk/amazonias-li...
Tiny patch of Amazon probably holds 40,000 insect species — many new to science
Megaproject involving hundreds of sites is cataloguing rainforest insects from the ground to the canopy.
www.nature.com
August 4, 2026 at 8:24 PM
Museu das Amazônias abre vagas de emprego em Belém; veja cargos e como se inscrever
Vagas de emprego no Museu das Amazônias em Belém: confira cargos | G1
Vagas de emprego no Museu das Amazônias em Belém contemplam áreas de educação e gestão com contratação CLT e benefícios como assistência médica e odontológica.
g1.globo.com
July 22, 2026 at 10:50 PM
I said more than a month ago I wanted to visit the Amazonias

So don’t come over surprised all if I end up here
June 28, 2026 at 4:12 PM
Luego me preguntan por qué no tengo Notflix, Amazonias o similares y que por qué sigo comprando DVD, aunque la mayoría sean de películas antiguas.
Siempre estoy fuera de la conversación de películas y series, tampoco es que decida dedicarles tiempo.
June 26, 2026 at 5:12 PM
Terezinha Alves Brito

Em 2024, a pesquisadora e advogada lançou o podcast “Amazônias Conectadas: Internet e Sustentabilidade” sobre conectividade na região. O projeto amplia o debate sobre conectividade nortista a partir das experiências e perspectivas da Amazônia
June 9, 2026 at 1:59 PM
Exclusão energética na Amazônia: três milhões de pessoas dependem de fontes fósseis, mais poluentes e mais caras
Enquanto a Amazônia Legal ocupa papel estratégico na geração de energia elétrica do Brasil, cerca de 10% da população da própria região segue sem acesso adequado à eletricidade ou dependente de combustíveis fósseis caros e poluentes. A contradição é destaque do caderno Energia: as Amazônias na Agenda de Transição, publicado pela rede Uma Concertação pela Amazônia em parceria com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). Segundo o estudo, divulgado nesta sexta (22), quase 3 milhões de pessoas vivem em sistemas isolados movidos a combustíveis fósseis ou enfrentam acesso irregular à energia elétrica. O problema atinge principalmente comunidades remotas, indígenas e tradicionais, afetando desde serviços públicos básicos até atividades econômicas locais. O levantamento aponta que mais de 84 mil estabelecimentos produtivos da Amazônia Legal ainda não têm acesso à energia elétrica. Para os autores, o cenário revela falhas estruturais nas políticas públicas voltadas ao setor. “Isso não é apenas um déficit de infraestrutura, é uma falha de desenho institucional. Sem considerar usos produtivos, organização coletiva e participação social, a política limita a geração de renda e impede que a energia cumpra seu papel no desenvolvimento territorial”, afirma Vinícius Oliveira da Silva, pesquisador do IEMA e um dos autores do estudo. O documento destaca um paradoxo do sistema energético brasileiro. Em 2020, os estados amazônicos responderam por 25,7% da geração nacional de eletricidade — majoritariamente renovável —, mas consumiram apenas 8,4% desse total. Ao mesmo tempo, quase um milhão de pessoas permaneciam sem acesso à energia e cerca de 3 milhões dependiam exclusivamente de fontes fósseis. Apesar da forte participação das hidrelétricas na matriz nacional, o cenário energético amazônico é diferente do restante do país. Enquanto mais da metade da geração brasileira vem de usinas hidrelétricas, na Região Norte esse percentual é inferior a um terço. As termelétricas representam 39,1% da geração regional, mais que o dobro da média nacional, inferior a 17%. Para Georgia Jordão, responsável pela área de Conhecimento da Uma Concertação pela Amazônia, a precariedade energética impacta diretamente direitos básicos e o desenvolvimento local. “O acesso à energia é um direito básico e condição essencial para o exercício da cidadania nas Amazônias”, afirma. “A falta de energia confiável compromete o armazenamento de vacinas, o funcionamento de escolas, o acesso a serviços públicos pela internet e a conservação de alimentos, além de limitar atividades produtivas locais.” A publicação também chama atenção para os impactos históricos de grandes empreendimentos energéticos na região, associados a conflitos fundiários, alterações territoriais e pressões sobre povos e comunidades tradicionais. Trabalhador faz manutenção de uma linha de transmissão em Altamira, PA. MarioTama/GettyImages "Novo extrativismo" Entre os novos riscos apontados está o avanço da exploração de petróleo na Margem Equatorial. Segundo o caderno, a expansão dessa fronteira energética ameaça áreas ambientalmente sensíveis, como recifes, manguezais e zonas de circulação de peixes e mamíferos marinhos, além de ampliar disputas territoriais. Outro ponto de alerta envolve os chamados minerais críticos, como terras raras, estratégicos para a transição energética global. A Amazônia Legal concentra cerca de 30% das reservas desses minerais no país. Desse total, 4,4% estão em terras indígenas e 14,9% em unidades de conservação. De acordo com o estudo, já existem 5.046 pedidos de exploração mineral registrados na Agência Nacional de Mineração. Desses, 1.205 incidem sobre áreas de impacto de terras indígenas e 1.207 se sobrepõem a 107 unidades de conservação. Os autores alertam para o risco de um “novo extrativismo” impulsionado pela demanda global por minerais necessários à transição energética, sem que haja garantias de proteção ambiental e participação das populações locais. Ao mesmo tempo, o caderno aponta oportunidades para um modelo energético mais inclusivo na região, baseado em soluções renováveis descentralizadas, como energia solar, bioenergia e sistemas de armazenamento. Segundo o estudo, integrar acesso à energia com fortalecimento da sociobioeconomia pode ampliar atividades produtivas locais, agregar valor às cadeias regionais e aumentar a resiliência climática das comunidades amazônicas. “A Amazônia sofre os impactos de um modelo de geração baseado em grandes empreendimentos, mas também é estratégica para o desenvolvimento de novos caminhos para a transição energética justa”, afirma Georgia Jordão. “Estamos diante de uma oportunidade de democratizar o acesso com fontes mais limpas e soluções mais adequadas às particularidades dos territórios amazônicos.” Para os pesquisadores, a transição energética na Amazônia precisa ir além da substituição tecnológica e considerar participação social, governança territorial e respeito à diversidade cultural da região. “A energia é instrumento real de cidadania, desenvolvimento e justiça social. Universalizar o acesso à energia na Amazônia exige mais do que expandir a rede. É preciso incorporar governança participativa, consulta prévia e adaptação territorial”, defende Vinícius Silva. Mais Lidas
umsoplaneta.globo.com
May 23, 2026 at 6:20 AM
⚡ A Amazônia abastece o Brasil com energia renovável, mas cerca de 3 milhões de seus moradores dependem exclusivamente de combustíveis fósseis.

A publicação “Energia: As Amazônias na agenda de transição”, da rede Uma Concertação pela Amazônia, em parceria com o IEMA, revela a contradição.
May 22, 2026 at 2:44 PM
some heroes don't wear capes 🏆

In 2005,Swedish-British billionaire Johan Eliasch purchased 400,000 acres of the Amazon rainforest for approx $14m

He acquired the land by buying a Brazilian logging company,Gethal Amazonias,to prevent further commercial destruction of the forest

*link included
May 20, 2026 at 12:12 AM
Me minaram hj, caiu um toró quando eu tava indo pra aula (minha aula era na bienal das amazonias) fiquei ENCHARCADO a segurança da bienal ficou com peda de mim e me emprestou uma blusa e uma sandália 😭
(Obrigado moça te amo muito!!)
May 9, 2026 at 12:19 AM
Confira as primeiras imagens das gravações de "A Estirada", drama nacional dirigido pela dupla Sergio de Carvalho e Pedro von Krüger - com Bruno Gagliasso e Adanilo no elenco - que serão realizadas entre as Amazônias peruana e brasileira.🎥🇧🇷

#aestirada #brunogagliasso #adanilo #cinemanacional
April 17, 2026 at 9:33 PM
“As Amazônias” reúne Aíla, Djuena Tikuna e Patrícia Bastos em temporada na CAIXA Cultural São Paulo

Espetáculo une música, imagem e diferentes territórios da Amazônia

A temporada acontece de 16 a 19 de abril, sempre às 19h, com entrada gratuita.
April 14, 2026 at 7:57 PM
Mesmo sendo estratégica para a matriz energética brasileira, a Amazônia Legal ainda enfrenta baixo acesso à energia, alta dependência de sistemas a diesel e grandes desigualdades no fornecimento. Conheça os caminhos indicados: energiaeambiente.org.br/produto/ener... #energia #amazonia
Energia: As Amazônias na agenda de transição - Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA)
A publicação foi organizada pela Uma Concertação pela Amazônia e contou com a parceria do IEMA
energiaeambiente.org.br
April 13, 2026 at 2:59 PM
🌱 Organizado pela Uma Concertação pela Amazônia, e realizado em parceria com o IEMA, o caderno “Energia: as Amazônias na agenda de transição” propõe novos caminhos para integrar energia, inclusão e conservação no território.
April 13, 2026 at 2:59 PM
Alesso & Anitta - Is That For Me (Official Music Video)
YouTube video by Alesso
youtu.be
April 12, 2026 at 3:29 AM
se pegassem a palavra Amazonias e dividisse uma letra pra cada estado se teria um mosaico lindo
April 10, 2026 at 2:36 PM