Câmeras já ajudaram a prender 903 no Espírito Santo
Coronel Leandro Menezes explica que a utilização da tecnologia mudou a forma de localizar foragidos | Foto: Fábio Nunes/AT - 13/10/2025 O uso do reconhecimento facial pelas forças de segurança do Espírito Santo já auxiliou na prisão de 903 pessoas desde junho de 2025. O recurso é utilizado para identificar, por meio de câmeras, pessoas com mandados de prisão em aberto.Após o alerta, policiais fazem a abordagem e confirmam a identidade antes do cumprimento da ordem judicial. Somente entre 0h00 e 16h30 de quinta-feira (24), câmeras captaram e analisaram 1.233.000 faces.Segundo o coordenador do Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR) do Ciodes, coronel Leandro Menezes, o reconhecimento facial também é usado em outros contextos, como na localização de pessoas desaparecidas e no fornecimento de imagens para investigações criminais.O coronel explica que a tecnologia mudou a forma de localizar foragidos. Em vez de mobilizar grandes efetivos para procurar uma pessoa em um endereço, o sistema pode identificá-la durante a circulação por locais monitorados.“Para a polícia agora eu tenho esse criminoso que está circulando e passa diante de uma câmera nossa e as câmeras fazem a identificação dele. No nosso caso, o critério para determinar alguém para uma abordagem é 90% de similaridade. E depois que o alerta chega para a gente, eu preciso da tecnologia para dar retaguarda e preciso do policial, do agente de segurança na ponta para confirmar aquela identificação.”O sistema não determina sozinho a prisão. De acordo com o coronel, a tecnologia funciona como apoio ao trabalho policial e a confirmação humana é necessária para evitar abordagens baseadas apenas em uma correspondência de imagem. O índice de 90% é utilizado como referência para as abordagens relacionadas a mandados.Para o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, o resultado demonstra como o investimento em tecnologia pode ampliar a capacidade de atuação das forças de segurança.“Ultrapassar a marca de 900 detenções com o auxílio do reconhecimento facial mostra como a tecnologia pode ser uma importante aliada do trabalho policial. Estamos utilizando inteligência, integração e ferramentas modernas para localizar pessoas que possuem mandados de prisão em aberto e contribuir para que sejam apresentadas à Justiça”, pontuou o secretário.Mulher condenada é presa de número 900 Margarida estava no terminal | Foto: Divulgação/SESP A prisão de número 900 realizada com o auxílio do reconhecimento facial no Espírito Santo foi de uma mulher. Margarida Floriano da Silva, de 35 anos, foi localizada na última terça-feira no Terminal de Itaparica, em Vila Velha. Ela tinha um mandado expedido pela 2ª Vara Criminal de São Mateus após condenação por lesão corporal, roubo e furto qualificado.A mulher foi identificada pelas câmeras enquanto circulava pelo terminal. O Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR) acionou policiais militares que participavam da Operação Terminal Seguro. Após a checagem da identidade, Margarida foi conduzida à Delegacia Regional de Vila Velha, onde o mandado foi cumprido.No balanço do NIR, o tráfico de drogas aparece entre os principais motivos das prisões realizadas com o auxílio do reconhecimento facial. Desde junho de 2025, foram registrados 25 casos de prisão de mulheres por tráfico de drogas, segundo o levantamento do coronel Leandro Menezes.Saiba Mais Tráfico lidera ranking de prisõesPrincipais ocorrências Totem possui câmeras | Foto: Kadidja Fernandes/AT - 28/07/2025 Entre as 903 prisões, o tráfico de drogas aparece com 186 casos, seguido por roubo, com 172, e homicídio, com 103.Também foram identificadas 36 pessoas procuradas por estupro e 49 por furto.O painel registra ainda 241 detenções relacionadas à pensão alimentícia, entre outros crimes.TecnologiaA tecnologia também está integrada ao monitoramento do transporte coletivo.Mais de mil ônibus da Grande Vitória já possuem câmeras, segundo o coronel, e a redução dos roubos no sistema chegou a 85% entre 2024 e 2026, conforme dado citado por ele.MonitoramentoPara o coordenador do NIR, coronel Leandro Menezes, a ampliação do monitoramento cria áreas com presença permanente do poder público, mesmo sem viatura no local.“Onde eu tenho o Estado presente ali de forma virtual, de forma eletrônica, eu tenho mais segurança”.