#Extrativismo
comanda no copo lagoinha representa minas gerais mais do que extrativismo mineral e latifúndio monocultor
October 3, 2026 at 7:20 PM
Universidad de Chile veta dados sensíveis em IAs gratuitas para frear o extrativismo de propriedade intelectual. Protocolo exige modelos abertos ou corporativos. https://tinyurl.com/2y5wdrtw #IA #LatamTech
Universidad de Chile lança primeira política institucional de uso ético e crítico de IA
O protocolo pioneiro promulgado pela reitoria estabelece salvaguardas contra o vazamento de dados acadêmicos e define normas de integridade para o uso de ferramentas generativas.
altdigitallatam.org
September 30, 2026 at 10:37 PM
Piores momentos do debate dos candidatos a governador do Amazonas:

De novo esses direitalhas inúteis vendem idéia de extrativismo da Amazônia como "solução" p/ pobreza do povo amazonense - já fazem isso desde os anos 90, o amazonense continua pobre, e agora amargando um calor cada vez +insuportável
September 30, 2026 at 4:15 AM
O bom de essa história eclodir a menos de 10 dias da eleição é a gente ter uma palhinha do que seria o governo do Tariflávio: assédio judicial, censura, arrocho salarial, subserviência aos Estragos Fudidos, extrativismo na veia, corte em salários e aposentadorias, superexploração do trabalho
September 26, 2026 at 12:13 AM
pra mim parece certo que extrativismo mineral diminua as reservas minerais, mas posso estar enganada
September 22, 2026 at 10:13 PM
Fazer prova discursiva é desafiador pq nem sempre eu sei se o que a criança escreveu tá certo ou errado

"Um problema ambiental que o extrativismo mineral pode provocar é fazer com que as principais reservas minorar vão diminuindo"

Tipo... eu tava pensando em desmatamento, erosão do solo e
September 22, 2026 at 10:09 PM
"Mesa redonda abordou como povos são afetados pelo extrativismo e por mudanças climáticas. Especialista questiona postura passiva das políticas públicas diante da crise ambiental"
CSHS debate como o clima afeta as comunidades – e o que fazer - Combate Racismo Ambiental
Mesa redonda abordou como povos são afetados pelo extrativismo e por mudanças climáticas. Especialista questiona postura passiva das políticas públicas diante da crise ambiental Por Gabriela Leite, Ou...
racismoambiental.net.br
September 22, 2026 at 8:00 PM
CLIMA| As orquídeas são objeto de desejo de muitos, mas esse interesse tem preço. Estudo alerta que entre 55,6% e 69,2% das espécies estão em risco de extinção, resultado de extrativismo, comércio ilegal, desmatamento, queimadas e mudanças climáticas🌸
#dcbr #cienciabr #TrupeNaturalista
Mais da metade das orquídeas pode estar ameaçada de extinção, diz estudo - Ciência UFPR
Pesquisa global aponta riscos de extinção das orquídeas e subnotificação em lista de espécies ameaçadas; desmatamento está entre as ameaças
ciencia.ufpr.br
September 22, 2026 at 6:20 PM
Nufaaaa que meda (눈‸눈) avisa ele que nós tamo quebrando granizo no dente igual geladinho
Esparramando o cabelo em furacão que nem existia aqui por culpa da ganância e extrativismo desse FDP laranja, e que será uma honra fazer suco dele!!!
Trump ameaça usar “poderio militar inigualável” dos EUA contra a América Latina

Em discurso na ONU, republicano volta a ameaçar aniquilar o Irã, admite fins econômicos na Venezuela e ataca o Tribunal Penal Internacional...
Trump ameaça usar “poderio militar inigualável” dos EUA contra a América Latina
Em discurso na ONU, republicano volta a ameaçar aniquilar o Irã, admite fins econômicos na Venezuela e ataca o Tribunal Penal Internacional
www.brasil247.com
September 22, 2026 at 3:46 PM
ce fala pros outros q vai achar e falam pra n perder tempo com isso e devia usar essa pa inutil pra algo util como agricultura e extrativismo(procriacao, se aproveitar dos outros pra passar a perna neles e seguir um sistema baseado em ascensao de uma piramide hierarquica imaginaria inventada)
September 18, 2026 at 5:51 AM
Grande parte desse extrativismo é realizado por agricultores familiares e pequenos produtores. Áreas com menos de cinco hectares respondem por 43% do volume produzido, enquanto cerca de 85% das unidades produtivas da região são pequenas propriedades rurais.
September 14, 2026 at 12:41 PM
Todo EBDC tem seu fim.

Confere um pouco do último dia de evento, com esse texto da @clorofreela.com

ebdc.com.br?p=3959
Todo EBDC tem seu fim
O terceiro dia do IV Encontro Brasileiro de Divulgadores de Ciência, segunda-feira de feriado (07/09/2026), encerrou a edição de 2026. Tivemos a mesa Pasteurização visual e extrativismo cultural na er...
ebdc.com.br
September 9, 2026 at 11:58 PM
E é aí um dos pontos da discórdia. Muita gente suspeita de uma quebra pros próximos anos do crédito privado justamente por essa bolha da IA e de alguns outros investimentos de tecnologia, alguns esportivos (já cogitaram isso até da PL!). Então, aqui é "segura na mão do agro/extrativismo e vai".
September 9, 2026 at 2:58 AM
Cassiterita, o ‘ouro negro’ do extrativismo ilegal da Amazônia, abastece gigantes globais sem deixar rastros aponta MPF www.caldeiraopolitico.com.br/noticia/8619...
Cassiterita, o 'ouro negro' do extrativismo ilegal da Amazônia, abastece gigantes globais :: Caldeirão Político
Mineradora White Solder � acusada de integrar organiza��o criminosa com estrutura milion�ria que �destr�i� a terra ind�gena, segundo den�ncia do MPF, aceita pela Justi�a Federal de Roraima;.
www.caldeiraopolitico.com.br
September 7, 2026 at 12:30 PM
Ouro invisível: Como a cassiterita ilegal da Amazônia abastece gigantes globais sem deixar rastros
Nas profundezas da Amazônia, o minério que solda os microchips da inteligência artificial, está também na tela do seu celular e impulsiona a transição energética mundo afora tornou-se a nova fronteira do crime organizado na floresta. Documentos sigilosos da Operação Forja de Hefesto, da Polícia Federal, e apurações do Ministério Público Federal (MPF) obtidos com exclusividade pelo GLOBO revelam como a cassiterita — o chamado "ouro negro" do extrativismo — retirada ilegalmente da Terra Indígena Yanomami e do Parque Nacional dos Campos Amazônicos teria abastecido a cadeia de suprimentos de gigantes globais como Apple, Microsoft, Amazon, Walt Disney e Sony, entre outras, como Starbucks, Caterpillar, PepsiCo, Colgate-Palmolive, Victoria’s Secret e até a fabricante do jeans Levi´s. Leia também: Justiça Federal enquadra ANM e estados e exige o fim do uso de mercúrio no garimpo 'legalizado' da Amazônia Uru-Eu-Wau-Wau: bancos públicos financiam fazendeiros que burlam fiscalização em terra indígena com isolados Apontada como uma das maiores produtoras e fornecedoras de estanho e soldas do mundo, a brasileira White Solder, com sede em Ribeirão Preto (SP) e filais em Manaus (AM) e Ariquemes (RO), virou ré na Justiça sob a acusação de liderar um esquema de receptação, refino e "esquentamento" que movimentou ao menos R$ 200 milhões sob o manto de um “compliance verde” de fachada entre os anos 2020 e 2025. Apenas entre maio e agosto de 2021, a contabilidade apreendida pela PF registrou o escoamento de mais de 525 toneladas do minério de maneira ilegal. A cassiterita é a matéria-prima bruta encontrada na natureza, da qual se extrai, após o processo de fundição e refino, o estanho em estado puro. Fábrica da White Solder, em Ariquemes (RO), apontada pelo MPF como parte da estrutura usada no esquema de compra e beneficiamento de cassiterita de origem ilegal. Daniel Biasetto/Agência O GLOBO Ao rivalizar com o ouro tradicional pela liquidez astronômica e facilidade de escoamento em grande escala, a “nova corrida” pelo estanho expõe grandes corporações que ao comprarem centenas de toneladas de estanho refinado acompanhadas apenas por papéis formais e auditorias complacentes financiam, ainda que sob a blindagem da "cegueira deliberada", o ecocídio na Amazônia. MPF apresenta ação contra Agência Nacional de Mineração sobre extração ilegal de ouro em esquema de até R$ 18 bilhões Em Manaus, O GLOBO acompanhou os passos da investigação do MPF que escancarou a fragilidade do compliance internacional. Esta reportagem é a primeira de três da série Ouro Invisível, sobre como minerais extraídos ilegalmente da Amazônia abastecem a cadeia global de tecnologia e joias e por que ninguém consegue rastreá-los. Sede da Coopertin, em Ariquemes (RO), apontada nas investigações como parte da estrutura usada para emitir documentos que davam aparência legal à cassiterita de origem ilegal. Daniel Biasetto/Agência O GLOBO Os procuradores cruzaram os relatórios de auditoria apresentados pela White Solder com a base de dados da SEC — a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. O rastreamento revelou que a fundidora brasileira figurava formalmente como fornecedora ativa de estanho nos balanços de gigantes globais listadas nas Bolsas americanas. Diante da constatação, dez multinacionais com atuação no Brasil foram notificadas na investigação cível por falhas graves em seus mecanismos de due diligence socioambiental e de direitos humanos. Por esse motivo, de forma inédita, o MPF não se limitou a pedir a indenização dos réus na denúncia criminal enviada e aceita pela 4ª Vara Federal de Roraima; os procuradores estabeleceram uma indenização de R$ 1,7 bilhão como caráter pedagógico e reparatório de toda cadeia envolvida por danos ambientais, patrimoniais e morais coletivos decorrentes da extração, do transporte, da industrialização e da comercialização de cassiterita e de ouro ilegalmente lavrados nos territórios protegidos investigador pela Forja de Hefesto, alusão à oficina mítica do deus grego do fogo e da metalurgia. Essa cobrança, explica o procurador André Luiz Porreca, do 2o_ Ofício da Amazônia Ocidental, responsável pelos estados de Roraima, Rondônia e Acre, está baseada em teses jurídicas para dano ambiental como "responsabilidade indireta por poluição" e "responsabilidade objetiva e solidária", onde as empresas não podem se eximir da responsabilidade alegando fraude de terceiros, força maior ou ausência de vínculos corporativos diretos com a refinaria local, em que caberá às grandes empresas de tecnologia demonstrar ativamente a origem limpa e a legitimidade do estanho que compraram. — Eu estou pedindo esses valores com base em casos análogos. Meus critérios foram, em síntese, gravidade dos fatos, sofisticação do esquema criminoso, capacidade econômica dos infratores e tempo de duração da atividade ilícita — afirma Porreca. Assista à entrevista com o procurador do caso: Como minerais extraídos ilegalmente da Amazônia abastecem a cadeia global da tecnologia Povos isolados: Mundo tem 196 grupos indígenas não contatados; metade pode desaparecer em 10 anos Apesar de ostentar selos internacionais como o LME Brand, da Bolsa de Metais de Londres, e o aval do Responsible Minerals Initiative (RMI), a White Solder operava sob "cegueira deliberada" e greenwashing, segundo o MPF. Mensagens e documentos apreendidos no celular do sócio-administrador Alessandro Torrente revelaram que a própria fundidora bancava os custos da filial de fachada em Roraima e gerenciava o frete do minério clandestino. Procurada, a White Solder não se manifestou até o fechamento desta reportagem. A origem do esquema Indígenas em estrutura improvisada em área atingida pelo garimpo ilegal Reprodução Em território Yanomami, em Roraima, a extração operava com divisão técnica de trabalho. Nos garimpos do Baixinho e da Pupunha, escavadeiras e bombas eram operadas por grupos organizados: raizeiros limpavam a vegetação, jateiros construíam estruturas de contenção e maraqueiros operavam a sucção do sedimento. Na coordenação de campo, executores como Valdeci Aparecido Cardoso, garimpeiro conhecido como “Keké”, organizavam as equipes e prestavam contas diárias do volume extraído a financiadores e sócios da operação, entre eles Jidalias dos Anjos Pinto, o "Tiziu", (ex-deputado estadual) e Felipe José da Silva Galvão, que atuava como piloto de aeronave. A estrutura contava com logística própria de aviação clandestina, operando a partir de pistas abertas na floresta, além do uso de mercúrio no garimpo de ouro associado. O passo seguinte era legalizar o produto. A cassiterita recolhida pelo intermediário Nelcides de Almeida Mello (morto no mês passado em acidente de trânsito) era registrada com papéis falsos fornecidos pela Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin). A cooperativa mantinha uma sede em Boa Vista sem atividade operacional ou funcionários, mas emitia guias e notas fiscais para simular que o minério vinha de lavras autorizadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Do total movimentado pela cooperativa em um período de cinco meses, R$ 166,3 milhões vieram da White Solder. De acordo com as investigações, o destino quase exclusivo da cassiterita era a White Solder, que respondeu por 97,6% dos créditos da cooperativa no período. Povos isolados: expedição rastreia indígenas kawahiva no maior território não demarcado da Amazônia Após chegar aos altos fornos da refinadora, em Rondônia, a cassiterita era convertida em lingotes de alta pureza. O processo industrial elimina as características físicas de origem do produto. Com documentação regularizada no papel e selos de conformidade, o estanho entrava no mercado internacional. Estrutura improvisada de apoio ao garimpo em área de exploração na Terra Indígena Yanomami, garimpo do Pupunha. Reprodução A estrutura contava com logı́stica própria de aviação clandestina, operando a partir de pistas abertas na floresta, além do uso de mercúrio no garimpo de ouro associado. O rastro da exploração deixou vegetação nativa destruída em terras da União e uma contaminação sem qualquer plano de recuperação — danos ambiental e social cujos impactos persistem até hoje. Segundo Dario Kopenawa, presidente da Associação Hutukara Yanomami, os garimpeiros ainda seguem por lá, e hoje a corrida pela cassiterita vem puxando a devastação. — Até três, quatro anos atrás, nós não tínhamos noção de que a procura por cassiterita estava forte. Agora só se fala nisso aqui — afirma ao GLOBO. Kopenawa afirma que mesmo após as operações de desintrusão, o garimpo ilegal diminuiu, mas a “corrida pela cassiterita” está trazendo a volta de novas invasões. Diante do esquema, o MPF denunciou à Justiça os empresários e operadores Alessandro Saccoman Torrente, Filipe José da Silva Galvão, Jidalias dos Anjos Pinto, Nelcides de Almeida Mello, Rodrigo Martins de Mello e Valdeci Aparecido Cardoso. Além dos CPFs, viraram réus as empresas White Solder, Coopertin, Cataratas Poços Artesianos e TARP Táxi Aéreo. O MPF pede uma indenização mínima de R$ 43 milhões por danos materiais e R$ 100 milhões em danos morais coletivos e sociais a serem pagos diretamente ao povo Yanomami. Ariquemes: o nó cego do 'ouro negro' Para entender como o minério extraído ilegalmente de Roraima virou produto de exportação com atestado de conformidade, a reportagem do GLOBO foi para o estado vizinho Rondônia, até o município de Ariquemes. A 200 quilômetros de Porto Velho, o município e o distrito de Bom Futuro — lar da maior lavra a céu aberto de estanho do planeta — não são apenas o pano de fundo da investigação, mas sim o centro operacional e financeiro do esquema desarticulado pela Polícia Federal. A escolha da cidade pela rede criminosa apoiou-se na própria vocação econômica de Rondônia, responsável historicamente por quase metade da produção nacional de estanho. No entroncamento da BR-364 com a BR-421, a poucos quilômetros de distância uma da outra, funcionavam as duas pontas da fraude: no km 1,1, a matriz da Coopertin; mais adiante, quase em frente, a usina da White Solder, locais visitados pela reportagem. O disfarce era “quase” perfeito, dizem os investigadores ao GLOBO. A cassiterita retirada da Terra Indígena Yanomami era misturada ao minério extraído legalmente nas jazidas rondonienses — como na Barragem Massangana 01 — e recebia notas fiscais frias emitidas por cooperados locais para ganhar "passaporte limpo". Ituna-Itatá: Lei estadual no Pará detona nova onda de invasões e ameaça indígenas isolados de genocídio Em Ariquemes também se concentravam os comandos do grupo. Foi na sede da fundidora que a PF apreendeu o celular do sócio Alessandro Torrente, expondo a gestão do frete e o financiamento do garimpo. Na cidade morava o gerente de campo Valdeci Aparecido Cardoso, o "Keké", cujo celular guardava o mapeamento por satélite das frentes na floresta. A cidade sediava ainda a Catiguá, empresa de máquinas de Torrente que alugava escavadeiras para a clareira do Pupunha, e era o endereço de Nelcides de Almeida Mello, veterano da mineração na região há 40 anos. O braço rondoniense não se limitava à cassiterita. Perícias em celulares captaram fotos de barras de ouro de alta pureza fundidas em Boa Vista reaparecendo, 48 horas depois, em um condomínio de luxo em Ariquemes, prontas para entrar no mercado formal. Elas pertenciam, segundo as investigações, a Torrente. Sócio da White Solder, Alessandro Torrente, foi monitorado durante transporte de barras de ouro de Boa Vista (RR) para Ariquemes (RO) Reprodução/PF As barras de Torrente Reprodução/PF Terras raras: a riqueza oculta nos rejeitos Material associado aos rejeitos da separação do estanho analisado na investigação da Polícia Federal Reprodução A ida a Ariquemes e a análise dos laudos da Perícia Federal revelaram um desdobramento ainda mais valioso no rastro da destruição ambiental: a presença de minerais estratégicos de altíssima tecnologia associados à cassiterita. A PF analisou amostras do "rejeito" da separação do estanho e identificou altas concentrações de monazita e ilmenita. A monazita é a principal fonte de elementos de terras raras — como lantânio, cério, neodímio e praseodímio —, além de carregar tório e urânio. E detectou a presença de columbita, mineral do qual se extraem o nióbio e o tântalo, indispensáveis para supercondutores, ligas aeroespaciais e capacitores de ponta. Violência contra povos indígenas dispara com 258 assassinatos e mais de mil mortes de crianças em 2025, aponta relatório As análises por espectrometria confirmaram a presença de Ítrio, terra rara pesada de alto valor. Os peritos constataram que os garimpeiros não descartavam mais essa sobra: utilizando equipamentos como jigues e separadores magnéticos, a rede criminosa passou a "lavar" os antigos rejeitos para concentrar e comercializar esses subprodutos valiosíssimos, acompanhando a corrida global pelos minerais da transição tecnológica. Além de abastecer o mercado global, a cassiterita protagoniza uma virada estratégica no ecossistema do garimpo ilegal na Amazônia, rivalizando em relevância operacional e financeira com o próprio ouro. Ao contrário do metal precioso — cuja extração exige o manuseio complexo do mercúrio e traz maior risco de apreensão —, a cassiterita oferece exploração contínua, previsível e em escala industrial, movimentada a quente por escavadeiras hidráulicas nas frentes de lavra, como verificou o GLOBO no garimpo “Bom Futuro”. Equipamento utilizado em área de exploração de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, garimpo do Pupunha; investigação aponta avanço da mineração em escala industrial Reprodução A matéria-prima bruta dá origem ao estanho refinado, elemento insubstituível na soldagem de microchips, servidores de nuvem, inteligência artificial e tecnologias da transição energética. Cotado na Bolsa de Metais de Londres (LME) em patamares que orbitam os US$ 55 mil por tonelada (cerca de US$ 55 o quilo, equivalente a R$ 250), o chamado "ouro negro" passou a garantir liquidez imediata e escoamento constante ao garimpo. Essa mudança de patamar econômico transformou o minério num dos principais vetores de financiamento do crime organizado na floresta, conectando a infraestrutura predatória em terras indígenas diretamente às cadeias globais de suprimento. Campos Amazônicos No Parque Nacional dos Campos Amazônicos, a devastação provocada pelo garimpo de cassiterita e ouro tomou outro rumo judicial. Um inquérito civil instaurado pelo MPF escancarou o rastro do crime após uma vistoria in loco feita por um procurador da República em agosto de 2024. No local, a fiscalização flagrou acampamentos clandestinos e igarapés destruídos. Imagens do Censipam confirmaram a escala do estrago: 193 hectares de floresta devastados e 15 pistas de pouso ilegais operando no parque e em sua zona de amortecimento. Essas provas foram anexadas à nova Ação Civil Pública protocolada pelo MPF contra a White Solder, a Coopertin e seus sócios para fundamentar a tese de "reiteração delitiva". Para os procuradores, a destruição na unidade de conservação prova que a engrenagem desmantelada na Operação Forja de Hefesto continua ativa e em expansão. Mesmo após os primeiros flagrantes, a fundidora adquiriu mais de 12 mil toneladas de cassiterita da cooperativa entre 2022 e 2024 sem comprovação de origem, escoando o minério da reserva direto pela BR-421 até Ariquemes (RO). Diante da sangria aberta, o MPF pediu uma liminar urgente para obrigar as empresas a comprovarem a origem física e geoespacial de todo o minério sob pena de paralisação imediata das atividades industriais. — A pergunta que fica é como essas toneladas passam dessa maneira de uma ponta à outra até a exportação. Quem foi que ‘fechou os olhos’ para isso é o que precisamos entender — afirma o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mneração (Ibram), Pablo Cesário. O Ser­viço Geo­ló­gico do Bra­sil (SGB), órgão fede­ral ligado ao Minis­té­rio de Minas e Ener­gia, afirma que ainda não há até o momento estu­dos de ras­tre­a­bi­li­dade para cas­si­te­rita como já começa a se desen­vol­ver para o ouro. Espe­ci­a­lis­tas do SGB con­fir­mam o alto poten­cial da pro­vín­cia esta­ní­fera de Ron­dô­nia e pre­sença maciça de ter­ras raras no estado con­si­de­rado “estra­té­gico” para o futuro do país. Especialistas ouvidos pelo GLOBO dizem que a medida mais urgente a ser tomada é a criação de um sistema rastreabilidade das cassiterita e terras raras. — Nós fizemos uma recomendação a diversos órgãos públicos federais para que essa política pública seja implementada com urgência. E apesar da viabilidade científica que nos foi confirmada, não houve nenhuma resposta conclusiva no sentido de que isso será feito. Muito pelo contrário. O que tem sido dito é que, por razões orçamentárias, financeiras, etc. A construção desse projeto no momento não vai ser feita — afirma o procurador Porreca. “Então, podemos dizer que, no Brasil, não há quaisquer mecanismos de rastreabilidade da cassiterita?”, questionou a reportagem. — Absolutamente nenhum — finaliza. Em nota enviada ao GLOBO, a Agência Nacional de Mineração (ANM) admitiu que não existe hoje um sistema nacional de rastreabilidade para a cassiterita capaz de acompanhar o minério da extração à transformação industrial e que cabe também às fundidoras e adquirentes checar a procedência legal e documental do minério. A ANM disse ainda que não comenta investigações em andamento e que a legalidade da cassiterita segue dependendo do cruzamento de notas fiscais, títulos minerários e fiscalizações pontuais. A Amazon afirma não ter relação comercial direta com a White Solder, mas está reforçando as exigências de verificação junto aos fornecedores associados às fundições identificadas no relatório. ‘Continuaremos a trabalhar com eles para fortalecer os mecanismos de auditoria e rastreabilidade.", diz em nota. A The Walt Disney Company Brasil que não foi citada no inquérito mencionado e, portanto, não comentará o conteúdo ou o andamento da investigação. Procuradas, as representantes das multinacionais não se pronunciaram até o fechamento desta reportagem. As defesas dos acusados negaram seus envolvimentos. (Colaborou Jônatas Levi) * A série "Ouro Invisível" — sobre como minerais extraídos ilegalmente da Amazônia abastecem a cadeia global de tecnologia e por que ninguém consegue rastreá-los — conta com o apoio do Instituto Prensa y Sociedad (IPYS) e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).
dlvr.it
September 6, 2026 at 9:34 AM
Ouro invisível: Como a cassiterita ilegal da Amazônia abastece gigantes globais sem deixar rastros
Nas profundezas da Amazônia, o minério que solda os microchips da inteligência artificial, está também na tela do seu celular e impulsiona a transição energética mundo afora tornou-se a nova fronteira do crime organizado na floresta. Documentos sigilosos da Operação Forja de Hefesto, da Polícia Federal, e apurações do Ministério Público Federal (MPF) obtidos com exclusividade pelo GLOBO revelam como a cassiterita — o chamado "ouro negro" do extrativismo — retirada ilegalmente da Terra Indígena Yanomami e do Parque Nacional dos Campos Amazônicos teria abastecido a cadeia de suprimentos de gigantes globais como Apple, Microsoft, Amazon, Walt Disney e Sony, entre outras, como Starbucks, Caterpillar, PepsiCo, Colgate-Palmolive, Victoria’s Secret e até a fabricante do jeans Levi´s. Leia também: Justiça Federal enquadra ANM e estados e exige o fim do uso de mercúrio no garimpo 'legalizado' da Amazônia Uru-Eu-Wau-Wau: bancos públicos financiam fazendeiros que burlam fiscalização em terra indígena com isolados Apontada como uma das maiores produtoras e fornecedoras de estanho e soldas do mundo, a brasileira White Solder, com sede em Ribeirão Preto (SP) e filais em Manaus (AM) e Ariquemes (RO), virou ré na Justiça sob a acusação de liderar um esquema de receptação, refino e "esquentamento" que movimentou ao menos R$ 200 milhões sob o manto de um “compliance verde” de fachada entre os anos 2020 e 2025. Apenas entre maio e agosto de 2021, a contabilidade apreendida pela PF registrou o escoamento de mais de 525 toneladas do minério de maneira ilegal. A cassiterita é a matéria-prima bruta encontrada na natureza, da qual se extrai, após o processo de fundição e refino, o estanho em estado puro. Fábrica da White Solder, em Ariquemes (RO), apontada pelo MPF como parte da estrutura usada no esquema de compra e beneficiamento de cassiterita de origem ilegal. Daniel Biasetto/Agência O GLOBO Ao rivalizar com o ouro tradicional pela liquidez astronômica e facilidade de escoamento em grande escala, a “nova corrida” pelo estanho expõe grandes corporações que ao comprarem centenas de toneladas de estanho refinado acompanhadas apenas por papéis formais e auditorias complacentes financiam, ainda que sob a blindagem da "cegueira deliberada", o ecocídio na Amazônia. MPF apresenta ação contra Agência Nacional de Mineração sobre extração ilegal de ouro em esquema de até R$ 18 bilhões Em Manaus, O GLOBO acompanhou os passos da investigação do MPF que escancarou a fragilidade do compliance internacional. Esta reportagem é a primeira de três da série Ouro Invisível, sobre como minerais extraídos ilegalmente da Amazônia abastecem a cadeia global de tecnologia e joias e por que ninguém consegue rastreá-los. Sede da Coopertin, em Ariquemes (RO), apontada nas investigações como parte da estrutura usada para emitir documentos que davam aparência legal à cassiterita de origem ilegal. Daniel Biasetto/Agência O GLOBO Os procuradores cruzaram os relatórios de auditoria apresentados pela White Solder com a base de dados da SEC — a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. O rastreamento revelou que a fundidora brasileira figurava formalmente como fornecedora ativa de estanho nos balanços de gigantes globais listadas nas Bolsas americanas. Diante da constatação, dez multinacionais com atuação no Brasil foram notificadas na investigação cível por falhas graves em seus mecanismos de due diligence socioambiental e de direitos humanos. Por esse motivo, de forma inédita, o MPF não se limitou a pedir a indenização dos réus na denúncia criminal enviada e aceita pela 4ª Vara Federal de Roraima; os procuradores estabeleceram uma indenização de R$ 1,7 bilhão como caráter pedagógico e reparatório de toda cadeia envolvida por danos ambientais, patrimoniais e morais coletivos decorrentes da extração, do transporte, da industrialização e da comercialização de cassiterita e de ouro ilegalmente lavrados nos territórios protegidos investigador pela Forja de Hefesto, alusão à oficina mítica do deus grego do fogo e da metalurgia. Essa cobrança, explica o procurador André Luiz Porreca, do 2o_ Ofício da Amazônia Ocidental, responsável pelos estados de Roraima, Rondônia e Acre, está baseada em teses jurídicas para dano ambiental como "responsabilidade indireta por poluição" e "responsabilidade objetiva e solidária", onde as empresas não podem se eximir da responsabilidade alegando fraude de terceiros, força maior ou ausência de vínculos corporativos diretos com a refinaria local, em que caberá às grandes empresas de tecnologia demonstrar ativamente a origem limpa e a legitimidade do estanho que compraram. Povos isolados: Mundo tem 196 grupos indígenas não contatados; metade pode desaparecer em 10 anos Apesar de ostentar selos internacionais como o LME Brand, da Bolsa de Metais de Londres, e o aval do Responsible Minerals Initiative (RMI), a White Solder operava sob "cegueira deliberada" e greenwashing, segundo o MPF. Mensagens e documentos apreendidos no celular do sócio-administrador Alessandro Torrente revelaram que a própria fundidora bancava os custos da filial de fachada em Roraima e gerenciava o frete do minério clandestino. Procurada, a White Solder não se manifestou até o fechamento desta reportagem. A origem do esquema Indígenas em estrutura improvisada em área atingida pelo garimpo ilegal Reprodução Em território Yanomami, em Roraima, a extração operava com divisão técnica de trabalho. Nos garimpos do Baixinho e da Pupunha, escavadeiras e bombas eram operadas por grupos organizados: raizeiros limpavam a vegetação, jateiros construíam estruturas de contenção e maraqueiros operavam a sucção do sedimento. Na coordenação de campo, executores como Valdeci Aparecido Cardoso, garimpeiro conhecido como “Keké”, organizavam as equipes e prestavam contas diárias do volume extraído a financiadores e sócios da operação, entre eles Jidalias dos Anjos Pinto, o "Tiziu", (ex-deputado estadual) e Felipe José da Silva Galvão, que atuava como piloto de aeronave. A estrutura contava com logística própria de aviação clandestina, operando a partir de pistas abertas na floresta, além do uso de mercúrio no garimpo de ouro associado. O passo seguinte era legalizar o produto. A cassiterita recolhida pelo intermediário Nelcides de Almeida Mello (morto no mês passado em acidente de trânsito) era registrada com papéis falsos fornecidos pela Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin). A cooperativa mantinha uma sede em Boa Vista sem atividade operacional ou funcionários, mas emitia guias e notas fiscais para simular que o minério vinha de lavras autorizadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Do total movimentado pela cooperativa em um período de cinco meses, R$ 166,3 milhões vieram da White Solder. De acordo com as investigações, o destino quase exclusivo da cassiterita era a White Solder, que respondeu por 97,6% dos créditos da cooperativa no período. Povos isolados: expedição rastreia indígenas kawahiva no maior território não demarcado da Amazônia Após chegar aos altos fornos da refinadora, em Rondônia, a cassiterita era convertida em lingotes de alta pureza. O processo industrial elimina as características físicas de origem do produto. Com documentação regularizada no papel e selos de conformidade, o estanho entrava no mercado internacional. Estrutura improvisada de apoio ao garimpo em área de exploração na Amazônia. Reprodução A estrutura contava com logı́stica própria de aviação clandestina, operando a partir de pistas abertas na floresta, além do uso de mercúrio no garimpo de ouro associado. O rastro da exploração deixou vegetação nativa destruída em terras da União e uma contaminação sem qualquer plano de recuperação — danos ambiental e social cujos impactos persistem até hoje. Segundo Dario Kopenawa, presidente da Associação Hutukara Yanomami, os garimpeiros ainda seguem por lá, e hoje a corrida pela cassiterita vem puxando a devastação. — Até três, quatro anos atrás, nós não tínhamos noção de que a procura por cassiterita estava forte. Agora só se fala nisso aqui — afirma ao GLOBO. Kopenawa afirma que mesmo após as operações de desintrusão, o garimpo ilegal diminuiu, mas a “corrida pela cassiterita” está trazendo a volta de novas invasões. Diante do esquema, o MPF denunciou à Justiça os empresários e operadores Alessandro Saccoman Torrente, Filipe José da Silva Galvão, Jidalias dos Anjos Pinto, Nelcides de Almeida Mello, Rodrigo Martins de Mello e Valdeci Aparecido Cardoso. Além dos CPFs, viraram réus as empresas White Solder, Coopertin, Cataratas Poços Artesianos e TARP Táxi Aéreo. O MPF pede uma indenização mínima de R$ 43 milhões por danos materiais e R$ 100 milhões em danos morais coletivos e sociais a serem pagos diretamente ao povo Yanomami. Ariquemes: o nó cego do 'ouro negro' Para entender como o minério extraído ilegalmente de Roraima virou produto de exportação com atestado de conformidade, a reportagem do GLOBO foi para o estado vizinho Rondônia, até o município de Ariquemes. A 200 quilômetros de Porto Velho, o município e o distrito de Bom Futuro — lar da maior lavra a céu aberto de estanho do planeta — não são apenas o pano de fundo da investigação, mas sim o centro operacional e financeiro do esquema desarticulado pela Polícia Federal. A escolha da cidade pela rede criminosa apoiou-se na própria vocação econômica de Rondônia, responsável historicamente por quase metade da produção nacional de estanho. No entroncamento da BR-364 com a BR-421, a poucos quilômetros de distância uma da outra, funcionavam as duas pontas da fraude: no km 1,1, a matriz da Coopertin; mais adiante, quase em frente, a usina da White Solder, locais visitados pela reportagem. O disfarce era “quase” perfeito, dizem os investigadores ao GLOBO. A cassiterita retirada da Terra Indígena Yanomami era misturada ao minério extraído legalmente nas jazidas rondonienses — como na Barragem Massangana 01 — e recebia notas fiscais frias emitidas por cooperados locais para ganhar "passaporte limpo". Ituna-Itatá: Lei estadual no Pará detona nova onda de invasões e ameaça indígenas isolados de genocídio Em Ariquemes também se concentravam os comandos do grupo. Foi na sede da fundidora que a PF apreendeu o celular do sócio Alessandro Torrente, expondo a gestão do frete e o financiamento do garimpo. Na cidade morava o gerente de campo Valdeci Aparecido Cardoso, o "Keké", cujo celular guardava o mapeamento por satélite das frentes na floresta. A cidade sediava ainda a Catiguá, empresa de máquinas de Torrente que alugava escavadeiras para a clareira do Pupunha, e era o endereço de Nelcides de Almeida Mello, veterano da mineração na região há 40 anos. O braço rondoniense não se limitava à cassiterita. Perícias em celulares captaram fotos de barras de ouro de alta pureza fundidas em Boa Vista reaparecendo, 48 horas depois, em um condomínio de luxo em Ariquemes, prontas para entrar no mercado formal. Elas pertenciam, segundo as investigações, a Torrente. Terras raras: a riqueza oculta nos rejeitos Material associado aos rejeitos da separação do estanho analisado na investigação da Polícia Federal Reprodução A ida a Ariquemes e a análise dos laudos da Perícia Federal revelaram um desdobramento ainda mais valioso no rastro da destruição ambiental: a presença de minerais estratégicos de altíssima tecnologia associados à cassiterita. A PF analisou amostras do "rejeito" da separação do estanho e identificou altas concentrações de monazita e ilmenita. A monazita é a principal fonte de elementos de terras raras — como lantânio, cério, neodímio e praseodímio —, além de carregar tório e urânio. E detectou a presença de columbita, mineral do qual se extraem o nióbio e o tântalo, indispensáveis para supercondutores, ligas aeroespaciais e capacitores de ponta. Violência contra povos indígenas dispara com 258 assassinatos e mais de mil mortes de crianças em 2025, aponta relatório As análises por espectrometria confirmaram a presença de Ítrio, terra rara pesada de alto valor. Os peritos constataram que os garimpeiros não descartavam mais essa sobra: utilizando equipamentos como jigues e separadores magnéticos, a rede criminosa passou a "lavar" os antigos rejeitos para concentrar e comercializar esses subprodutos valiosíssimos, acompanhando a corrida global pelos minerais da transição tecnológica. Além de abastecer o mercado global, a cassiterita protagoniza uma virada estratégica no ecossistema do garimpo ilegal na Amazônia, rivalizando em relevância operacional e financeira com o próprio ouro. Ao contrário do metal precioso — cuja extração exige o manuseio complexo do mercúrio e traz maior risco de apreensão —, a cassiterita oferece exploração contínua, previsível e em escala industrial, movimentada a quente por escavadeiras hidráulicas nas frentes de lavra, como verificou o GLOBO no garimpo “Bom Futuro”. Equipamento utilizado em área de exploração de cassiterita na Amazônia; investigação aponta avanço da mineração em escala industrial Reprodução A matéria-prima bruta dá origem ao estanho refinado, elemento insubstituível na soldagem de microchips, servidores de nuvem, inteligência artificial e tecnologias da transição energética. Cotado na Bolsa de Metais de Londres (LME) em patamares que orbitam os US$ 55 mil por tonelada (cerca de US$ 55 o quilo, equivalente a R$ 250), o chamado "ouro negro" passou a garantir liquidez imediata e escoamento constante ao garimpo. Essa mudança de patamar econômico transformou o minério num dos principais vetores de financiamento do crime organizado na floresta, conectando a infraestrutura predatória em terras indígenas diretamente às cadeias globais de suprimento. Campos Amazônicos No Parque Nacional dos Campos Amazônicos, a devastação provocada pelo garimpo de cassiterita e ouro tomou outro rumo judicial. Um inquérito civil instaurado pelo MPF escancarou o rastro do crime após uma vistoria in loco feita por um procurador da República em agosto de 2024. No local, a fiscalização flagrou acampamentos clandestinos e igarapés destruídos. Imagens do Censipam confirmaram a escala do estrago: 193 hectares de floresta devastados e 15 pistas de pouso ilegais operando no parque e em sua zona de amortecimento. Essas provas foram anexadas à nova Ação Civil Pública protocolada pelo MPF contra a White Solder, a Coopertin e seus sócios para fundamentar a tese de "reiteração delitiva". Para os procuradores, a destruição na unidade de conservação prova que a engrenagem desmantelada na Operação Forja de Hefesto continua ativa e em expansão. Mesmo após os primeiros flagrantes, a fundidora adquiriu mais de 12 mil toneladas de cassiterita da cooperativa entre 2022 e 2024 sem comprovação de origem, escoando o minério da reserva direto pela BR-421 até Ariquemes (RO). Diante da sangria aberta, o MPF pediu uma liminar urgente para obrigar as empresas a comprovarem a origem física e geoespacial de todo o minério sob pena de paralisação imediata das atividades industriais. — A pergunta que fica é como essas toneladas passam dessa maneira de uma ponta à outra até a exportação. Quem foi que ‘fechou os olhos’ para isso é o que precisamos entender — afirma o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mneração (Ibram), Pablo Cesário. Especialistas ouvidos pelo GLOBO dizem que a medida mais urgente a ser tomada é a criação de um sistema rastreabilidade das cassiterita e terras raras. — Nós fizemos uma recomendação a diversos órgãos públicos federais para que essa política pública seja implementada com urgência. E apesar da viabilidade científica que nos foi confirmada, não houve nenhuma resposta conclusiva no sentido de que isso será feito. Muito pelo contrário. O que tem sido dito é que, por razões orçamentárias, financeiras, etc. A construção desse projeto no momento não vai ser feita — afirma o procurador Porreca. “Então, podemos dizer que, no Brasil, não há quaisquer mecanismos de rastreabilidade da cassiterita?”, questionou a reportagem. — Absolutamente nenhum — finaliza. Em nota enviada ao GLOBO, a Agência Nacional de Mineração (ANM) admitiu que não existe hoje um sistema nacional de rastreabilidade para a cassiterita capaz de acompanhar o minério da extração à transformação industrial e que cabe também às fundidoras e adquirentes checar a procedência legal e documental do minério. A ANM disse ainda que não comenta investigações em andamento e que a legalidade da cassiterita segue dependendo do cruzamento de notas fiscais, títulos minerários e fiscalizações pontuais. A Amazon afirma não ter relação comercial direta com a White Solder, mas está reforçando as exigências de verificação junto aos fornecedores associados às fundições identificadas no relatório. ‘Continuaremos a trabalhar com eles para fortalecer os mecanismos de auditoria e rastreabilidade.", diz em nota. A The Walt Disney Company Brasil que não foi citada no inquérito mencionado e, portanto, não comentará o conteúdo ou o andamento da investigação. Procuradas, as representantes das multinacionais não se pronunciaram até o fechamento desta reportagem. As defesas dos acusados negaram seus envolvimentos. (Colaborou Jônatas Levi) * A série "Ouro Invisível" — sobre como minerais extraídos ilegalmente da Amazônia abastecem a cadeia global de tecnologia e por que ninguém consegue rastreá-los — conta com o apoio do Instituto Prensa y Sociedad (IPYS) e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).
oglobo.globo.com
September 6, 2026 at 8:24 AM
Detalhe pouco falado: Nikolas, deputado federal de MINAS Gerais, tava praticando aquele ato nada republicano com o banqueiro picareta em torno de MINERAÇÃO! Tem que acabar essa porra de extrativismo pra fornecimento de materia prima barata, ainda estamos no Brasil colônia em pleno 2026?!?
September 3, 2026 at 2:40 PM
"Os "novos colonialismos" – seja o extrativismo predatório, a financeirização da natureza,a invasão de territórios tradicionais por grandes empreendimentos ou a imposição cultural e econômica por meio da idolatria do mercado e endividamento dos povos – são impérios modernos com pés de ferro e barro"
Profeta Daniel: Todo império cai e há luz no meio do túnel. Por Gilvander Moreira - Combate Racismo Ambiental
Continuando nossa reflexão sobre o Livro de Daniel, dedicado ao mês da Bíblia – Setembro – em 2026, nos dedicamos especificamente aos dois primeiros capítulos de Daniel (Dn 1 e 2), onde se narra o con...
racismoambiental.net.br
September 1, 2026 at 7:16 PM
Existe razão para contracionismo no cenário atual? Estamos num momento de sobreaquecimento econômico? Tem boom de commodities, aceleração de extrativismo, super-safra ou resultado de um aumento excessivo do investimento no ciclo passado? Não, né? Então, para quê serve travar o BF e cortar gastos?
September 1, 2026 at 2:55 AM
No Brasil, o extrativismo sempre?
Precisamos mudar essa história.
Precisamos mudar o Congresso, começando em 2026.
August 30, 2026 at 3:17 PM