Torcida do São Paulo se arma para agredir suspeitos de furtar fios e relógios
Integrantes da Torcida Independente, do São Paulo, se mobilizaram para agredir dois homens apontados como responsáveis pelo furto de fios e relógios de energia da sede da entidade, no Centro de Campo Grande. A mobilização ocorreu após os suspeitos terem sido identificados por imagens de câmeras de segurança e, segundo o advogado da torcida, um deles ter aparecido novamente nas proximidades do imóvel na noite de quinta-feira (1º). Os furtos aconteceram entre terça e quarta-feira, na Rua Barão do Rio Branco. Conforme o registro, o presidente da torcida é proprietário do imóvel, que está alugado para a Associação da Torcida Independente do São Paulo FC. Ele tomou conhecimento de que o padrão de energia, que contava com dois relógios medidores, havia sido levado. Ao ir até o endereço, confirmou que os dois equipamentos tinham sido furtados. O advogado da torcida, Pablo Arthur Buarque Gusmão, o Paulo Gusmão, explicou que a sede fica em uma região considerada delicada, nas proximidades da antiga rodoviária, onde há presença de usuários de drogas e moradores em situação de rua. “É uma região delicada por conta da ausência de políticas públicas para os usuários de droga lá da antiga rodoviária e também os moradores de rua. A Guarda Municipal e a PM fazem o trabalho deles de maneira incansável lá, só que o pessoal vai voltando, voltando a todo instante e até mesmo o número de pessoas vem aumentando”, afirmou. Segundo ele, a torcida tenta ajudar como pode, inclusive com doação de latinhas e outros auxílios. Nos últimos dias, porém, dois homens passaram a ser apontados como responsáveis por furtos de fios e padrões de energia de imóveis e comércios da região. O primeiro furto foi registrado em boletim de ocorrência. Depois da substituição do padrão e dos fios, os homens teriam retornado e cometido um segundo furto. Com o corte da fiação, as câmeras de segurança da própria torcida foram danificadas ou ficaram sem funcionar. Por isso, os integrantes procuraram um vizinho que possui câmeras de segurança. O morador conseguiu registrar a ação, mas ainda não havia encaminhado o vídeo. Em vez disso, enviou imagens com prints dos dois suspeitos. Na quinta-feira, por volta das 20h, um dos homens voltou a aparecer perto da sede. A presença chamou ainda mais atenção porque ocorria na véspera de um jogo do São Paulo, período em que os integrantes costumam fazer um mutirão para limpar e organizar o espaço. A Torcida Independente é uma associação sem fins lucrativos e não possui funcionários. A manutenção da sede é feita pelos próprios associados, que também ajudam a manter o espaço por meio da venda de produtos no local. Durante o mutirão, um dos integrantes reconheceu o homem pelas imagens e percebeu que ele vestia a mesma roupa registrada nas gravações. O associado então o questionou sobre os furtos e perguntou se ele era a pessoa que aparecia nas imagens. Conforme o relato de Paulo Gusmão, o homem estava exaltado e aparentava estar sob efeito de drogas. Ele teria admitido os furtos, teria se identificado pelo apelido de “Pedrinho” e, em seguida, dito “azar” antes de avançar contra o integrante da torcida. A situação ganhou proporção quando outros moradores em situação de rua se juntaram ao homem. Segundo o advogado, cerca de 15 pessoas ficaram de um lado, enquanto aproximadamente oito integrantes da torcida estavam do outro. A discussão evoluiu para empurrões e correria, com pessoas dos dois grupos correndo umas atrás das outras. O tumulto chegou até a frente de um hospital, onde a equipe de segurança conseguiu separar os envolvidos. A Polícia Militar chegou logo depois e interveio para impedir que a situação evoluísse para uma agressão maior. A maioria dos moradores em situação de rua deixou o local, enquanto os dois homens apontados pelos furtos foram levados para a delegacia. Integrantes da torcida também foram encaminhados para prestar esclarecimentos. Paulo Gusmão esteve na delegacia e afirmou que todos prestaram depoimento e foram liberados. Segundo ele, os dois homens apontados como responsáveis pelos furtos deverão responder pelas ocorrências registradas. O advogado afirmou ainda que os integrantes da torcida estão cansados dos prejuízos causados pelos furtos. Segundo ele, cada ocorrência provocou prejuízo superior a R$ 2 mil. Diante de um novo prejuízo, os integrantes decidiram tentar recuperar o padrão de energia e parte dos fios, que, conforme o relato, ainda não haviam sido vendidos ou trocados por drogas. A tentativa, porém, terminou em uma confusão e na mobilização que poderia resultar em agressões, interrompida com a chegada da Polícia Militar.