Novas Rotas do turismo no Centro-Sul Fluminense
Paty do Alferes é uma das dez cidades do Centro-Sul Fluminense que serão contempladas por um novo programa da Embratur, que está no estado para executar a capacitação do Novas Rotas, voltado para a internacionalização de destinos turísticos brasileiros fora dos roteiros tradicionais. Nesta segunda-feira (6), o curso começa pelo município de Areal, que vem se destacando pela enocultura e produção de vinhos artesanais e será a sede do encontro que reunirá também representantes de cidades como Levy Gasparian, Mendes, Paraíba do Sul, Sapucaia, Paracambi, Petrópolis, Teresópolis e Miguel Pereira.
O objetivo é preparar gestores, empresários e operadores de turismo para fortalecer a identidade local e oferecer experiências capazes de atrair o turista estrangeiro. A capacitação abordará temas como sustentabilidade, inovação digital e promoção internacional, pilares centrais do programa.
“Ao escolher Areal como ponto de partida, estamos valorizando a força de novos arranjos produtivos ligados ao turismo, como a enocultura, que vem crescendo no estado do Rio. Essa é uma forma de mostrar ao mundo que o Brasil vai muito além do óbvio e que o interior fluminense tem experiências únicas para oferecer”, dizz o presidente da Embratur, Marcelo Freixo.
Um roteiro para além do óbvio
Cada cidade tem o seu destaque. Paty do Alferes movimenta o calendário rural com o Festival do Tomate e roteiros de flores. Areal desponta como destino emergente no enoturismo, com vinícolas familiares e experiências que unem gastronomia, natureza e tradição. A poucos quilômetros dali, Paraíba do Sul resgata a memória do Caminho Novo da Estrada Real e suas águas termais; Mendes preserva fazendas históricas do ciclo do café.
Já em Sapucaia e Levy Gasparian, o turismo de aventura cresce com corredeiras e esportes náuticos, enquanto Paracambi aposta no patrimônio industrial e ferroviário. Petrópolis e Teresópolis, por sua vez, já consolidadas no turismo nacional, ampliam seu potencial com atrativos históricos e naturais de projeção internacional, do Museu Imperial ao Dedo de Deus. Miguel Pereira, reconhecida por sua hospitalidade, oferece lagos, miradouros e esportes ao ar livre, conquistando espaço como destino de charme da serra fluminense.
“A ideia é integrar esses municípios em uma rede de promoção internacional que valorize suas vocações específicas, prolongue a estadia dos turistas estrangeiros e distribua melhor o fluxo de visitantes pelo estado. O turismo, quando feito de forma sustentável e inteligente, gera emprego, renda e preserva a identidade local”, acrescenta Freixo.
Rede de cooperação
O encontro em Areal marca o início de uma série de capacitações regionais que serão realizadas em diferentes polos do estado, sempre em parceria com secretarias municipais, operadores de turismo, observatórios turísticos e demais atores estratégicos.
Com o Novas Rotas, a Embratur busca descentralizar o turismo internacional, posicionando o Brasil não apenas como destino de cartões-postais, mas como um país de múltiplas experiências — das serras fluminenses às tradições rurais, passando por vinhos, cafés, águas termais e aventuras ao ar livre.
NOs números do turismo no Brasil, hoje, impressionam. Possivelmente estão entre os melhores de todo o governo federal. Um trabalho que passa, em muito, pela Embratur, presidida pelo ex-deputado Marcelo Freixo, que se notabilizou na década passada em temas mais ligados à segurança pública e aos direitos humanos, e que agora mostra desenvoltura também na área internacional. Responsável pela promoção do Brasil no exterior, a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) estima que neste ano de 2025 o número de turistas estrangeiros no país, que nunca ultrapassou a marca dos 7 milhões de visitantes, chegará a nada menos que 9 milhões, num crescimento de aproximadamente 50%, muito acima da média mundial.
Marcelo Freixo, qual a explicação para um resultado tão expressivo em relação ao turismo internacional?
Há uma série de fatores. Em primeiro lugar, ao trabalho da Embratur, que havia sido desmontada e que em pouco tempo reconstruímos com um time de profissionais que eram os melhores do mercado quando se trata de promoção internacional de turismo. A gente trabalhou em várias frentes, rodando o mundo e mostrando o que o Brasil tem de bom para cada público específico. Porque no Brasil não tem apenas turismo de sol e praia. Os chineses, por exemplo, que têm a maior população do planeta, não querem saber disso. Gostam de história, turismo ecológico. Cada país tem sua particularidade. A França, por exemplo, era o mais da Europa que mais mandava turistas para o Brasil. Mas havia deixado de ser porque o ex-presidente criou uma crise diplomática ao ofender a primeira-dama francesa. Agora tem o Trump. Tem muita gente, e com razão, que não quer ir para os EUA. E o Brasil, claro, naturalmente se torna uma opção. Mas tem mais coisa também...
Por exemplo
A gente trabalhou muito para ampliar a nossa malha aérea. Ampliamos em 20%. Porque para as pessoas virem para o Brasil, é preciso que tenha meio de transporte (risos). Então, se tem 20% mais voos, tem 20% a mais de gente vindo para cá. A gente apresentou estes números no Senado e até a bancada bolsonarista aplaudiu e elogiou. Coisa rara (risos).
O que motivou a criação do projeto Novas Rotas?
O enorme potencial do Brasil para além dos cartões postais. Vamos pensar no Estado do Rio, que é o terceiro menor do país. Além de todos os cartões postais da capital temos o Centro Fluminense, que é lindíssimo e pouco explorado, a Costa Verde, a Região dos Lagos e Costa do Sol, a Região Serrana, o Vale do Café, a região das Agulhas Negras com Penedo, Mauá, Itatiaia. Isso para a gente falar só do Rio. Imagina o resto do Brasil! Aqui temos sol, praia, gastronomia, história, turismo religioso, ecoturismo, turismo de aventura... tem absolutamente tudo para todos os gostos. Não falta nada.
E o que estes números têm representado em termos de receita para a economia brasileira? Quantos estes turistas deixam no nosso país?
Hoje, 8 bilhões de dólares. Mais do que o agro ou a mineração. O turismo é a grande saída para o nosso país. A gente não vai conseguir viver para sempre do petróleo. E o turismo é o petróleo do século 21. Gera emprego e renda para todas as idades, em todos os níveis de escolaridade. O Brasil, hoje, dá aula no turismo. E ainda podemos avançar muito mais.