Acidentes com motos já são 75% dos casos em Niterói, e colisões envolvendo bicicletas e ciclomotores sobem 131%; veja locais e horários mais perigosos
Levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros a pedido do GLOBO-Niterói mostra também aumento no número de atropelamentos de pedestres Os acidentes de trânsito envolvendo motos já representam mais de 75% dos acionamentos com vítimas atendidos pelo Corpo de Bombeiros na cidade este ano. Com mais motociclistas nas ruas, o número de casos vem crescendo expressivamente nos últimos anos. Outro dado alarmante é o aumento de colisões de automóveis com bicicletas, incluindo modelos elétricos, e ciclomotores, que foi de 131% de janeiro ao início de junho, em comparação ao mesmo período do ano passado.
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De acordo com um levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros, a pedido do GLOBO-Niterói, a corporação registrou na cidade 1.388 acionamentos para sinistros de trânsito do tipo atropelamento, colisão, capotagem e queda de veículos de 1º de janeiro a 8 de junho deste ano, um aumento de 7,7% no total de acidentes, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em números totais, as colisões de automóveis com motos representam a maioria dos casos, com 580 registros, 10% a mais em relação ao mesmo período de 2024, enquanto as colisões de automóveis com outros automóveis somam 98 casos, também um aumento de 10%. Quando se avaliam os tipos dos acidentes, os percentuais mais altos envolvem motos, bicicletas e pedestres.
As colisões de motos com motos tiveram um crescimento de 40% neste período, com 84 registros. Os atropelamentos a pedestres provocados por motos tiveram 60 registros, 33% a mais. No caso das colisões de automóveis com bicicletas houve 37 registros, 131% a mais do que de janeiro a junho do ano passado. O número de colisões de motos com bicicletas teve aumento de 38%, com 18 registros. Os atropelamentos de ônibus a pedestres cresceram 80%, com nove registros; de bicicletas a pedestres aumentaram 60%, com oito registros; e de automóveis a pedestres, 10% , com 110 casos.
Picos às 18h e às sextas
Doutor em engenharia de transportes e logística e professor titular do Departamento de Administração da UFF, Aurelio Lamare Soares Murta destaca que a tendência de aumento nas ocorrências é preocupante, sobretudo porque afeta categorias vulneráveis, como motociclistas, ciclistas e pedestres.
— A alta taxa de colisões envolvendo motos reflete não apenas a maior presença desses veículos no trânsito, mas também fragilidades na infraestrutura viária e na condução defensiva. Além disso, o crescimento de sinistros envolvendo bicicletas e atropelamentos por ônibus e automóveis sugere riscos crescentes para quem se desloca de forma ativa ou depende do transporte público. Esses dados indicam uma piora na segurança viária para usuários mais vulneráveis. Os sinistros se concentram no final da tarde, com pico às 18h, e nas sextas-feiras, o que sugere uma relação com o tráfego intenso nos horários de pico e início de fim de semana— aponta.
O especialista destaca, ainda, algumas recomendações:
— É preciso reforçar ações de fiscalização e educação no trânsito, com foco na condução segura em áreas com alto fluxo de pedestres e ciclistas; melhorar a infraestrutura urbana, com criação de faixas exclusivas para bicicletas, zonas de velocidade reduzida e sinalização adequada nos pontos críticos; mapear horários e locais de maior incidência de acidentes para orientar políticas públicas, como aumento de presença policial, redutores de velocidade e campanhas em horários de pico; e investir em tecnologia para gestão de tráfego, como sinais inteligentes e monitoramento em tempo real, que podem reduzir riscos em interseções perigosas — diz.
Porta-voz do Corpo de Bombeiros, o major Fábio Contreiras avalia o aumento das estatísticas de acidentes envolvendo veículos de duas rodas.
— Esse aumento é muito ligado ao aumento da frota, que é impulsionado pelo menor custo de aquisição e rapidez nos deslocamentos para fugir de engarrafamentos. E quanto maior o tempo de exposição ao trânsito, maior a probabilidade de acontecer um acidente. Hoje o cansaço é um fator crítico em acidentes de moto, justamente porque as pessoas estão ficando mais tempo na moto do que ficavam antes. O cansaço reduz a capacidade do condutor de perceber os perigos. Temos muitos entregadores de delivery e transporte por aplicativo nas ruas, e esses profissionais trabalham de maneira exaustiva, de dez a 12 horas expostos no trânsito. Com relação às bicicletas, vamos criar um subtipo nas estatísticas para separar as comuns das elétricas e dos ciclomotores, porque as equipes têm relatado que muitos acidentes são com esses veículos, que alcançam velocidade maior — diz.
Excesso de velocidade
Ainda segundo Contreiras, o que os Bombeiros mais observam como fatores comuns para esses acidentes é o excesso de velocidade e, em casos de motos, a mudança de faixa. As três vias que mais registram acidentes em Niterói são Avenida Francisco da Cruz Nunes, em primeiro lugar; Alameda São Boaventura, em segundo; e Avenida Ewerton Xavier (Central), em terceiro.
— Quanto mais velocidade, mais energia cinética tem no corpo e maior vai ser a gravidade das lesões. Temos também observado que muitos acidentes são pelo avanço de sinal vermelho e que muitos condutores de moto não têm habilitação. Mas não estou dizendo que a culpa é só deles. Vale destacar que o Código de Trânsito Brasileiro diz que os condutores dos veículos maiores são responsáveis pela segurança dos menores. Algumas medidas de segurança podem ser adotadas, como a redução do limite de velocidade com radares nessas áreas onde nosso mapeamento registra mais acidentes, melhoria da infraestrutura viária e educação no trânsito. No município do Rio, iniciamos recentemente a experiência com as motofaixas e, apesar de não termos um panorama fechado, já sentimos uma melhora— diz.
Procurada, a prefeitura não informou quais ações vem fazendo para prevenir os acidentes no trânsito.