Força-tarefa vai remover fios soltos, irregulares e clandestinos em Campo Grande
Em uma mobilização inédita, a Agems (Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos), a Prefeitura de Campo Grande e a concessionária Energisa lançaram oficialmente o Projeto Rede Limpa. A iniciativa reúne equipes técnicas, órgãos de fiscalização e forças de segurança em uma força-tarefa para remover fios soltos, irregulares e clandestinos que hoje prejudicam a mobilidade, a higiene urbana e colocam em risco moradores e trabalhadores. A primeira grande operação, que funcionará como projeto piloto, ocorrerá na madrugada do dia 27 de novembro, em um dos quadriláteros mais movimentados do centro da Capital. A ação será realizada no período noturno para reduzir impactos no trânsito e minimizar interferências na circulação de pedestres. A iniciativa nasce de um esforço conjunto entre a Agência de Regulação, o Município e a Energisa. Segundo o diretor-presidente da AGEMS, Carlos Alberto de Assis, essa integração representa um marco no enfrentamento de problemas históricos ligados à infraestrutura urbana. “Quando unimos forças, quem ganha é a população. A AGEMS tem o papel de garantir à sociedade serviços públicos mais eficientes e seguros. Este projeto mostra como a regulação, quando dialoga com o município e com a concessionária, transforma realidades e entrega resultados práticos para as pessoas”, afirma. Atualmente, a Energisa possui 144 operadoras de telecomunicação cadastradas e autorizadas a utilizar os postes. Apenas empresas com contrato e identificação podem instalar cabos. No entanto, ao longo dos anos, inúmeras operadoras irregulares colocaram fios sem controle técnico, o que resulta em excesso de carga, risco de acidentes elétricos, poluição visual e comprometimento da segurança pública. O diretor de Gás e Energia da AGEMS, Matias Gonsales, explica que a operação é urgente e essencial. “A AGEMS fiscaliza a distribuição de energia elétrica por delegação da ANEEL. Abaixo dos cabos de energia são instalados os fios de comunicação, mas isso só pode ocorrer seguindo normas claras da ANEEL e Anatel. Empresas não regulares influenciam diretamente na segurança elétrica e na estabilidade do fornecimento de energia. Por isso, chamamos o município e a Energisa para uma ação conjunta. É uma medida para proteger o cidadão, evitar acidentes e cumprir nossa missão de fiscalização.” Como será a operação? - O ponto de partida do Projeto Rede Limpa será um quadrilátero central formado pelas ruas Avenida Mato Grosso, 13 de Maio, Afonso Pena e Calógeras, incluindo vias internas como 14 de Julho, Antônio Maria Coelho, Maracaju, Marechal Rondon, Dom Aquino e Barão do Rio Branco. A operação começará às 22h e seguirá até 5h da manhã, horário escolhido para evitar interferências na mobilidade durante o período de maior fluxo. Um Grupo de Trabalho formado pela AGEMS, SEAR (Secretaria Especial de Articulação Regional), Defesa Civil, Semades, Secretaria de Justiça e Segurança Pública, Agetran, Energisa e demais equipes técnicas já coordena mapeamento, planejamento logístico e identificação dos cabos irregulares. O secretário da SEAR, Darci Caldo, lembra que a ação ocorre no momento ideal, especialmente com o aumento da circulação no centro para o período natalino.“A população reclama dos fios; eles oferecem risco para motociclistas, pedestres e incentivam furtos. Além disso, temos a questão estética — o Natal será no centro. Precisamos de uma região segura, bonita e organizada. Este projeto piloto começou numa conversa entre a prefeitura e a AGEMS, e hoje se torna uma grande ação de confiança, segurança e cuidado com a cidade.” O secretário da Semades, Ademar Silva, reforça que o trabalho conjunto é fundamental para um resultado imediato e eficaz. “A parceria com a AGEMS e com a Energisa demonstra maturidade institucional. Cada órgão entra com sua competência e seu compromisso, e nosso papel é garantir que a cidade funcione, que as equipes estejam alinhadas e que a operação produza resultado real para a população. É um passo firme para devolver ao cidadão um espaço organizado, seguro e digno.” Responsável pelos postes, a Energisa será a executora direta da remoção dos fios. Cabos partidos, soltos, abandonados ou instalados sem identificação serão retirados. “Nosso trabalho será retirar tudo o que estiver instalado de forma clandestina ou sem condições adequadas. As fibras ópticas devidamente identificadas permanecem. O que não estiver identificado, conforme previsto em contrato, será retirado. É um trabalho técnico, cuidadoso, seguindo todas as normas de segurança. As empresas regulares, que respeitam os contratos, não serão impactadas”, explica o gerente de serviços comerciais da Energisa MS, Arthur Rocha. Após a operação, equipes das forças policiais metropolitanas manterão rondas preventivas e periódicas para evitar a religação irregular dos cabos. O objetivo é garantir que o esforço conjunto produza resultados permanentes, não apenas pontuais. Problema antigo - A desordem e o acúmulo de fios soltos nos postes é tema recorrente de reclamações da população e pauta constante no Campo Grande News , que há anos registra os riscos e impactos da fiação irregular na cidade. A discussão também ganhou força no âmbito político. O deputado estadual Paulo Duarte (PSB) vem cobrando providências desde o início da legislatura, questionando a responsabilidade pelas redes de internet e telefonia que continuam abandonadas ou penduradas nos postes. A pressão resultou em uma representação formal apresentada pelo parlamentar contra a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), solicitando que o órgão determine às concessionárias de telecomunicação a retirada imediata dos cabos em desuso. O documento foi protocolado no MPF (Ministério Público Federal), reforçando a necessidade de ação efetiva e coordenada para resolver a situação que há anos compromete a segurança e a estética urbana da Capital.