Menino de 3 anos foge do banho e transforma quarto em transmissão de futebol
Filippo Palermo, de 3 anos, estava na casa da tia enquanto os pais, Felippe Palermo e Ana Lethícia Palermo, trabalhavam no Rio de Janeiro. A tia estava sozinha com ele e a irmã, Ana Liz, quando a câmera do quarto mostrou que o menino tinha escapado do banho e ido para outro cômodo. Filippo Palermo herdou a paixão pelo São Paulo do seu pai Felippe Palermo/Arquivo pessoal Pai corinthiano cria gêmeos apaixonados pelo time: "Se vinha alguém com a camiseta do Corinthians, eles já reconheciam o símbolo e apontavam sorrindo" O menino, apelidado de Pippo pela família, estava sozinho em um dos quartos, mas não parecia preocupado em voltar para o banheiro. Em vez disso, pegou um livro e começou a contar a história à sua maneira, cantando o hino do São Paulo e narrando o que acontecia como se estivesse transmitindo uma partida. "Eu vi e amei de imediato o vídeo, porque ele estava cantando o hino todo do São Paulo. Ele não errou uma palavra", conta o pai em entrevista à CRESCER. Felippe decidiu editar o vídeo, aproximando a imagem do menino, e compartilhá-lo nas redes sociais, como costuma fazer com outros registros da rotina com as crianças. Foi aí que ele reparou que o menino não estava apenas folheando o livro e cantando. "O Pippo, na verdade, estava contando uma história, em que ele fazia o gol e o goleiro cantava o hino para comemorar", lembra Felippe. Quando publicado nas redes sociais dos pais, o vídeo teve uma repercussão muito maior do que a família esperava. "Ficamos muito feliz quando vimos e a repercussão foi muito maior do que imaginávamos", afirma Felippe. Nos comentários, os usuários destacaram o fato de Pippo cantar de memória o hino do São Paulo e também os detalhes da história que o menino tinha criado. O menino estava no quarto contando uma história e cantando o hino Felippe Palermo/Arquivo pessoal A câmera, que ajuda os pais a acompanharem os filhos quando estão longe ou em outros espaços da casa, também acabou se tornando um arquivo da infância de Ana Liz e Pippo. "Às vezes, olhamos para esses registros e ficamos muito felizes de ter conseguido registrar, porque são coisas que não voltam. Esses vídeos são presentes que temos. São como cápsulas para viajarmos e lembrarmos de diferentes momentos do passado com eles", comenta Ana Lethícia. Futebol e leitura entram nas brincadeiras de Pippo Pippo foi o primeiro filho de Ana Lethícia e Felippe. A família, que mora hoje em Santos, em São Paulo, sempre quis ter pelo menos duas crianças e decidiu que gostaria de criar irmãos próximos em idade para que pudessem crescer juntos. Felippe é são-paulino e Ana torce para o Santos. Durante a primeira gravidez, porém, foi o futebol do pai que começou a fazer parte da rotina do bebê. Depois de descobrir que Pippo já conseguia ouvir, o pai passou a cantar o hino do São Paulo todas as noites. A música continuou depois do nascimento. Os pais encontraram uma versão de ninar com a melodia do hino e perceberam que ela ajudava a acalmar o bebê. "Colocamos essa canção de ninar para o Pippo e, pasmem, ele parou de chorar. Ele se acalmou com a canção de ninar do São Paulo e, desde então, usamos muito nesses momentos de choro ou antes de dormir", conta Ana. O menino cresceu cercado por futebol também fora das músicas. Antes mesmo de andar, já chutava bola e gritava "gol" e "São Paulo", segundo os pais. Desde pequeno Pippo acompanha a família no estádio Felippe Palermo/Arquivo pessoal Com 1 ano e 9 meses, Pippo foi pela primeira vez ao Morumbi e, para surpresa do pai, acompanhou praticamente toda a partida. "Ele assistiu o jogo praticamente inteiro. Faltando cinco, dez minutos, ele começou a cansar, mas todo o resto do jogo estava lá comigo", conta Felippe. O futebol também aparece na trajetória profissional do pai. Jornalista de formação, Felippe já atuou com comunicação e assessoria no meio esportivo. Na casa da família, porém, o futebol divide espaço com outra paixão. Ana é pedagoga e conta que sempre deixou os livros ao alcance das crianças, construindo uma relação que buscasse incentivar o hábito da leitura. "Eu sempre deixei muito livre esse momento da leitura. Fazia momentos de leitura compartilhada de livros adequados para a idade com eles também. A ideia é que eles acessassem, mas sem nenhum tipo de obrigação envolvida", explica a mãe. Hoje, Pippo escolhe quatro livros para ler antes de dormir. Um deles é "O Meu Primeiro Gol", o mesmo que aparece no vídeo. O exemplar foi dado por um vizinho que conheceu o menino no elevador e descobriu a paixão dele pelo São Paulo. A história acompanha um garoto que sonha em ser jogador e vai ao Morumbi. "Ele gosta muito desse livro. Gosta de outros times também, mas o São Paulo é a paixão dele", ressalta Felippe. O livro acabou entrando de vez nas brincadeiras de Pippo depois que o pai comentou que um dos personagens lembrava Rogério Ceni, ex-goleiro do clube. Pippo ganhou o livro de um vizinho do prédio Felippe Palermo/Arquivo pessoal "Eu comentei um dia que o personagem parecia o Ceni e, desde então, o Pippo sempre passou a dizer que era o goleiro enquanto inventava as histórias junto com a leitura", conta Felippe. A brincadeira se juntou a outras que já faziam parte da rotina do menino, como imaginar estádios e criar transmissões de partidas. Ana percebe o mesmo movimento em outros momentos da rotina. "O Pippo cria diálogos para os brinquedos, imagina que está em estádios e inventa suas próprias transmissões", diz. Durante a Copa do Mundo, ele passou a imitar os narradores e abrir as próprias "transmissões" diretamente de casa. "Ver isso, como pedagoga, é ouro. Eles produzirem as próprias histórias é uma coisa que acontece muito naturalmente em casa. É muito legal ver ele unindo as nossas duas paixões de uma maneira lúdica e espontânea", ressalta Ana. A irmã aprendeu o hino com Pippo O futebol que já fazia parte da rotina de Pippo também chegou à irmã. Ana Liz, de 1 ano e 10 meses, já aprendeu o hino do São Paulo de tanto ouvir o irmão cantar e pede a música em casa. A paixão pelo futebol também permanece na irmã mais nova Felippe Palermo/Arquivo pessoal A segunda gravidez aconteceu enquanto o casal comemorava o primeiro aniversário de Pippo em uma viagem à Disney. Ana e Felippe queriam que os filhos tivessem pouca diferença de idade e brincam que os dois acabaram se tornando "gêmeos sem serem gêmeos". A proximidade aparece no jeito como os irmãos convivem. Pippo chama Ana Liz de "princesa", dá beijos nela e reproduz gestos de carinho que vê dentro de casa, enquanto a menina observa o irmão e tenta acompanhar suas brincadeiras. Os pais não imaginavam que os dois desenvolveriam uma relação tão próxima. "Eu nunca imaginei, no melhor sonho, que eles fossem se amar tanto. Nós nos consideramos muito privilegiados nesse sentido", diz Ana. Os irmãos Pippo e Ana Liz compartilham uma relação extremamente próxima e carinhosa Felippe Palermo/Arquivo pessoal A influência, porém, acontece nos dois sentidos. Pippo já deixou algumas marcas bem claras na irmã. Ana conta, em tom de brincadeira, que tentou fazer com que a menina fosse santista, como ela, mas que não teve chance depois que Ana Liz viu a paixão do seu irmão mais velho pelo São Paulo. "Ela é apaixonada no irmão. Então, ele canta o hino e a Ana fica olhando para ele com cara de orgulhosa, querendo cantar junto", diz a mãe. Até no caminho para a escola, a música já aparece entre os pedidos da menina. "Eu sou santista, mas, no final do ano, a minha música mais ouvida é o hino do São Paulo", brinca Ana Lethícia. A chegada dos filhos também mudou a forma como Ana enxerga o próprio trabalho. Como pedagoga e diretora de escola, Ana conta que a experiência da maternidade passou a interferir diretamente na maneira como recebe e escuta outras mães. "Eu vivo a maternidade intensamente. Óbvio que tem seus desafios que eu nunca imaginei, mas me tornou uma pedagoga muito melhor. Me tornou uma pessoa muito melhor. Hoje eu dirijo a escola, eu sento na frente de uma mãe e eu sinto o que ela sente, consigo ter essa empatia e esse entendimento do outro lado de uma forma muito mais ampla", afirma Ana. Os cuidados também sempre estiveram divididos entre o casal. Apesar de contarem com ajuda no dia a dia, os dois seguem conseguindo priorizar a rotina das crianças e estar presentes na criação dos filhos. "A vida como pai e mãe é intensa, mas sempre escolhemos e pudemos estar muito presentes na vida deles", destaca Felippe. Initial plugin text