Meta diz que novo Muse atinge 'fronteira da IA' e vai desenvolver versões para serem adotadas em escala massiva
A Meta, dona de Instagram, Facebook e WhatsApp, lançou na segunda-feira um modelo de inteligência artificial (IA) há muito aguardado, um marco que testará se seus esforços multibilionários para reconstruir sua estrutura de IA melhoraram sua tecnologia o suficiente para competir entre os líderes.
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Conhecido como Muse Wonder, o novo modelo é o mais capaz da empresa desde que o diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, reformulou sua operação de IA por meio de uma campanha agressiva de contratações, com a chegada de novos talentos ao comando dessa área.
A empresa afirma que o modelo, apelidado internamente de "Watermelon" (melancia), representa um grande salto em relação a suas versões anteriores, com "capacidades de fronteira", ou seja, de maior inovação na atualidade, que, segundo a liderança, o colocam no mesmo patamar do ChatGPT da OpenAI e do Claude da Anthropic no que diz respeito à programação ou à resolução de questões financeiras e jurídicas.
Zuckerberg recusa desaceleração
Em entrevista ao Financial Times, Zuckerberg diz que não vai pisar no freio nos avanços em modelos agênticos de IA, e minimizou alertas de que essa tecnologia pode estar avançando de forma tão acelerada que arrisca sair do controle humano.
O bilionário dona da Meta também não falou sobre sua visão em estimativas sobre a probabilidade de a IA provocar destruição em massa, sob o argumento de que cada laboratório deve garantir a segurança de seus modelos.
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Zuckerberg já havia recusado, anteriormente, apelos de altos executivos do setor, a exemplo de Dario Demodei, da Antrhopic, e Sam Altman, da OpenAi, de fazer uma "desaceleração" orquestrada no desenvolvimento de IA.
Comparação difícil
Pode ser difícil comparar modelos de IA, já que alguns são melhores em certas tarefas e piores em outras, e os parâmetros de avaliação (benchmarking) podem ser manipulados e não refletem necessariamente o desempenho da tecnologia no mundo real.
No entanto, se as afirmações da Meta resistirem a testes externos e o Muse Wonder ganhar tração entre pesquisadores e desenvolvedores, isso marcará uma reviravolta significativa para a empresa, cujos modelos do ano passado passaram despercebidos no Vale do Silício.
— Estes são verdadeiros modelos de fronteira — disse o chefe de IA da Meta, Alexandr Wang, em uma entrevista na segunda-feira. — Nós realmente acreditamos que eles são competitivos com os melhores modelos disponíveis e estão particularmente na vanguarda do trabalho agêntico pessoal e profissional.
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As ações da Meta subiram até 4,7% com o anúncio. Os papéis acumulam alta de quase 9% este ano até o fechamento de sexta-feira.
Ao longo do último ano e meio, Zuckerberg reorientou os esforços da empresa para avançar na corrida da inteligência artificial, o que incluiu o compromisso de investir centenas de bilhões de dólares para construir a infraestrutura necessária para dar suporte aos modelos de inteligência artificial agêntica, além de recrutar Wang para liderar a nova unidade de IA como parte de um investimento de US$ 14 bilhões na Scale AI.
Para Wang, o lançamento do Muse Wonder representa o ápice desse esforço:
—Este é o grande momento — afirmou.
Wang acrescentou que a Meta tentou se diferenciar dos concorrentes ao focar em grandes modelos para usos amplos de consumo. No mês passado, a empresa revelou um agente de IA pessoal conhecido como Muse, projetado para ajudar com tarefas e recados cotidianos. O novo modelo em breve alimentará a versão de assinatura desse aplicativo.
— Acho que o restante do ecossistema tem focado muito em agentes de programação — disse Wang. — Nós realmente acreditamos que adotamos um foco diferenciado para fazer com que o caso de uso do agente pessoal funcione de verdade.
Parte desse esforço consistiu em criar as chamadas capacidades de memória ativa e foco ativo, que permitem que um agente de IA se lembre de informações relevantes sobre um usuário ao longo do tempo e continue trabalhando quando as tarefas se tornarem cada vez mais difíceis. Wang afirmou que o Muse Wonder pode reter informações por “dias, semanas, meses”, para que os usuários não precisem se explicar novamente.
Seu agente também será capaz de tentar novas táticas quando encontrar problemas ou becos sem saída. O resultado, segundo Wang, é que o agente de IA de consumo da Meta poderá lidar com tarefas mais complexas e até “ambíguas”, além de solicitações simples.
'Olhando além do Muse'
Wang e sua equipe no Meta Superintelligence Labs já estão olhando além do Muse Wonder. Ele disse que o MSL começou a trabalhar em “modelos maiores e em maior escala”. Ao mesmo tempo, a equipe está tentando reduzir o custo de disponibilizar essa tecnologia para bilhões de pessoas.
O Muse Wonder é maior e mais caro de operar do que os modelos menores Muse Spark da Meta, disse Wang, razão pela qual a empresa já está desenvolvendo versões especializadas que espera que retenham grande parte das capacidades do Wonder, sendo eficientes o suficiente para serem implantadas em escala massiva.
Por enquanto, o Muse Wonder está disponível para desenvolvedores por meio da Meta Model API e do Muse Code.
Quando perguntado sobre como convenceria os céticos que ainda duvidam de que a Meta tenha alcançado a fronteira da IA, Wang respondeu que eles deveriam testar o modelo e julgar por si mesmos.
Ele afirmou que não está preocupado com os “haters” (detratores), aos quais se referiu usando um palavrão.