Novo 'minicoração humano' ajuda a entender como inflamação desregula os batimentos
Cientistas da Universidade Estadual de Michigan, dos Estados Unidos, criaram o primeiro organoide de coração que pode ser modificado para replicar a fibrilação atrial (FA), um tipo de batimento cardíaco irregular e frequentemente acelerado. O organoide tridimensional tem aproximadamente o tamanho de uma lentilha e foi desenvolvido a partir de células-tronco humanas doadas. Ele, segundo a equipe de pesquisa, é tão preciso que permite estudar o desenvolvimento cardíaco, doenças e respostas a medicamentos. “Nosso novo modelo nos permite estudar diretamente o tecido cardíaco humano vivo, algo que não era possível antes”, disse Colin O'Hern, estudante de Medicina Osteopática e Ciências na MSU, em comunicado. “Quando adicionamos moléculas inflamatórias, as células cardíacas começaram a bater irregularmente. Então, introduzimos um medicamento anti-inflamatório e o ritmo normalizou parcialmente. Foi incrível ver isso acontecer.” Aitor Aguirre, professor associado de Engenharia Biomédica e chefe da divisão de Biologia do Desenvolvimento e Células-tronco do Instituto de Ciência e Engenharia da Saúde Quantitativa da MSU, acrescentou que “este novo modelo consegue replicar uma condição que está no cerne dos problemas médicos de muitas pessoas”. “Vai permitir muitos avanços médicos, de modo que os pacientes podem esperar um desenvolvimento terapêutico acelerado, mais medicamentos chegando ao mercado, medicamentos mais seguros e também mais baratos, porque as empresas poderão desenvolver mais opções”, ele salientou. Na atualização mais recente do organoide, os pesquisadores adicionaram células imunológicas nele - no desenvolvimento do coração humano, essas células imunológicas (ou macrófagos) ajudam a garantir o crescimento e a formação adequados. Eles também desenvolveram um sistema para envelhecer os organoides de forma a assemelharem-se a corações adultos, expondo-os ao tipo de inflamação que leva à fibrilação atrial. E, para demonstrar como o novo modelo pode ser usado para testar terapias para doenças cardíacas causadas por inflamação, introduziram um medicamento anti-inflamatório que, com base nas descobertas, tinha previsão de tratar a fibrilação atrial. Isso restaurou o ritmo cardíaco normal. “Agora estamos vendo como o próprio sistema imunológico do coração contribui tanto para a saúde quanto para a doença”, destacou Aguirre. “Isso nos dá uma visão sem precedentes de como a inflamação pode causar arritmias e como os medicamentos podem interromper esse processo.” Ele completou: “Nossa visão a longo prazo é desenvolver modelos cardíacos personalizados derivados de células de pacientes para medicina de precisão e gerar, um dia, tecidos cardíacos prontos para transplante”. Mais Lidas