Garotinho escreveu carta sobre 'apodrecimento' do Rio para desistir de recurso: 'Votação foi a consagração dos corruptos'
Candidato do Republicanos ao governo do Rio, Anthony Garotinho anunciou nesta segunda-feira a desistência de um recurso para o deferimento de sua candidatura. Com isso, o político abre caminho para que a eleição fluminense tenha um desfecho antes do 2º turno: se os votos de Garotinho forem descartados, Douglas Ruas (PL) pode ser eleito governador, já que alcançaria mais da metade dos votos válidos. Em seu escritório, na Glória, Zona Sul do Rio, o ex-governador revelou que havia escrito uma carta à população ainda no domingo.
Na carta, Garotinho falou sobre o que chamou de "apodrecimento" do estado. "Há anos, venho denunciando o apodrecimento das instituições do Estado, que foram capturadas pelo crime e pela corrupção. A votação de (domingo) representou a consagração dos corruptos", disse ele no texto.
Em outro trecho da carta, o candidato do Republicanos falou ainda sobre a infiltração do crime organizado na política fluminense.
"Milicianos corruptos que ostentam fazendas, mansões, políticos bandidos, aliados do tráfico, saíram das urnas com expressiva votação. Ladrões do dinheiro público viraram campeões de voto. O Ministério Público sabe de tudo. A Justiça Eleitoral sabe de tudo. As Polícias Civil e Federal sabem de tudo. E uma parte expressiva do Estado diz: parabéns, Cláudio Castro e sua gangue. Parabéns, Rodrigo Bacellar e sua quadrilha", escreveu.
Em seguida, ele fala sobre a desistência do recurso, que buscava reverter uma negativa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) ao seu registro de candidatura. A Justiça Eleitoral fluminense entende que Garotinho está com os direitos políticos suspensos, em razão de uma condenação por improbidade administrativa. O caso transitou em julgado no ano passado, quando teria começado a contar o prazo. Garotinho argumenta que a pena começou a ser cumprida em 2018 e, por isso, já estaria cumprida.
"Em função do resultado manifesto pela população nas urnas, não me resta outra opção jurídica a não ser desistir de forma livre, expressa, consciente do recurso ordinário eleitoral interposto nos autos do referido processo que tramita no TSE, tentando validar os meus votos. Deixando para o povo do nosso Estado arcar com a consequência da escolha que eles fizeram", finaliza ele.
Entenda o caso
Após entrar com uma petição para ter prioridade — por conta da idade, de 66 anos — para que o seu caso fosse logo remetido do TRE-RJ para o TSE, Garotinho viu o pedido ser atendido às 10h30 desta segunda-feira. Pouco mais de três horas após a movimentação, no entanto, a comissão de sete advogados que defendem o ex-governador enviaram um termo de desistência para a Corte Superior.
Na nova petição enviada ao TSE, a defesa de Garotinho argumenta que a manifestação é "voluntária, consciente e desprovida de qualquer vício de vontade". Os advogados também pontuam que o "recorrente pode desistir do recurso a qualquer tempo, independentemente da anuência da parte recorrida".
Nas vésperas do 1º turno, o então primeiro colocado das pesquisas, Eduardo Paes, era o principal interessado no julgamento do caso. Tanto que, no fim da última semana, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, determinou que o TRE-RJ encaminhasse "imediatamente" os autos relacionados ao processo ao atender a um pedido da coligação do candidato do PSD.
Na manhã desta segunda-feira, Douglas Ruas confirmou que confia que será declarado eleito governador do Rio ainda no primeiro turno caso a Justiça confirme a anulação dos votos dados a Anthony Garotinho (Republicanos). O argumento usado foi que seu adversário Eduardo Paes também pediu ao TSE que os votos do ex-governador fossem considerados nulos. Por isso, segundo Ruas, não há divergência entre as duas candidaturas sobre a questão.