Flávio diz que usará maioria no Senado e na Câmara para ‘mudar a Constituição’
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira que pretende usar a nova composição do Congresso para promover mudanças na Constituição. Durante ato em Goiânia ao lado do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), que declarou apoio à sua candidatura no segundo turno, Flávio disse que terá maioria no Senado e na Câmara para “mudar a Constituição” e “redemocratizar o país”.
— Temos maioria no Senado e na Câmara para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar o país — afirmou.
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Flávio não deu detalhes sobre quais mudanças pretende fazer no texto constitucional nem quais propostas seriam apresentadas caso seja eleito.
Flávio terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. O segundo turno está marcado para o dia 25 de outubro.
A declaração ocorre após uma forte expansão da direita no Congresso nas eleições de domingo. O PL, partido de Flávio, terá as maiores bancadas nas duas Casas a partir de 2027. Serão 121 deputados, contra os 99 atuais, e 28 senadores, quase o dobro dos 15 que a sigla tem hoje.
O resultado abre espaço para que o candidato, caso vença o segundo turno, forme uma base mais ampla para aprovar propostas de interesse de sua campanha. Na Câmara, o PL, somado ao Novo, que declarou apoio a Flávio, parte de um bloco de 131 deputados. Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), no entanto, são necessários 308 votos, o equivalente a três quintos da Casa em dois turnos.
A avaliação entre parlamentares é que Flávio precisaria atrair uma parcela significativa das bancadas de partidos de centro e do Centrão para alcançar esse número. Entre as siglas que podem ser alvo dessa articulação estão União-PP, Republicanos, PSD, MDB e Podemos, além de partidos menores como PSDB, PRD, Solidariedade e Avante.
No Senado, a correlação de forças é mais favorável à oposição de direita. A nova composição da Casa terá 28 senadores do PL, além de parlamentares de outras siglas que adotaram pautas alinhadas ao bolsonarismo. A expectativa entre integrantes desse campo político é de que exista uma maioria suficiente para aprovar mudanças constitucionais.
A eleição também ampliou a chamada bancada do impeachment, que reúne senadores favoráveis à abertura de processos contra ministros do Supremo Tribunal Federal. O grupo deve chegar a 49 integrantes, segundo levantamento publicado pelo GLOBO. O número, porém, ainda fica abaixo dos 54 votos necessários para aprovar o impeachment de um ministro do STF, conforme decisão liminar do ministro Gilmar Mendes.
A ampliação da bancada do PL também terá impacto na disputa pelo comando do Congresso. A legenda pretende lançar um candidato próprio à Presidência do Senado contra Davi Alcolumbre (União-AP). O nome mais cotado é o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio e apontado pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, como candidato da sigla.
Na Câmara, a expansão da direita também deve influenciar a disputa pela sucessão de Hugo Motta (Republicanos-PB). A composição da Casa deverá aumentar a pressão para que os partidos de centro negociem com o grupo político de Flávio.
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