Descoberto "navio do inferno" japonês usado na 2ª Guerra para transportar prisioneiros
Cerca de 80 anos depois de seu naufrágio, um navio de transporte japonês que levava prisioneiros de guerra britânicos e holandeses durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi descoberto no mar das Filipinas por pesquisadores da Fundação Hellships Memorial. O achado foi divulgado no último dia 14 de junho. A identificação do navio, chamado Hofuku Maru, foi confirmada por meio de uma análise detalhada de dados de sonar, que identificou os destroços na costa oeste de Luzon. De acordo com os pesquisadores, a descoberta representa um grande avanço na investigação de uma das mais trágicas perdas marítimas da Guerra do Pacífico, travada entre Estados Unidos e Japão. Modelo do navio criado por pesquisadores Hellships Memorial Foundation “Esperamos que esta descoberta ofereça às famílias e às nações um lugar para recordar, lamentar e homenagear", afirmou em comunicado John Duresky, historiador da Segunda Guerra Mundial e pesquisador-chefe do projeto. "Este naufrágio não é apenas um sítio histórico — é um túmulo de guerra, uma testemunha silenciosa de uma das piores atrocidades da Guerra do Pacífico." Navio infernal Modelo 3D do Hōfuku Maru Hellships Memorial Foundation Construído em 1918 pela Kawasaki Dockyard Co. Ltd., em Kobe, Japão, o navio Hofuku Maru fazia parte de um comboio japonês atacado por aeronaves dos Estados Unidos em 21 de setembro de 1944. Como não estava identificado como transporte de prisioneiros de guerra, foi atingido por bombas e torpedos e afundou depressa. Lá estavam cerca de mil britânicos e 200 holandeses, muitos já debilitados após anos de cativeiro em campos japoneses. Confinados nos porões sem ventilação, comida ou água, quase todos os homens morreram. Dos que conseguiram escapar, a maioria foi recapturada; alguns se uniram às forças guerrilheiras filipinas e sobreviveram à guerra. Suporte de guincho de guindaste do navio Hellships Memorial Foundation A embarcação integrava o grupo dos chamados “navios do inferno”, como ficaram conhecidos os transportes japoneses que, durante a Segunda Guerra, levavam prisioneiros de guerra aliados em condições precárias e frequentemente letais, resultando na morte de milhares de pessoas. De acordo com a Fundação Hellships Memorial, "esses navios eram superlotados, não possuíam qualquer identificação indicando que transportavam prisioneiros e frequentemente eram atacados por forças aliadas, que desconheciam a presença dos detentos a bordo". Ironicamente, o navio Hofuku Maru também era conhecido como Toyofuku Maru, que significa “retribuição das bênçãos” em japonês. O barco possuía 5.857 toneladas, 117,35 metros de comprimento e era equipado com motores a vapor de tripla expansão, que lhe permitiam atingir uma velocidade máxima de 10 nós (18,5 km/h). Mergulhadores Josh Gates e Evan Kovacs Hellships Memorial Foundation Reconhecimento histórico Equipe da Hellships Memorial Foundation Hellships Memorial Foundation/Discovery Expedition Unknown Timothy Beckensall, historiador da Segunda Guerra Mundial e diretor de buscas da fundação, detalha que a identificação do Hofuku Maru se baseou em correlação histórica, mapeamento sistemático por sonar e cuidadosa confirmação visual. “Desde a estrutura da embarcação até os padrões do campo de destroços, todas as evidências coincidiram com os registros da época da guerra. Não se tratou apenas de uma conquista técnica — foi uma responsabilidade solene documentar um túmulo de guerra com precisão e respeito", disse. Especialistas responsáveis pela descoberta do naufrágio Hellships Memorial Foundation O local será tratado como um túmulo de guerra e memorial às vítimas que morreram em cativeiro. A equipe está preparando a divulgação da documentação completa, incluindo varreduras de sonar, imagens dos mergulhos e relatos de sobreviventes, como parte de um pacote público de mídia. Também estão em andamento esforços para obter o reconhecimento formal do local por meio de canais diplomáticos. “Esta descoberta ajuda a garantir que a memória daqueles que foram perdidos não desapareça e que a história possa dar voz aos homens que não puderam fazê-lo", declarou o fundador da Memorial Hellships, Gerald Anderson. Scanner do naufrágio Hellships Memorial Foundation