Fãs e entusiastas do setor de aviação prestam homenagem a Lito Sousa em velório
O velório do influenciador Lito Sousa, especialista em aviação, atraiu dezenas de fãs na manhã desta quinta-feira no aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. Lito Sousa: 90% dos pacientes sobrevivem menos de um ano após o diagnóstico Do diagnóstico ao 'último voo': veja linha do tempo do tratamento de Lito Sousa Mecânico de aeronaves, ele comoveu seguidores nos últimos dias de vida, enquanto estava tentando combater a doença de Creutzfeldt-Jakob, um mal neurológico ainda sem cura. Souza foi velado dentro das instalações do Museu Aeroespacial Paulista, ainda não inaugurado, em um espaço aberto para familiares e amigos próximos. Admiradores do influenciador puderam prestar suas homenagens por meio de uma fila que seguia separada. Muitos daqueles que entravam e saiam do Campo de Marte eram trabalhadores e entusiastas do setor de aviação. — Eu não sou especialista, sou fã do Lito, e aprendi a enfrentar o medo de avião com a ajuda das dicas dele — afirmou Rafael Avedian, admirador que compareceu a o velório nesta manhã. — Fiquei muito triste porque eu acompanhava diariamente as coisas que ele postava. Vim aqui pra prestar uma homenagem, para me despedir dele enfim e mandar energia boa pra esposa dele. Arturo Alcorta, consultor em segurança no trânsito que compareceu ao velório, disse que Sousa era uma figura única na comunicação sobre aviação. Homenagens: velório de Lito Sousa acontece nesta sexta-feira e será aberto ao público em São Paulo — Ele falava essencialmente sobre qualidade, sobre procedimentos e sobre correção de erros — afirmou. — O Lito foi aprendiz, mecânico, piloto e comunicador de alta qualidade. Conseguiu o que pouca gente faz nesse país, que é fechar o círculo de toda a estrutura de funcionamento de um setor. Rinaldo Félix da Costa, ativista comunitário da zona norte que participou da mobilização pela criação do museu do Campo de Marte, também prestou sua homenagem ao influenciador. — O Lito ensinou o que era cada pedacinho de um avião, uma máquina em que nós, leigos, só sabemos entrar, sentar e ficar com medo antes de decolar — contou. — Ele conseguiu ensinar de maneira didática que o avião não é tão perigoso assim e mostrou que o céu é pra todos que querem trabalhar no setor. Basta você querer estudar, correr atrás, e procurar um aprendizado. O técnico em informática Daniel Aguirre Rodrigues, que também compareceu ao velório de Lito, disse que os entusiastas da área estão em luto hoje pela perda de uma das figuras mais importantes do campo. — As pessoas que são fanáticas por aviação ou que trabalham na área perderam uma grande referência — conta. — Eu não pude conhecer ele pessoalmente, e ainda pretendia fazer um dos cursos dele, mas infelizmente não deu tempo. Eu espero mais pra frente conseguir ingressar na área da aviação, com a inspiração que ele me deu continuar seguindo. Lito Sousa: o que são os cuidados paliativos, tratamento que influenciador recebeu em casa até sua morte Lito Sousa morreu na quinta-feira (1), aos 59 anos, depois de longos meses de tratamento contra a doença que o acometeu. Vida e legado Nascido Joselito Geraldo de Sousa em Natal (RN), Sousa ficou conhecido nas redes sociais após a criação do canal "Aviões e Músicas", que acumulava 4,24 milhões de inscritos no YouTube. Ele vinha sendo submetido a tratamentos experimentais para controlar a doença, que era acompanhado pela legião de fãs que conquistou como especialista em aviação. Em cuidados paliativos, assistência destinada a controlar sintomas e preservar a qualidade de vida quando não existe um tratamento efetivo para a doença, ele foi internado em diferentes momentos nas últimas semanas. O quadro de saúde de Lito foi divulgado em julho, quando ele estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com diagnóstico de inflamação do sistema nervoso central (SNC). A condição de Lito chegou a fazer com que o Ministério da Saúde realizasse formalmente um pedido de inclusão de Sousa em um dos estudos experimentais que estão sendo realizados nos Estados Unidos. O que são os príons? Que causaram a doença que levou à morte de Lito Sousa O caso do influenciador não se enquadrou nos critérios técnicos do ensaio clínico do qual ele buscava participar, porém, recebeu parte do tratamento dentro de um protocolo de uso compassivo, mas a doença evoluiu rapidamente e ele não resistiu. O que é a doença Creutzfeldt-Jakob? De acordo com informações do Ministério da Saúde, trata-se de uma doença priônica, rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal. O quadro clínico inicial é caracterizado por demência, com perda de memória e tremores, além de outros sinais e sintomas neurológicos e multifocais. A doença se desenvolve quando uma proteína normal, chamada proteína príon celular (PrPC), altera seu formato e se torna um príon causador de doença. Segundo informações do Manual MSD, os príons lentamente acumulam no cérebro e geralmente causam pequenas bolhas nas células do cérebro, que morrem gradualmente. Quando suficientes células do cérebro apresentam um mau funcionamento ou morrem, sintomas se desenvolvem, seguido pela morte da pessoa. Qual é a relação com a doença da vaca louca? Existem quatro formas conhecidas da doença de Creutzfeldt-Jakob e a nova variante (vDCJ), popularmente conhecida como doença da vaca louca, é uma delas. No entanto, a imensa maioria dos casos em humanos ocorre de forma esporádica ou genética, sem relação com o consumo de carne "contaminada". O Ministério da Saúde afirma que desde 2005 não houve registro de caso de vDCJ no Brasil, nem mortes atribuídas à variante no país. As quatro formas conhecidas da DCJ são: esporádica, hereditária, iatrogênica e a nova variante (vDCJ). A maioria absoluta das ocorrências (85%) ocorre sob a forma esporádica. Esta forma da doença não apresenta causa e fonte infecciosa conhecida, nem relação de transmissibilidade comprovada de pessoa a pessoa. A forma hereditária corresponde a 10 a 15% dos casos de DCJ e acontecem por mutação no príon, decorrente de uma mutação no gene que codifica a produção da proteína priônica. Já a forma iatrogênica corresponde a menos de 1% dos casos no mundo e acontece como consequência de procedimentos cirúrgicos (transplantes de dura-máter e córnea) ou por meio do uso de instrumentos neurocirúrgicos, ou eletrodos intracerebrais contaminados. Já a variante da Doença de Creutzfeldt–Jakob (vDCJ) é outra doença priônica, associada ao consumo de carne e subprodutos de bovinos contaminados com encefalite espongiforme bovina ou "doença da vaca louca". Segundo a definição apresentada pelo Ministério da Saúde com base na Organização Mundial da Saúde (OMS), um caso pode ser classificado como possível, provável ou definitivo a partir dos sinais e sintomas, resultados de exames como eletroencefalograma e a ressonância magnética, e histórico epidemiológico. A confirmação definitiva, porém, só pode ser feita por meio de necropsia com análise neuropatológica de fragmentos do cérebro, com testes histopatológicos e/ou imunohistoquímicos. A doença não tem cura, mas o tratamento ajuda a aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados. Cerca de 90% das pessoas vão a óbito em até um ano após as primeiras manifestações clínicas da doença.