Evangélico, Felipe Simas fala do papel de pastor em nova novela das 18h e conta como religião transformou sua vida
Felipe Simas viverá o pastor Geison em "Lá na minha terra", novela de Mario Teixeira que estreará no próximo dia 9. Rosto conhecido do horário das 19h, ele fala sobre sua primeira vez numa trama das 18h:
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— É diferente do que estou acostumado. Eu sinto que numa novela das 18h temos um pouquinho mais de espaço para criar com mais tranquilidade. Acho que o tema também normalmente é mais leve. Lavra Seca, onde a história se passa, é uma cidade fictícia, então tudo pode. Isso também nos permite brincar com o texto, com as propostas e com as características dos personagens. Então está sendo maravilhoso. Geison é nascido na Paraíba e vive numa região rural. É algo muito distante da minha realidade. A gente criou, junto com a caracterização, um pastor moderno. Ele usa roupas claras, de linho, com uma calça social. Colocamos também os óculos para tirar um pouco a repetição da minha imagem. Sou um ator que gosta de trabalhar em cima do naturalismo e do minimalismo, tenho que me esforçar um pouco mais para entrar em outro registro. E, quando você coloca uma prosódia, um sotaque, isso já traz um corpo diferente.
O ator, que é evangélico, comenta sua conexão com o personagem através da religião:
— O pastor Geison é um jovem que acredita piamente no poder da comunidade e da comunhão de Deus com a pessoa, mas, acima de tudo, de uns com os outros. E a gente tem esse embate religioso, que é muito comum no Brasil, entre o catolicismo e o protestantismo. A gente vai retratar como um pastor vive e como se relaciona com mulheres ao redor que se interessam por ele. Às vezes pensamos que um pastor é espiritual a ponto de não ser afetado por aquilo que acontece no físico. E é o contrário. O pastor é um ser humano como outro qualquer, que sente coisas e se relaciona com esses sentimentos. Eu sou cristão, estudo Teologia e estou me formando. Essa conexão profissão-vida é muito interessante para mim neste momento.
Felipe explica por que começou a estudar a religião a fundo:
— Acho que todos nós temos um chamado. A forma como vamos exercer esse chamado é uma escolha nossa. Eu encontrei uma comunidade que me aceitou como eu sou, que nunca pediu para eu abrir mão da minha profissão e, ao mesmo tempo, sempre me deu a oportunidade de falar sobre aquilo que aconteceu comigo: essa experiência transcendente de passar a crer em Jesus. Eu acho que esse foi, para mim, o maior milagre que eu já experimentei, que é o milagre da crença, da fé. Eu não fui criado num lar cristão teologicamente falando, apesar de meus pais sempre terem me ensinado preceitos cristãos. Eu tenho buscado conhecer um pouco mais a história da igreja, do cristianismo e de todas as suas derivações. Tudo isso me fortalece muito para entender que a minha experiência não é única. Então, a busca e o desejo constantes de viver algo eterno nesse nosso corpo findável me interessam muito. Isso já me deixou um pouco em caos, mas hoje me traz paz.
Filho do ator e capoeirista Beto Simas e irmão de Rodrigo Simas e Bruno Gissoni, Felipe detalha o diálogo com a parte da família que não é religiosa como ele:
— É respeito acima de tudo. Eu tenho nos meus irmãos figuras de melhores amigos. Converso com eles sobre tudo que você imagina, inclusive sobre religião. Eu brinco que meus irmãos são os que mais afiam a minha própria fé, porque eles me questionam coisas que às vezes eu não sei responder enquanto cristão. Até mesmo com relação à prática da igreja. Eles estão sempre me colocando contra a parede, no bom sentido, para eu ser verdadeiro com aquilo que eu falo e não viver uma religião de forma hipócrita. Acho que a coisa mais importante que um cristão pode fazer é conversar com as diferentes religiões. Quando você não se coloca em possibilidade de diálogo, significa que você não está seguro o suficiente para debater. Acho que o tempo me trouxe isso. No início da minha conversão, eu tinha medo de falar sobre a minha crença, talvez por um preconceito que eu sei que existe. Mas depois que eu comecei a entender que esses meus preceitos me levavam a viver a vida que eu levo, a me relacionar com a minha esposa da forma como eu me relaciono e a educar os meus filhos como eu educo. Eu percebi que não tenho que ter vergonha disso, apesar de entender que muitas pessoas são contrárias e avessas a esse meu pensamento. Inclusive, na própria igreja tem muitas pessoas que pensam diferente. Então sempre vai ter uma opinião contrária àquilo que você acredita. E é muito importante estar aberto a dialogar com isso.
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Aos 33 anos, o ator é casado com Mariana Uhlmann e tem três filhos. Ele explica que não deixa suas crenças religiosas interferirem na escolha dos trabalhos:
— A nossa televisão brasileira é muito expositiva. A nossa cultura tende a não preservar muito as imagens sexuais dos personagens, dependendo do horário, claro. Então, temos que estar disponíveis para isso. E faz parte da vida humana. Eu, enquanto ator cristão, tenho que estar disponível para viver a totalidade do ser humano. Se o meu personagem realmente está totalmente apaixonado, louco de amor por uma pessoa, a cena vai retratar aquilo que eles sentem. Se eu topar o trabalho, tenho que fazer sem problemas. Mas isso já foi um problema aqui em casa, no sentido de falta de maturidade minha, de não saber lidar com isso. Hoje, é muito mais tranquilo. Eu sei a quem eu devo respeito. A minha esposa tem o meu respeito, a minha segurança e o meu amor. A gente entende que isso é um lado da profissão que faz parte.
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