#SUSTENTABILIDADE
O umbigo da causa
Antes de uma empresa falar sobre sustentabilidade, o mundo já tem uma representação do que ela faz com o meio ambiente. Antes de uma fundação explicar sua filantropia, já circulam ideias sobre poder econômico, interesse público e influência privada. Antes de uma universidade defender a educação, alunos, famílias e sociedade já construíram suas próprias experiências sobre acesso, excelência, privilégio e oportunidade. Antes de você falar, enfim, o mundo já tem uma versão da sua causa. É a provocação que tenho feito em sala de aula e em outras interações. Comunicar não é preencher um vazio. É entrar em uma disputa de sentidos que começou antes da chegada do comunicado, do vídeo institucional, do relatório ESG, da campanha ou do post nas redes sociais. É disso que trata o umbigo da causa. Toda organização tem um. É aquele núcleo de sentido em torno do qual ela constrói a explicação de sua existência: por que estamos aqui? Que problema ajudamos a resolver? Que valor produzimos para a sociedade? Que mundo defendemos? O problema começa quando a organização se apaixona pelo próprio umbigo. A causa que a organização vê não é necessariamente a causa que o mundo vê Serge Moscovici nos ajuda a compreender esse problema por meio do conceito de representação social: sistemas de valores, ideias e práticas que permitem às pessoas organizar o mundo e compartilhar códigos para nomeá-lo e classificá-lo. Isso tem uma consequência decisiva para a comunicação contemporânea: uma organização não é apenas aquilo que diz que é. Ela também é aquilo que a sociedade consegue representar que ela seja. Uma mineradora pode organizar sua narrativa em torno da transição energética. A sociedade pode enquadrá-la pela memória de barragens, territórios e impactos ambientais. Uma plataforma tecnológica pode falar em conexão, inovação e democratização do conhecimento. Outros atores podem enquadrá-la a partir de desinformação, privacidade, concentração de poder e opacidade algorítmica. Um banco pode falar de inclusão financeira. O cliente endividado pode experimentar juros, tarifas e assimetrias. Uma empresa de alimentos pode narrar nutrição e bem-estar. O contraframe pode falar de ultraprocessados, obesidade, embalagem e resíduos. Uma instituição cultural pode afirmar que preserva memória. Alguém inevitavelmente perguntará: a memória de quem? Quem entrou para o acervo e quem permaneceu fora dele? Não significa que um dos lados detenha toda a verdade. Significa algo mais desconfortável: a representação social é construída na tensão entre diferentes experiências da realidade. Frames: as janelas pelas quais olhamos o mundo É aqui que entram os frames. Um mesmo fato pode produzir mundos narrativos radicalmente diferentes. Uma pessoa em situação de rua pode ser enquadrada como “caso de polícia”, conduzindo a respostas de repressão e remoção; ou como uma questão de “direito à moradia”, mobilizando assistência, habitação e políticas integradas. O enquadramento não muda apenas as palavras: cria expectativas, scripts de ação e atalhos para decisões. Toda empresa faz isso. Toda instituição faz isso. Toda causa faz isso. Escolhemos nomes. Elegemos imagens. Criamos metáforas. Definimos heróis e vítimas. Selecionamos indicadores. Construímos rituais. Repetimos histórias. Há coisas que colocamos sob a luz e outras que deixamos na penumbra. O frame é, portanto, inevitável. O erro está em confundi-lo com a própria realidade. O contraframe talvez esteja dizendo alguma coisa importante Há uma tentação recorrente nas organizações: tratar qualquer narrativa divergente como “problema de comunicação”. Não entenderam nossa causa. Não compreenderam nosso propósito. Precisamos explicar melhor. Precisamos contar melhor nossa história. Talvez. Mas talvez o outro esteja vendo alguma coisa que deixamos fora do enquadramento. Por isso, proponho uma regra particularmente incômoda: o contraframe não é necessariamente falso, nem simplesmente hostil. Ele pode iluminar uma externalidade, uma assimetria ou uma contradição que o frame dominante prefere deixar fora da narrativa. Frame é uma seleção da realidade; contraframe é uma tentativa de selecionar outra parte dela. Vejamos a filantropia empresarial. Seu frame pode ser: recursos privados produzindo valor público. Há abundantes experiências que sustentam essa formulação. Mas existe um contraframe poderoso: quem financia também ganha poder para definir quais problemas merecem ser enfrentados. A questão deixa de ser apenas quanto dinheiro foi investido e passa a ser: quem estabeleceu a prioridade? Quem participou da decisão? Quem fala por quem? Quem presta contas a quem? Esse contraframe não precisa destruir a causa. Pode torná-la melhor. O mesmo vale para a inteligência artificial. Uma empresa pode ancorá-la como tecnologia que “amplia capacidades”. Outros atores poderão representá-la como “robô que tira empregos”. Cada âncora mobiliza emoções, políticas e comportamentos distintos. A comunicação madura começa quando conseguimos olhar para as duas. Do umbigo à metanarrativa É por isso que as organizações precisam retornar às suas metanarrativas. Não estou falando de um slogan mais bonito. Tampouco de uma nova frase de propósito produzida em um workshop. A metanarrativa é a estrutura maior de sentido capaz de responder por que aquela organização existe socialmente e de conferir coerência às inúmeras narrativas que ela produz. É ela que deve conectar história, propósito, práticas, comportamentos, símbolos, rituais, produtos, relações e impactos. Uma empresa que diz existir para melhorar a mobilidade humana precisa conseguir conectar essa metanarrativa ao produto que vende, à cidade que ocupa, ao carbono que emite, às relações de trabalho que estabelece e à experiência concreta de quem convive com suas operações. Uma organização que afirma defender diversidade não pode restringir essa representação às imagens de sua publicidade. A narrativa precisa sobreviver ao organograma, aos salários, às promoções, aos fornecedores e aos espaços reais de poder. Uma instituição que reivindica confiança pública não pode considerar transparência apenas uma política de comunicação. Transparência precisa ser experiência. É nesse ponto que o umbigo deixa de ser narcisismo e se transforma em identidade. O espelho não basta Talvez tenhamos usado durante muito tempo uma metáfora excessivamente confortável para a comunicação: a do espelho. A organização olha para si, organiza sua identidade e procura projetá-la para a sociedade. Hoje isso é insuficiente. Precisamos de janelas. O espelho mostra a narrativa que fazemos sobre nós mesmos. A janela mostra o mundo que responde à nossa narrativa. E, nesse mundo, há movimentos sociais, consumidores, comunidades, empregados, jornalistas, pesquisadores, reguladores, investidores, algoritmos, influenciadores, críticos e cidadãos produzindo continuamente frames e contraframes. A primeira tarefa da comunicação, portanto, talvez não seja falar. É escutar o que já circula. Mapear as representações existentes, identificar quem as sustenta, compreender suas metáforas e localizar as experiências que lhes dão credibilidade. Como proponho aos alunos: escutar o que já circula sobre uma causa é o primeiro ato de comunicação, não o último. Depois, sim, disputar sentidos. Mas disputar não significa gritar mais alto. Significa oferecer uma representação social mais consistente e, sobretudo, sustentá-la na prática. Olhe para o seu umbigo. Depois levante a cabeça. Minha provocação às empresas e instituições é simples. Olhem para o umbigo narrativo de suas causas. Perguntem qual é a metanarrativa que sustenta sua existência. Que representação social estão ajudando a construir. Quais palavras usam para nomear o problema. Que imagens escolhem. Que rituais repetem. Que histórias contam. E quais silenciam. Mas não permaneçam olhando para o próprio umbigo. Levantem a cabeça. Procurem os frames que circulam fora dos muros corporativos. Principalmente os incômodos. Identifiquem os contraframes. Escutem aqueles que não acreditam na narrativa institucional. Perguntem que experiência concreta tornou aquela representação possível. Porque talvez a pergunta mais importante para um comunicador contemporâneo não seja “como podemos comunicar melhor aquilo que fazemos?”. Talvez seja outra: “O que o mundo está dizendo sobre nós que nossa própria narrativa ainda não consegue enxergar?” E há uma pergunta ainda mais difícil. Quando uma organização responde a um contraframe apenas com comunicação, sem modificar a realidade que lhe deu origem, está realmente comunicando, ou apenas defendendo a própria narrativa? Esse é o momento em que a discussão deixa de ser apenas sobre comunicação. E passa a ser sobre legitimidade. (*) Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo).
www.campograndenews.com.br
October 3, 2026 at 1:25 PM
Aumento do preço dos combustíveis ameaça sustentabilidade do transporte aéreo de emergência médica
Aumento do preço dos combustíveis ameaça sustentabilidade do transporte aéreo de emergência médica
Empresa responsável pelos helicópteros de emergência em Portugal solicitou ao Governo a inclusão nos apoios públicos devido à escalada dos custos operacionais.
dlvr.it
October 3, 2026 at 10:32 AM
October 3, 2026 at 10:04 AM
Minimalismo e sustentabilidade: conheça os principais pilares da moda da Noruega
A Semana de Moda da Noruega, chamada Oslo Runway, tem pouco mais de uma década. A metade do tempo de sua coirmã, criada em 2006, em Copenhagen. Ambas navegam no mesmo mar, no caso, o do Norte, e buscam difundir o lifestyle da Escandinávia. Em comum, a exigência de que as marcas participantes tenham responsabilidade ambiental e transparência na produção. A última edição da Oslo Runway, de 31 de agosto a 5 de setembro, transmitiu os valores que movimentam a indústria de lá: sustentabilidade, funcionalidade e minimalismo. “Além de desfiles, a nossa plataforma também abriga programas de apoio a estudantes, etiquetas emergentes e premiações”, afirma Elin O. Carlsen, CEO do evento. “Os designers noruegueses trazem um ponto de vista distinto para a conversa global sobre moda.” Look da marca AKS Martin Rustada Johansen Em três dias, pontos turísticos, como o Museu Kistefos — parque de esculturas de nomes consagrados como o da japonesa Yayoi Kusama — e o tradicional Café Sara receberam mais de 30 apresentações de grifes como Envelope 1976, Anna Ringstad e AKS Label. A cantora Lene no desfile de Anna Ringstad na Oslo Runway Stephanie Sikkes Celine Aagaard, fundadora da Envelope 1976, marca que já está na Austrália, Japão e se prepara para estrear na Printemps, em Paris, frisou a principal escolha para o verão 2027: “O branco”. Mais experimental, Anna Ringstand inspirou-se nos países bálticos para realçar a feminilidade em shapes e detalhes. “Mas do jeito que uma garota norueguesa usaria”, frisa a designer. One and Other, desfile na Oslo Runway Berine Monsen Para a stylist Manu Carvalho, o que salta aos olhos é a identidade. “Cada semana fashion tem a cara da cidade em que acontece”, observa. “Em Oslo, o estilo está aliado à construção com qualidade e à preocupação em preservar o planeta. Dá gosto de ver, é uma moda inteligente”.
oglobo.globo.com
October 3, 2026 at 7:44 AM
ALESP #destaques Leci Brandão, Ediane Maria, Bancada Feminista, Pretas, Thainara Faria, Neon Cunha, Keit Lima, Najara Costa, Chirley Pankará, Luiza Erundina, Mariana Conti, Beth Sahão, Duda Hidalgo, Carmen Silva, Janete Pietá, Fernanda Souto, Débora Camilo, Jaque Medeiros e Jessy Dayane.
#94cadeiras
October 3, 2026 at 6:11 AM
Combustíveis podem pôr em risco sustentabilidade do transporte aéreo de emergência - empresa
Combustíveis podem pôr em risco sustentabilidade do transporte aéreo de emergência - empresa
A empresa responsável pelo transporte aéreo de emergência médica alertou hoje que o aumento do preço dos combustíveis pode pôr em risco a sustentabilidade da operação e já pediu ao Governo para ser incluída nos apoios públicos.
www.lusa.pt
October 3, 2026 at 6:01 AM
Executivo açoriano aponta a saúde como 'primeira prioridade' e defende a 'necessidade de implementar medidas complementares que promovam a sustentabilidade financeira do setor' da saúde.
Orçamento dos Açores para 2027 aponta saúde como prioridade e prevê reforço de 270 milhões de euros
www.cmjornal.pt
October 3, 2026 at 5:40 AM
Macaé se consolida como a capital da transição energética no país
Macaé se consolida como a capital da transição energética no país | G1
Cidade atrai novos investimentos privados no mercado de gás natural e lidera projetos focados em sustentabilidade, diversificação e futuro da energia no Brasil.
g1.globo.com
October 3, 2026 at 3:24 AM
Macaé se consolida como a capital da transição energética no país
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Cidade atrai novos investimentos privados no mercado de gás natural e lidera projetos focados em sustentabilidade, diversificação e futuro da energia no Brasil.
g1.globo.com
October 3, 2026 at 3:21 AM
Senador – Fábio Ribeiro – 180 Defende a simplificação das normas fiscais para o comércio e pequenos empreendedores. clebertoledo.com.br/politica/can...
Candidato ao Senado, Fábio Ribeiro defende maior participação da população nas decisões políticas – Cleber Toledo - Coluna do CT
O candidato ao Senado pelo Rede Sustentabilidade, Fábio Ribeiro, defendeu maior participação da população nas decisões políticas e destacou a importância de valorizar quem ‘trabalha, empreende e produ...
clebertoledo.com.br
October 3, 2026 at 3:16 AM
Lula 3 (Cont.):
• Aprovação da histórica Reforma Tributária (IBS/CBS)
• Novo Arcabouço Fiscal para sustentabilidade das contas
• Lançamento do Desenrola Brasil para renegociação de dívidas.
October 3, 2026 at 2:05 AM
Senador – Túlio Gadelha – 555 recomendação de amigas ornitologistas, indica suas principais áreas de atuação como sendo direitos humanos, meio ambiente, educação,
trabalho, cultura, sustentabilidade, mudanças climáticas e agenda 2030. tuliogadelha.com.br
Túlio Gadêlha – Deputado Federal
tuliogadelha.com.br
October 3, 2026 at 1:37 AM
🔥 Santos lidera movimento para adiar punições do Fair Play Financeiro — e o futebol brasileiro…
#NewsBrief #BRNews
Santos lidera movimento para adiar punições do Fair Play Financeiro — e o futebol brasileiro…
O Santos lidera um movimento para adiar punições do *Fair Play Financeiro*, buscando flexibilizar o **Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF)** para dívidas pré-2026. Com apoio de 12 clubes (e mais 15 em potencial), pressiona a **ANRESF** a...
https://news-brief.com/br/news/santos-lidera-movimento-para-adiar-punições-do-fair-play-financeiro-e-o-futebol-202610022034
October 2, 2026 at 11:35 PM
Castramóvel será disponibilizado em Araripina e Belo Jardim pelo governo estadual.

Os municípios de Araripina (Sertão) e Belo Jardim (Agreste) estão agendados para receberem os castramóveis do Governo de Pernambuco de 6 a 8 de outubro. Com uma equipe especializada e capacidade para realizar mais…
Castramóvel será disponibilizado em Araripina e Belo Jardim pelo governo estadual.
Os municípios de Araripina (Sertão) e Belo Jardim (Agreste) estão agendados para receberem os castramóveis do Governo de Pernambuco de 6 a 8 de outubro. Com uma equipe especializada e capacidade para realizar mais de 200 atendimentos por dia, essa estrutura itinerante oferece castração gratuita de cães e gatos, implantação de microchip e medicação pós-operatória. A ação é realizada pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha e acontecerá nas duas localidades das 8h às 15h.
www.petrolina.lat
October 2, 2026 at 10:48 PM
O Ministério das Relações Exteriores recebeu nesta sexta-feira (2) uma representação solicitando que o governo brasileiro declare persona non grata o representante diplomático dos Estados Unidos no Brasil, medida que poderia levar à retirada do diplomata do país.

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PSOL pede retirada de representante dos EUA após medidas de Trump sobre Brasil - ICL Notícias
Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede Sustentabilidade e candidato a deputado federal pelo PSOL em São Paulo, protocolou
iclnoticias.com.br
October 2, 2026 at 10:27 PM
A sustentabilidade entrou na gestão das empresas empurrada pela regulação, mas agora que as exigências abrandam, o BCSD nota diferenças entre quem avançou por obrigação e quem o fez por convicção.
Recuo regulatório põe à prova compromisso das empresas com a sustentabilidade
www.jornaldenegocios.pt
October 2, 2026 at 5:54 PM
A agenda macroeconômica do próximo governo precisará articular ainda mais espaço fiscal, investimento público e gastos sociais, além de incluir o nível dos juros na discussão sobre a sustentabilidade da dívida pública brasileira.
October 2, 2026 at 2:17 PM
A sustentabilidade da dívida pública não depende apenas do resultado primário. Uma taxa de juros neutra de 9% ao ano não estabiliza a dívida nem mesmo com superávits primários sucessivos de 3% do PIB. Uma taxa neutra de 7% tornaria a estabilização possível.
October 2, 2026 at 2:17 PM
Pesquisadores descobriram como a vida primitiva sobreviveu antes do oxigênio, identificando reações químicas em poços de sal no Mar Vermelho que forneceram energia a organismos antigos.

#vidaantiga #pesquisa #oxigenio #marvermelho #sustentabilidade
Estudo revela como vida primitiva sobreviveu antes do oxigênio
omniletters.com
October 2, 2026 at 1:18 PM