Segundo turno entre Ruas e Paes no Rio agora depende do TSE; entenda que acontece com os votos de Garotinho
Embora estejam computados, os 273 mil votos de Garotinho são considerados neste momento "anulados sub judice", já que ele teve sua candidatura rejeitada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). A validação ou não desses votos depende da análise que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fizer sobre um recurso de Garotinho. Se a votação do candidato do Republicanos for anulada em definitivo, o cálculo dos percentuais de cada candidato podem ser refeitos, desconsiderando os eleitores do ex-governador.
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Caso a votação em Garotinho seja anulada pelo TSE, Douglas Ruas (PL), que terminou a corrida na primeira colocação, pode conseguir terminar o pleito sem precisar do segundo turno. Isso porque ele tem neste momento 49,3% votos válidos contra 42,73% de Eduardo Paes (PSD), seu principal adversário em 2026. Com a nova conta, Ruas poderia passar dos 50% dos votos válidos e seria considerado vencedor em primeiro turno. Por ora, como o TSE não tem uma decisão sobre o caso, não é possível apontar nenhum vencedor da eleição ao governo do Rio, e está prevista a realização de segundo turno.
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O Datafolha já projetou, inclusive, que sem os votos de Garotinho, Douglas Ruas seria eleito governador do Rio de Janeiro no primeiro turno. No entanto, essa retotalização ainda precisa ser feita pelo TSE caso o tribunal decida que os votos do ex-governador do Rio devem ser anulados realmente.
Entenda o cálculo
Para chegar aos percentuais que definem o resultado da eleição, a Justiça Eleitoral reúne o total de votos dos eleitores que compareceram às urnas e exclui da contagem os votos em branco e os nulos. Com isso, chega ao volume de votos válidos, cuja soma dá 100%. O impasse sobre o resultado da eleição do Rio ocorre porque, no momento, os votos de Garotinho não são nulos, mas tampouco são válidos.
Um candidato só é declarado vencedor em primeiro turno se tiver mais da metade, isto é, 50% mais um, dos votos válidos. Atualmente, Paes tem menos da metade porque os votos de Garotinho estão sendo computados nos percentuais que, somados, chegam a 100%. Caso esses votos do candidato do Republicanos sejam anulados, no entanto, o somatório de 100% deixaria de considerá-los, exigindo um novo cálculo dos percentuais de cada candidato, segundo o entendimento da campanha de Paes.
Ainda não há data prevista para o TSE analisar o caso de Garotinho e decidir o destino de seus votos. A Corte tem duas possíveis decisões: se rejeitar o recurso do candidato do Republicanos e derrubar sua candidatura, o votos são anulados; mas se aceitar o recurso, os votos são validados e passam a ser incorporados em definitivo ao cálculo dos percentuais de todos os candidatos.
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Campanha acirrada
Os dois candidatos mais votados no primeiro turno do Rio tiveram trajetórias distintas ao longo da campanha, de acordo com as pesquisas. Desde o início do ciclo, em agosto, Paes apareceu na liderança em levantamentos realizados pela Quaest e pelo Datafolha, com percentuais que giravam em torno de 35% e 40% das intenções de voto -- diferentemente dos votos válidos, esse percentual é calculado considerando também os votos brancos e nulos.
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Já Douglas Ruas, que iniciou a corrida eleitoral entre 15% e 20% das intenções de voto, conforme os mesmos institutos, quase dobrou seu desempenho ao longo da campanha.
Ruas apostou na associação de sua imagem à do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), de olho em tornar-se mais conhecido pelo eleitor fluminense e surfar no desempenho do bolsonarismo, que vem sendo majoritário no estado nas últimas eleições.
Atual presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) e encerrando seu primeiro mandato como deputado estadual, Ruas tentou na pré-campanha assumir o governo estadual de forma interina, após a renúncia do então governador Cláudio Castro (PL), em março. O objetivo de Ruas era ter o comando da máquina estadual durante o período eleitoral. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), porém, travou a linha sucessória enquanto discutia os efeitos de uma decisão do TSE, no dia seguinte à renúncia de Castro, de condenar o ex-governador por abuso de poder político e econômico cometido nas eleições de 2022.
O entendimento de parte do STF é de que a decisão do TSE poderia exigir uma eleição direta antecipada, como a deste domingo, para escolher um substituto de Castro até o fim de 2026. Este também foi o entendimento defendido pela campanha de Paes. Ruas, porém, argumentava que a escolha do chamado "governador-tampão" deveria ser de forma indireta, ou seja, apenas com os votos de deputados estaduais da Alerj.
O STF segue sem concluir a análise desse caso, que se tornou mais um imbróglio judicial envolvendo a eleição do Rio. Por ora, o desembargador Ricardo Couto é o governador em exercício.
Paes, ex-prefeito da capital fluminense por quatro mandatos (2009 a 2016, e depois 2021 a 2026), concorre neste ano pela terceira vez ao Palácio Guanabara. Na primeira tentativa, em 2006, ele terminou na quinta colocação. Em 2018, liderava as pesquisas até as vésperas do primeiro turno, mas acabou sofrendo uma virada contra o ex-juiz Wilson Witzel, que acabou eleito.
A memória negativa dos governos de Witzel, que sofreu impeachment em 2021, e de Castro, que herdou a cadeira por ser o vice-governador à época, foi constantemente explorada por Paes na campanha deste ano. O candidato do PSD buscou associar Ruas à gestão Castro, citando a passagem do adversário como secretário estadual de Cidades por três anos.
Ruas também foi aliado do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União), preso pela primeira vez no ano passado devido a uma investigação da Polícia Federal (PF) que apontou envolvimento dele com a facção criminosa Comando Vermelho. A cassação de Bacellar pelo TSE, no mesmo julgamento em que a Corte condenou Castro, em março deste ano, foi o que abriu espaço para Ruas se tornar presidente da Assembleia
O candidato do PL, por sua vez, procurou ao longo da campanha associar o próprio Paes à impopularidade de Castro e de Bacellar. Ruas acusou o candidato do PSD de ter "relação de amizade" com o ex-governador e de também ter mantido conversas com o ex-presidente da Alerj.