6 dicas de treinadores profissionais para evitar lesões em qualquer tipo de corrida
Correr pode beneficiar seu sistema cardiovascular e sua saúde mental. Mas, sem alguns cuidados, também pode causar dores e incômodos. — Correr é realmente implacável — disse Carlin Senter, chefe do serviço de medicina esportiva de atenção primária da Universidade da Califórnia, em São Francisco —Você pode sair com alguma fraqueza ou lesão. Como a corrida exerce muita pressão sobre o corpo, o risco de se machucar é maior. Um estudo realizado em 2024 com 1.049 corredores inscritos na Maratona de Nova York revelou que mais de 40% sofreram lesões durante o treinamento ou na própria corrida. Pedimos a médicos do esporte, fisioterapeutas e treinadores que compartilhassem os hábitos que gostariam que todos os corredores praticassem para evitar lesões. Aqui estão seis estratégias que eles consideram essenciais. Aumente a quilometragem gradualmente Muitas lesões na corrida acontecem quando você se esforça demais ou muito cedo. Um programa de treinamento lento e constante aumenta sua resistência e o que seu corpo pode tolerar com segurança, disse Stuart Warden, professor de fisioterapia da Universidade de Indiana em Indianápolis. Como regra geral, evite grandes aumentos no treinamento. Procure aumentar sua quilometragem semanal total em no máximo 10% a 20% e considere alternar semanas de treinamento intenso com semanas mais leves, de descanso, disse Warden. Se você está se preparando para uma maratona, reserve pelo menos 12 a 16 semanas de treinamento — ou mais, se você for iniciante na corrida — para ajudar seu corpo a se adaptar às exigências do aumento da atividade física, disseram os especialistas. Mantenha suas corridas fáceis, fáceis mesmo O treinamento para uma maratona pode ser intenso, mas nem todo treino precisa ser, afirma Pamela Geisel, treinadora de corrida e fisiologista do exercício no Hospital for Special Surgery, em Nova York. A maioria das suas corridas longas deve ser feita em um ritmo realmente leve, explica ela. — Nós gritamos isso aos quatro ventos, mas os corredores ainda têm dificuldade em diminuir o ritmo — acrescentou ela. Corridas longas e leves são importantes para desenvolver a resistência aeróbica. Elas também treinam o corpo a usar a gordura como fonte de energia em vez de carboidratos, o que pode ajudar a evitar a fadiga excessiva ao percorrer distâncias maiores. Segundo Geisel, alguns corredores sentem pressão para acelerar o ritmo quando treinam em grupo ou com um clube de corrida. Aplicativos de fitness que permitem registrar e compartilhar treinos também podem fazer com que alguns corredores se sintam competitivos com os outros — ou consigo mesmos. — Essa informação pública, embora possa servir de motivação, também pode criar essa necessidade de acompanhar os outros — disse ela. Em corridas leves, você deve conseguir conversar sem ficar sem fôlego. — Tipo, ligue para sua mãe — disse. Priorize o descanso Corredores devem ser disciplinados em relação ao descanso, disse Becs Gentry, maratonista de elite e treinadora da Peloton. — O descanso é extremamente subestimado, pouco discutido e pouco valorizado no mundo do fitness — afirmou. O período de inatividade é importante para o desenvolvimento da força. — A mágica realmente acontece nesses dias de recuperação. Aplicamos um estresse e, então, o corpo se recupera até atingir um nível basal mais elevado — afirmou Geisel. Segundo a treinadora, fazer recados e alongar-se nos dias de recuperação não tem problema, mas evite, por exemplo, aulas de dança aeróbica ou de Pilates muito intensas. Priorize o sono, especialmente nos dois meses que antecedem uma maratona, quando as lesões durante o treinamento são mais comuns, disse Adam Tenforde, médico de medicina esportiva do Mass General Brigham. O sono ajuda os músculos e ossos a se recuperarem e alguns estudos sugerem que ele também pode afetar o desempenho, afirmou. Treino de força Correr, por si só, não desenvolve muita massa muscular. — Você ficaria surpreso com a quantidade de corredores fracos —disse Warden — Eles conseguem correr rápido, conseguem correr longas distâncias, mas quando você testa a força deles, eles são relativamente fracos. Segundo ele, muitas lesões na corrida decorrem de fraqueza muscular e desequilíbrios de força, já que outros músculos ou tendões tentam compensar e acabam sobrecarregados. O treinamento de força pode ajudar a corrigir esses desequilíbrios. Também pode ajudar você a correr com mais eficiência, disse Geisel. Especialistas recomendam focar nos grupos musculares que você mais utiliza como corredor: pernas e glúteos, além do core, que ajuda a manter o corpo ereto e estabiliza toda a sua estrutura. Exercícios como agachamentos, afundos, levantamento terra romeno, ponte de glúteos, pranchas e pranchas laterais trabalham todas essas áreas. Mantenha seu plano de treinamento de força simples, disse Geisel: Escolha alguns exercícios que você goste, faça-os pelo menos duas vezes por semana e certifique-se de se desafiar continuamente, aumentando o peso que você levanta ou a dificuldade da sua rotina. Não ignore a dor A maioria dos corredores já passou por isso: você está se aproximando dos seus objetivos na corrida, quando começa a sentir uma dor persistente, ou talvez até uma pontada aguda. Você espera que passe, mas ela continua voltando. É aí que podem ocorrer ferimentos graves, disse Geisel. — Às vezes, tentamos fingir que nada está acontecendo —disse Geisel. Mas é importante tratar a dor logo no início, antes que ela altere a sua marcha. Quanto mais tempo se espera, mais desafiador o tratamento e a recuperação podem se tornar. Se sentir dores persistentes ou que pioram durante o treino, procure um especialista em medicina esportiva o mais rápido possível, disseram os especialistas. Use seu rastreador de atividades físicas como uma ferramenta, não como um treinador Os rastreadores e aplicativos de atividades físicas podem ser úteis para monitorar fatores como frequência cardíaca, distância percorrida e padrões de saúde ao longo do tempo. No entanto, muitos corredores dependem demais deles, segundo especialistas. Segundo Tenforde, a tecnologia de corrida não consegue levar em consideração o quadro completo, incluindo clima quente ou frio, terreno irregular ou estresse da vida cotidiana. Alguns corredores se fixam no que muitos aplicativos de monitoramento de atividades físicas chamam de "pontuação de prontidão", que supostamente determina o nível de esforço a ser feito com base na fadiga e na qualidade do sono. Mas, segundo Geisel, geralmente é melhor ajustar o treino de acordo com como você se sente. Além disso, treinar mesmo quando as condições não são ideais pode ser muito vantajoso, acrescentou ela. Gentry, que tira o relógio assim que chega em casa depois de correr, concordou. — A melhor coisa que você pode fazer pelo seu corpo é poder ouvi-lo — disse a maratonista.