O que é vime? As diferenças para outras fibras naturais e como usar na decoração
Ao contrário do que muitos pensam, o vime não se define como uma planta, mas sim como um método de tecelagem milenar executado com caules flexíveis de arbustos do gênero Salix (os salgueiros). Leve e maleável, a fibra é empregada na produção artesanal de móveis e acessórios desde a Antiguidade — com registros históricos que remontam ao Antigo Egito. "Mesmo sendo tão antigo, continua atual. Isso acontece porque reúne natureza, trabalho manual e textura, três características que têm sido muito valorizadas dentro de casa", opina a arquiteta Patrícia Gava, do escritório Gava Arquitetura. A produção das peças de vime envolve a preparação das fibras até que elas atinjam a flexibilidade ideal para serem trançadas. Após a colheita, os ramos passam por um processo de secagem e tratamento para, em seguida, serem trabalhados manualmente ou com auxílio de ferramentas, criando diferentes tipos de tramas, acabamentos e formatos. Móveis de vime antigos e luminária pendente de palha são do acervo da família, enquanto os quadros pendurados na parede e no pilar de madeira são lembranças de viagem EstudioNY18/Divulgação | Projeto do escritório AW Arquitetura, da arquiteta Ana Lívia Werdine "É justamente esse trabalho manual que dá identidade às peças. A trama nunca fica exatamente igual, e acho que esse é um dos grandes encantos do vime", destaca Patrícia. Leia mais , O vime é um material resistente e bastante maleável, que pode ser encontrado em diferentes tonalidades naturais ou receber acabamentos que ampliam suas possibilidades de uso. O corredor que leva à área social e ao mezanino pelas escadas tem banco de vime, espelho e lanterna, todos da Lili Home Decor Manuel Sá/Divulgação | Projeto do escritório Sertão Arquitetos "A principal diferença do vime está na sua flexibilidade, que permite curvas e peças com desenhos elaborados. Comparado a fibras como palha, junco ou rattan, costuma apresentar uma trama mais delicada e um acabamento refinado", conta a arquiteta Babi Teixeira. Bastante versátil, os delicados trançados do vime podem ser usados na fabricação de mobiliários e variados acessórios decorativos: cestos, luminárias, poltronas, cadeiras, cabeceiras, camas, bancos, mesas auxiliares e espelhos. "Acho interessante perceber que deixou de aparecer apenas como um detalhe decorativo e passou a ocupar também um papel de destaque dentro dos ambientes", diz Patrícia. Neste quarto, mesa lateral de vime do acervo dos proprietários. Objetos da Ça Va Garimpo. Tapete da Casa Formah EstudioNY18/Divulgação | Projeto do escritório AW Arquitetura, da arquiteta Ana Lívia Werdine Quando usar vime na decoração Babi indica o vime sempre que o objetivo for criar cômodos acolhedores e leves. "Funciona muito bem em projetos que buscam adicionar textura e personalidade", fala. "O material combina com madeira, pedras naturais, linho, algodão e plantas, criando composições atemporais." "Isso deixa o ambiente mais interessante, porque conseguimos trabalhar diferentes materiais naturais sem repetir um só linguagem o tempo todo", adiciona Patrícia. Na varanda de 12 m², espécies mediterrâneas, adaptadas à seca e ao vento constante, são cultivadas em cestos de vime para não sobrecarregar a laje Eiji Taninaka/Divulgação | Projeto do paisagista Eiji Taninaka Para a arquiteta do Gava Arquitetura, o vime é ideal para enriquecer a composição, principalmente em projetos neutros, onde as texturas fazem diferença. "Gosto como ele conversa com a madeira. Os dois têm naturalidade, mas cada um traz uma leitura diferente. Hoje, mais do que escolher um único material, procuramos sobrepor texturas e criar camadas. O vime entra muito bem nesse lugar." Ao optar pelo material na decoração, é preciso observar a qualidade da execução, já que a trama, a proporção, o acabamento e o desenho da peça fazem muita diferença no resultado. A cama de vime Gaya, da Muskinha, é um item de charme composto com a marcenaria autoral do escritório André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação | Projeto do escritório Gava Arquitetura De acordo com as profissionais, o vime funciona muito bem em projetos com proposta natural, mediterrânea, praiana, campestre ou rústica, principalmente quando aparece em maior quantidade. "Ao mesmo tempo, gosto de utilizá-lo em projetos contemporâneos, justamente para equilibrar linhas retas e materiais industriais. Também funciona em ambientes clássicos, com mobiliário de desenho tradicional e peças robustas", opina Patrícia. "Nesses casos, o vime traz um contraste muito interessante. O segredo não está no estilo do projeto, mas na proporção em que o material é utilizado." A área de jantar comporta uma mesa de seis lugares com cadeiras da Dü Design e pendentes de vime da Casa 44 Lilia Mendel/Divulgação | Projeto da arquiteta Isabella Lucena Apelo sustentável Para as arquitetas, o vime pode ser considerado uma opção sustentável de decoração — desde que a matéria-prima tenha origem responsável — por se tratar de uma fibra natural e renovável. "Além disso, sua produção artesanal costuma valorizar técnicas tradicionais e contribuir para a geração de renda", analisa Babi. Na opinião de Patrícia, o vime tem características que fazem sentido dentro da lógica de consumo consciente. Mas, para ela, a sua sustentabilidade também passa pela durabilidade do material. "Gosto de pensar em peças que permaneçam por muitos anos e que não precisem ser substituídas a cada mudança de tendência. É uma forma importante de olhar para a sustentabilidade", pontua. A poltrona Franccino está sobre o tapete de vime circular da Rosa Kochen, que também forneceu a mesa de apoio. Luminária pendente de vime caxambu da Retrobel Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Falchi/Divulgação | Projeto do escritTravessa Arquitetura Vime natural e sintético? O vime natural é um material mais nobre, produzido a partir das próprias fibras vegetais dos arbustos do gênero Salix. Já o vime sintético é fabricado com fibras de resina ou polietileno, sendo uma boa opção para áreas externas. Leia mais "O natural preserva todas as características da fibra, como textura, nuances de cor e envelhecimento ao longo do tempo. Já o sintético costuma ser especificado quando a peça ficará em áreas externas, porque oferece maior resistência ao sol e à chuva", explica Patrícia. Sob a cobertura metálica com biribas, fornecida pelo responsável pela obra, está a mesa de madeira maciça da Arboreal, rodeada por cadeiras de vime da Vimoso Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Falchi/Divulgação | Projeto do escritório Escala Arquitetura | Paisagismo assinado pela paisagista Maritza Orleans e Bragança Isso porque, por ser um material natural, o vime pode se deteriorar facilmente em ambientes expostos constantemente à chuva, sol intenso ou alta umidade, condições que comprometem a sua durabilidade. Nestas situações, na avaliação das arquitetas, faz mais sentido utilizar versões sintéticas ou outros materiais resistentes. Cuidados com móveis e acessórios de vime A manutenção dos móveis e acessórios de vime costuma ser bastante simples. "O ideal é retirar o pó regularmente com um pano seco, espanador ou aspirador com escova macia", ensina Patrícia. Neste quarto, mesa lateral de vime da Artefacto Beach and Country. Escultura de Monica Carvalho MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Escala Arquitetura "Também é importante evitar exposição prolongada ao sol e à umidade, além de manter o material em locais bem ventilados para preservar sua aparência e durabilidade", acrescenta Babi.