Nova técnica de criogenia coloca o sangue em "animação suspensa"
O método pode preservar características do sangue durante um tempo maior, melhorando a análise de amostras sanguíneas e facilitando o diagnóstico de doenças Hemogramas são a maneira mais simples de investigar como está a saúde de uma pessoa. Porém, podem ocorrer mudanças na composição molecular do sangue a partir de 6 a 8 horas fora do corpo, o que pode causar alterações nos resultados de exames. O novo projeto CryoSCAPE propõe um método inovador para coletar o fluido corporal. Com a tecnologia, o sangue é colocado em um tipo de "animação suspensa" e pré-embalada em um tubo. Assim, o sangue fica protegido de possíveis danos durante o congelamento, e as moléculas do seu estado natural ficam preservadas. “Praticamente todos os ensaios clínicos conduzidos por empresas biofarmacêuticas coletarão sangue em um local, mas então eles terão que enviar o sangue durante a noite para outro centro de processamento”, disse Peter Skene, diretor de imunologia translacional de alta resolução no Instituto Allen de Imunologia, em comunicado. “Queríamos resolver esse problema desenvolvendo uma metodologia que permitisse a estabilização imediata do sangue à beira do leito”. Cientistas querem, a partir deste método, alcançar experimentos tecnológicos chamados de célula única — abordagem que detém uma célula por vez de um indivíduo, capturando precisamente sua composição molecular. “Essa técnica permite, de certa forma, manter a amostra no estágio em que estava quando o paciente doou sangue pela primeira vez”, explica Lisa Forbes Satter, imunologista e pediatra, que colabora com pesquisadores do Instituto Allen para estudar distúrbios raros de imunodeficiência. “Seria uma virada de jogo para instituições e clínicas que não têm muitos recursos.” Aplicações Mas por que, afinal, preservar as características do sangue? Em resumo, porque isso permite uma análise mais precisa. Pesquisadores do Instituto Allen descobriram que as informações sequenciais do RNA mudam conforme o tempo passa. Segundo a equipe, os dados de sequenciamento das células de RNA analisadas após 6 horas de coleta eram diferentes do sangue imediatamente coletado. Com a nova tecnologia, especialistas acreditam na possibilidade de estabilizar o sangue, mantendo as células vivas e semelhantes ao seu estado natural quando está dentro do corpo. Através da tecnologia de animação suspensa, também será possível processar várias amostras de sangue ao mesmo tempo, podendo ampliar os experimentos de células únicas. Sem alterações na composição das células após algum período de tempo, seria possível fazer a coleta de sangue e o transporte para clínicas em bairros ou locais mais afastados. Assim, mais pessoas poderiam participar de pesquisas sem precisar envolver a viagem de voluntários para colher as amostras sanguíneas. Futuro De acordo com Skene, o método pode ampliar a participação de pessoas de comunidades carentes em estudos e pesquisas científicas. Os pesquisadores também querem aumentar os ensaios clínicos regulados por empresas biofarmacêuticas — que normalmente precisam enviar amostras de sangue para serem analisadas em um laboratório. “Como uma equipe, desenvolvemos muitas abordagens novas, empolgantes, mas complicadas, mas também precisamos tornar essas abordagens acessíveis”, afirma o gerente sênior de citometria de fluxo no Instituto Allen de Imunologia, Julian Reading. “Agora, estamos trabalhando para abrir o acesso a essa tecnologia, para chegar a um ponto em que possamos realmente ter um impacto mais amplo.”