#reformaagrria
A música, a poesia, o ritmo e as cores que marcam a cultura alagoana também são presenças confirmadas na 25ª Feira da Reforma Agrária, que acontece do dia 9 ao dia 12 de setembro, na Praça dos Martírios, no Centro de Maceió. A programação do Festival por Terra, Arte e Pão, conta com atrações culturais gratuitas todas as noites, agitando a praça com muita arte. Foto: Priscila Ramos A cantora Juliana Linhares é a primeira artista confirmada da programação da Feira organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Alagoas, e promete não deixar ninguém parado. Cantora, compositora, diretora e atriz potiguar, Juliana Linhares é uma das vozes mais expressivas da música brasileira contemporânea. Com uma trajetória marcada pela força cênica e por uma identidade artística profundamente conectada ao Nordeste, a artista se reafirma como um dos principais nomes da linhagem de invenção da música popular nordestina, articulando tradição e contemporaneidade com olhar crítico e sensível. Além de Juliana, que sobe ao palco no dia 10 de setembro, quinta-feira, a partir das 21 horas, estão previstas, ainda, as apresentações de artistas alagoanos e um conjunto de manifestações da cultura popular do estado, como o Bumba-Meu-Boi e o coco de roda. > “Nossa programação conta com mais de vinte atividades culturais durante todos os dias de Feira, numa bonita expressão da diversidade cultural do nosso estado e da nossa região”, explicou Alana Barros, da coordenação do Festival por Terra, Arte e Pão. Foto: Mykesio Max De acordo com Alana, a programação foi pensada para garantir a pluralidade, o encontro e a afirmação do papel da cultura na construção de novas relações sociais para o campo e para a cidade. “O Festival não é apenas o lugar da festa, do entretenimento, mas sim o local de partilha, de encontro e de celebrar a junção do campo com a cidade que a Feira nos proporciona”. A realização da 25ª Feira da Reforma Agrária e Festival do MST: Por Terra, Arte e Pão! conta com o patrocínio do Banco do Nordeste e é uma realização do Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares, com apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, da União Nacional das Cooperativas da Reforma Agrária Popular do Brasil (Unicrab) e do Governo do Estado de Alagoas. **Confira programação completa:** Dia 9 de setembro 12h – Almoço Musical com Trio Nordestino Irineu Nicácio A partir das 18h Jessica da Rabeca Igbonan Rocha Mary Alves Dia 10 de setembro 12h – Almoço Musical com Trio Gogó da Ema A partir das 18h Maracatu Baque Alagoano Wilma Araújo Juliana Linhares Dia 11 de setembro 12h – Almoço Musical com DJ Adson Ney A partir das 18h Bumba Meu Boi Águia de Ouro Llari Fernanda Guimarães convida: Fidelis, Andréa Laís, Naná Martins e Luiz de Assis Dia 12 de setembro 12h – Almoço Musical com Trio Lulu do Forró A partir das 18h Coco de Roda Reviver Afro Afoxé Mara Damasceno Bento Forrozeiro * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 7, 2026 at 6:22 PM
Caminhada e Ato Político em Defesa da Natureza no assentamento Egídio Brunetto, MT (Foto: MST no MT) Gilmar Mauro e Jade Percassi Da Página do MST Na semana em que se celebra o Dia da Árvore, e no contexto em que o MST realiza o Mutirão Nacional em Defesa da Natureza e do Brasil, republicamos partes do texto “A Vida Humana na Terra depende da superação do sistema capitalista”, escrito por Gilmar Mauro, da Coordenação Nacional do MST, e Jade Percassi, do Coletivo Nacional de Cultura do MST. A íntegra pode ser lida no link (https://fpabramo.org.br/livro/emergencia-climatica-reflexoes-a-partir-da-classe-trabalhadora/). Diante do avanço da crise ambiental e dos extremos climáticos, é, a cada minuto, mais urgente construir outro projeto para o campo e para a sociedade, baseado na produção de alimentos saudáveis, na proteção dos bens comuns e no cuidado com a vida. Na cosmovisão dos trabalhadores e trabalhadoras da terra, povos do campo, das águas e das florestas, a natureza e todos os elementos que compõem o ambiente não são considerados bens econômicos, mas bens comuns, e o acesso a estes um direito fundamental. Compreender que nós humanos somos parte da natureza, e não seres alheios a ela, é o ponto de partida que nos permite refletir sobre a encruzilhada histórica em que nos encontramos, e buscar soluções para possibilitar a continuidade da vida de nossa espécie. Durante milhões de anos, na história da vida na Terra, muitos fenômenos climáticos aconteceram, afetando drasticamente a biodiversidade. Erupções vulcânicas, períodos glaciares, aquecimento global drástico, e mesmo aos asteroides que extinguiram os dinossauros, muitas espécies sobreviveram. No entanto, a ciência tem cada vez mais apontado que, diferentemente de outras eras, as catástrofes deste novo milênio surgem como consequências inevitáveis de um sistema econômico que prioriza o crescimento e o lucro sobre a sustentabilidade e o bem-estar ambiental. As atividades econômicas impulsionadas pelo capitalismo, como a industrialização, o desmatamento e a exploração desenfreada de recursos naturais, vêm causando impactos profundos e variados no meio ambiente, contribuindo para o aumento das temperaturas globais e alterações nos padrões climáticos, exacerbando desigualdades e injustiças ambientais. Os impactos da destruição da natureza afetam desproporcionalmente as populações mais vulneráveis e pobres, que têm menos recursos para se adaptar ou mitigar os danos. As dezenas de mortes ocasionadas pelas chuvas no Litoral de São Paulo, as milhares de famílias desabrigadas pelo ciclone extratropical no Rio Grande do Sul, a seca no Pantanal e incêndios na Amazônia são resultado da falta de políticas efetivas de prevenção e adaptação que evidenciam a emergência de agirmos frente às mudanças climáticas em curso. As Conferências das Partes (COP) das Nações Unidas sobre Mudança Climática foram instituídas para a definição de estratégias e parâmetros para a mitigação das crises ambientais, especialmente em relação às mudanças climáticas. Apontaram medidas a serem tomadas, como o aumento do financiamento climático para países em desenvolvimento e transição justa para economias de baixo carbono, e metas visando a diminuição da emissão de gases de efeito estufa – em 50% até 2030 e 100% até 2050. Apesar dos esforços mobilizados, temos razões para acreditar que nada disso vai acontecer, em razão da predominância dos interesses econômicos do capitalismo. Para mitigar o processo de devastação em curso, seria necessário rever todas as tecnologias da Segunda Revolução Industrial, repensar a produção de mercadorias e o consumo. Mas o capital, para acumular e se expandir permanentemente, precisa avançar sobre a natureza de forma predatória, e assim tem sido: com a exploração devastadora de territórios e recursos naturais em todo o mundo. (…) Em 2020, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra criou o Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis. Trata-se de uma iniciativa para contribuir com a recuperação ambiental, conjuntamente com a potencialização da produção de alimentos saudáveis nos territórios da Reforma Agrária, com a meta de 100 milhões de árvores em dez anos. Desde então, famílias assentadas e acampadas têm plantado árvores nativas, frutíferas, ornamentais, hortaliças, medicinais, nas escolas do campo, cooperativas, centros de formação, praças; construindo a rede de viveiros da Reforma Agrária e recuperando áreas degradadas e nascentes. Sabemos que uma empreitada como esta, embora de extrema importância, não será suficiente para resolver os problemas ambientais do país. No entanto, além da dimensão simbólica, de dar visibilidade à questão ambiental e sua relação com o modo de produção no campo, este processo de envolvimento das pessoas tem uma incidência sobre a mudança cultural necessária. Estamos plantando cuidado, como aprendemos com Paulo Freire; é experimentando-nos no mundo que nós nos fazemos. Além do cuidado com a natureza, a atualidade da Reforma Agrária Popular está precisamente no papel que tem a cumprir para garantir a viabilidade da sobrevivência humana. O programa elaborado e defendido pelo MST é fundamentado no enfrentamento à fome e às desigualdades sociais através da agroecologia, cooperação e coletivização dos bens comuns. Trata- se de uma mudança de paradigma de desenvolvimento, para fortalecer a cultura e a soberania alimentar com sustentabilidade ambiental. Além da reconversão de fábricas de tudo aquilo que não é essencial, é preciso direcionar esforços para agroindústrias, reciclagem e redução de utensílios de uso único, transformação de lixo orgânico em bioinsumos; otimização logística e desconcentração das cidades. Tudo isso requer decisão política. O texto é um capítulo do livro “Emergência Climática: Reflexões a partir da classe trabalhadora”, publicado pela Fundação Perseu Abramo e pela Editora Hucitec em 2025. Leia completo aqui. * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 21, 2026 at 8:22 PM
Foto: Diógenes Rabello Por Vítor Peruch Da Página do MST A Lei de Terras de 1850 não criou a concentração fundiária brasileira, mas deu forma legal a uma estrutura de apropriação de terras que já vinha sendo construída desde o período colonial. Para Gerson Oliveira, geógrafo, educador e militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), aquele momento consolidou uma escolha pelo latifúndio que atravessaria a história brasileira. “A Lei de Terras de 1850 é a institucionalização estatal da concentração fundiária brasileira”, afirma. Na avaliação do pesquisador, porém, a origem do problema é anterior e remonta ao modelo de colonização adotado pelo Império português sob o modelo de sesmarias. Após a Independência, em 1822, Dom Pedro I acabou com o sistema de sesmarias e não colocou nada no lugar. O país passou quase três décadas sem um novo marco para organizar a propriedade da terra. Nesse período, segundo Oliveira, oportunistas aproveitaram o vazio e se apossaram de grandes extensões de terras no interior do país. “Você tem 30 anos de um vazio, um vácuo jurídico no qual avançou muito o apossamento de áreas pelo interior do país, sem um regramento e valia a lei dos “mais fortes” com armas e dinheiro que tinham o poder de expulsar, exterminar os indígenas e se adonar de grandes extensões de terra”, diz. A Lei de Terras, aprovada em 1850, estabeleceu um mercado de terras tendo na compra o principal caminho para a aquisição de terras, e criou mecanismos de regularização das posses já existentes, para quem tinha dinheiro para pagar por ela. Na leitura de Gerson Oliveira, o resultado foi a transformação de uma estrutura de concentração de terra ilegalmente adquirida em propriedade oficialmente reconhecida pelo Estado: “Quem tinha condições de pagar o valor necessário para regularizar as suas terras foi reconhecido como titular proprietário de fato e de direito dessas áreas”, afirma. Ao mesmo tempo, sitiantes, camponeses, comunidades indígenas e quilombolas ficaram fora desse processo. “Isso inaugurou essa insegurança jurídica sobre essas áreas ocupadas pelos trabalhadores pobres, negros, quilombolas, indígenas, de um modo geral”, diz o pesquisador. A escolha também esteve ligada à transição do trabalho escravizado para o trabalho livre. Gerson Oliveira destaca que, naquele período, propostas de reforma agrária chegaram a ser formuladas por abolicionistas como André Rebouças, que defendia tributação das grandes propriedades, estabelecimento de limites para seu tamanho e distribuição de terras como forma de ocupação do vasto território, inclusive por questões de soberania nacional. Foto: MST “Essa política foi derrotada pelo poder latifundiário, inclusive apoiado pelos republicanos, que articularam com os fazendeiros a manutenção da escravidão e, posteriormente, organizaram a imigração branca europeia. Então, a política de reforma agrária nunca foi considerada do ponto de vista do Estado, perdemos essa oportunidade nesse momento submetendo o país desgraçadamente ao poder do latifúndio”, afirma. Para ele, essa opção ajudou a formar posteriormente estruturas de poder regional associadas ao coronelismo, à grave desigualdade social e política, analfabetismo, fome e tantas outras mazelas que ainda hoje não foram superadas. ## **O “grilo mãe” do Pontal** Um dos exemplos mais emblemáticos dessa história está no extremo oeste paulista. O Pontal do Paranapanema, região que concentra hoje grande parte dos assentamentos de Reforma Agrária de São Paulo, também reúne uma das maiores extensões de terras devolutas do estado que somavam algo próximo de 1 milhão de hectares Segundo reportagem recentemente publicada pelo portal _O Joio e O Trigo_ em julho de 2026, a região é marcada por uma longa história de disputas envolvendo terras públicas-devolutas e fazendas instaladas sobre áreas cuja origem dominial foi questionada ou discriminada judicialmente como devoluta. A reportagem aponta ainda que a região concentra 118 dos quase 300 assentamentos paulistas. É nesse território que Gerson Oliveira, baseada em pesquisas sobre a região, identifica o que chama de “grilo mãe”: as tentativas pioneiras de José Teodoro de Souza e Antonio José (ou José Antonio) Gouveia de registrarem em paróquias duas enormes extensões de terras no chamado “sertão desconhecido” paulista. “Os primeiros registros de ocupação ou de tentativa de demarcação ilícita dessa área por estes grileiros aparecem na segunda metade do século XIX, no fim do prazo estabelecido pela Lei Terras de 1850, sob alegação de que possuíam e residiam na região há muito tempo antes ”, relata. Ainda antes da virada do século, em 1890 o então presidente Prudente de Morais, que dá nome à cidade homônima no extremo oeste paulista, anula as medições e demarcações feitas de forma fraudulenta pelos grileiros na região. A Delegacia de Falsificações do estado de São Paulo na época inclusive reconhece, após perícia, que houve falsificação de assinaturas por parte dos grileiros no objetivo de dar veracidade no registro das áreas como a Fazenda Pirapó-Santo Anastácio e outras glebas como a Fazenda Rio do Peixe, etc. O termo “grilagem” faz referência a uma prática atribuída aos primeiros falsificadores de documentos de terra: escrituras forjadas eram colocadas em gavetas com grilos para acelerar a decomposição e o envelhecimento do papel, dando aos documentos uma falsa aparência antiga, amarelada e, portanto, supostamente anterior à Lei de Terras de 1850. A prática é descrita no livro _A ocupação do Pontal do Paranapanema_ , de José Ferrari Leite. “Tanto antes como hoje se sabe que isso foi, vamos dizer assim, a grilagem originária das terras devolutas da região do Pontal”, afirma. Processo que deu origem ao que chama de “grilo mãe” das terras devolutas do Pontal do Paranapanema, especialmente em torno da Fazenda Pirapó-Santo Anastácio. A reportagem de _O Joio e O Trigo_ também recupera essa história. Segundo o levantamento publicado pelo portal, a Pirapó-Santo Anastácio teve registro forjado sobre 583 mil hectares de terras públicas. Outra grande propriedade, a Boa Esperança do Aguapeí, teve uma cadeia dominial originada em registro forjado sobre 872 mil hectares. Juntas, as áreas correspondiam a aproximadamente 5,6% do território paulista. O problema atravessou diferentes governos. Gerson Oliveira afirma que houve tentativas de legitimação na década de 1940 e 50, durante a ditadura militar e posteriormente em governos paulistas, mas sem solucionar integralmente a situação. A lei atualmente vigente, embora questionada no STF ainda em fase de votação, tem essas bases históricas e se não fosse a luta do MST e dos movimentos sociais organizados da sociedade já teria sido aprovada desde o governo José Serra (2007-2010), quando foi mais uma vez tentada a regularização de áreas acima de 500 hectares. ## **Tarcísio e a nova regularização** É nesse histórico que Gerson Oliveira enquadra a política fundiária do governo Tarcísio de Freitas. A Lei estadual nº 17.557/2022 criou o Programa Estadual de Regularização de Terras. O programa prevê descontos que podem chegar a 90% sobre o valor de mercado e vem sendo utilizado pelo governo paulista principalmente no Pontal do Paranapanema. Ainda segundo a reportagem do portal _O Joio e O Trigo_ , 250 fazendas instaladas em terras públicas, somando cerca de 131 mil hectares, já haviam concluído os trabalhos técnicos de regularização. **LEIA MAIS: Programa de Tarcísio que regulariza fazendas em terras griladas pode ser declarado inconstitucional pelo STF** Para Gerson Oliveira, a iniciativa representa uma continuidade — em escala ampliada — das tentativas anteriores de legalização das invasões: “O governo Tarcísio levou adiante o projeto que aí sim é a entrega indiscriminada de todas essas áreas, ele está doando o patrimônio público que pertence a toda população. É uma verdadeira institucionalização da grilagem, uma espécie de “varejão de terras” para os espoliadores amigos do Governador e de seu grupo político”, afirma. Na avaliação do pesquisador, a comparação com 1850 é direta: “É como se ele estivesse reeditando essa Lei de Terras, mas numa versão muito pior, pois não se observa sequer os critérios mínimos do cumprimento da função social da propriedade conforme estabeleceu a Constituição de 1988. Ou seja, está entregando terras descaradamente improdutivas, que devastaram o meio ambiente, além de outros crimes que estão envolvidos os supostos donos”, diz. Entre as razões apontadas por Gerson Oliveira estão o valor cobrado pelas terras e a ausência, segundo ele, de uma avaliação prévia sobre produtividade, função social, situação ambiental e eventual existência de trabalho escravo ou atividades ilícitas. “Independente dessas áreas serem produtivas ou não, de estarem em acordo com a legislação ambiental, de estarem preservando a natureza, do meio ambiente, de não haver trabalho escravo, enfim, ou não tiver atividades ilícitas, independente disso, ela pode então ser regularizada pela lei do Tarcísio”, afirma. A fazenda Santa Cruz do Kurata tem cerca de 1.400 hectares, e é uma das centenas de terras que foram griladas na região (Foto: MST) A lei é questionada no Supremo Tribunal Federal por meio da ADI 7326/2022. O julgamento começou em maio de 2026, com voto favorável da relatora, ministra Cármen Lúcia, mas foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou favoravelmente à ação. Segundo a reportagem do portal _O Joio e O Trigo_ , em 2023, o governo federal chegou a oferecer pagar o valor integral de mercado de fazendas em terras públicas para destiná-las à Reforma Agrária, proposta que teria sido rejeitada pelo governo paulista. ## **Uma disputa que vai além da propriedade** Para Gerson Oliveira, a disputa não se resume à titularidade das terras. Há, de um lado, a luta para destinação dessas áreas para a reforma agrária e, de outro, o interesse econômico associado à transformação da terra em ativo financeiro: “No fundo, é uma estratégia política com viés econômico diante da crise internacional”, afirma. Segundo ele, os trabalhadores Sem Terra da região junto com o MST passaram a denunciar de forma mais sistemática a existência das terras devolutas do Pontal a partir da década de 1980, e a reivindicar sua destinação para a Reforma Agrária. Ao longo das décadas seguintes, entre 145 mil e 150 mil hectares teriam sido recuperados e transformados em assentamentos rurais, abrigando cerca de 8 mil famílias. “Mas ainda há mais de 240 mil hectares nas mãos dos fazendeiros, e agora o projeto de lei está institucionalizando essa grilagem para os fazendeiros”, afirma. _O Joio e O Trigo_ também aponta a dimensão política da disputa. A reportagem afirma que o governo Tarcísio transformou a regularização fundiária em uma de suas principais bandeiras e passou a associá-la à ideia de “segurança jurídica” e atração de investimentos para a região. Gerson Oliveira acrescenta que, entre os argumentos apresentados pelos defensores da titulação, está a possibilidade de acesso a crédito, já que a insegurança jurídica dificultaria o financiamento das propriedades. Para ele, porém, o processo pode ir além: “É também uma preparação, na minha opinião, para um cenário de reprodução da lógica de especulação financeira sobre as terras, que é muito parecido com o que vem ocorrendo, por exemplo, na região do Matopiba e em outras regiões brasileiras, onde a terra passa a configurar como um ativo, como uma espécie de ativo econômico para as empresas internacionais”, diz. ## **Da terra ao subsolo** A mesma fragilidade fundiária, segundo o pesquisador, ganha outra dimensão quando se considera a exploração mineral. No Brasil, os recursos minerais do subsolo pertencem à União, independentemente da propriedade da superfície. Para Gerson Oliveira, isso cria uma relação específica entre quem possui a terra e as empresas interessadas na exploração mineral: “Quando há dúvidas, quando há sobreposição, quando há um questionamento sobre o proprietário dessas áreas, isso gera novas disputas”, afirma. O problema, segundo ele, é que a indefinição sobre a propriedade pode favorecer as empresas interessadas na exploração: “Quando há essa dúvida, facilita para as empresas, porque está em disputa judicial, está em disputa entre os possíveis proprietários, e aí acaba que ela não precisa pagar essa indenização, essa participação”, diz. Para comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e tradicionais, a situação seria ainda mais grave, segundo Gerson Oliveira: “Quando é uma comunidade indígena, ou quilombola, ou ribeirinha, ou tradicional, facilita ainda mais, porque, em geral, esses povos não têm o direito de propriedade dessas áreas, então a empresa não precisa pagar nada”, afirma. Ele relaciona a exploração mineral também a impactos ambientais, conflitos territoriais e pressão sobre comunidades: “São grandes extensões que são exploradas, e ali não se dá mais nada, a produção praticamente é morta, o solo acaba sendo transformado em terra morta, sem nutrientes”, diz. O pesquisador afirma ainda que as consequências não se restringem ao solo. Ele cita a pressão sobre recursos hídricos, a violência em áreas de conflito e a exploração mineral ilegal. “Todo o processo de exploração da mineração envolve um uso intensivo de recurso hídrico, e isso acaba levando à seca e à escassez de água nas comunidades, não apenas para a produção agrícola, mas para o consumo humano”, afirma. Gerson Oliveira também chama atenção para a presença de interesses minerários em áreas destinadas à Reforma Agrária: “Para você ter uma ideia, 50% dos territórios de assentamentos no Brasil já passam por essa insegurança em relação a essas pressões de interessados na exploração minerária”, afirma. ## **A disputa pela soberania** É nesse ponto que a discussão sobre propriedade da terra, Reforma Agrária e mineração, na avaliação de Gerson Oliveira, passa a ser também uma discussão sobre soberania. Para o pesquisador, a ausência de um mapeamento completo das propriedades rurais brasileiras ajuda a perpetuar a insegurança fundiária: “Ainda hoje não há um mapeamento 100% organizado sobre a extensão do território brasileiro e o tamanho exato das propriedades”, afirma. “Não se sabe o real tamanho das propriedades e quem são os verdadeiros donos de grande parte dos latifúndios brasileiros.” Na leitura de Gerson Oliveira, essa situação não é apenas uma deficiência administrativa. Faz parte de uma estrutura histórica relacionada ao modelo de desenvolvimento brasileiro: “Então é um projeto de Estado, desde sempre, que está voltado para aquilo que o Caio Prado Júnior definiu como sentido da própria colonização, que é o fornecimento de mercadorias primárias para as metrópoles”, afirma. “Se o modelo é agroexportador, então faz sentido manter essa insegurança jurídica sobre a propriedade e essas grandes extensões de terra na mão de um conjunto reduzido de famílias”, completa. O pesquisador também relaciona esse processo ao avanço do capital internacional sobre terras e recursos brasileiros: “Há toda uma conformação hoje que está muito avançada no sentido de facilitar a exploração do capital internacional sobre esses recursos, sobre essas terras no Brasil, que colocam em xeque a própria soberania brasileira, a soberania territorial do nosso país”, afirma. A resposta, para ele, passa por uma política que articule Reforma Agrária, soberania territorial e controle sobre os recursos naturais: “Para romper com esse padrão, a gente volta à questão da Reforma Agrária como alternativa, inclusive, para a soberania nacional, para a soberania territorial, para a soberania alimentar e para a soberania popular na mineração”, diz. Gerson Oliveira defende ainda a revisão do Código de Mineração e de normas que, segundo ele, facilitaram a atuação do capital internacional, além da demarcação de territórios indígenas e quilombolas e da definição de áreas destinadas à Reforma Agrária. Também considera necessário estabelecer limites para a exploração mineral em áreas ambientalmente sensíveis: “Não é possível permitir a exploração de minérios, seja de terras raras ou minerais críticos, em áreas sensíveis”, afirma. Para ele, o debate precisa incluir os movimentos sociais que acompanham os impactos da mineração: “Acho que a gente precisa ouvir mais o que o Movimento pela Soberania Popular na Mineração tem dito. O Movimento dos Atingidos por Barragens também tem há muitos anos defendido. E o MST e as comunidades indígenas quilombolas têm denunciado em relação a esse modelo predatório de exploração mineral.” Passados 176 anos da aprovação da Lei de Terras, a disputa permanece. Mudam os produtos e os interesses econômicos — da terra para o café e a cana ao interesse contemporâneo por minerais críticos e terras raras —, mas, para Gerson Oliveira, permanece a questão central: quem controla o território e quem se beneficia de sua riqueza. Editado por: Aline Antunes * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 18, 2026 at 2:47 PM
Foto: Alí Nacif Por Alí Nacif Da Página do MST A presença das crianças marcou a abertura da VI Feira da Reforma Agrária em Belo Horizonte. Filhos e netos das famílias Sem Terra participaram do momento, reunindo diferentes gerações em torno da produção, da cultura, da organização e da luta pela Reforma Agrária Popular. Durante os três dias de programação, a ciranda é um dos espaços dedicados às crianças. Mais do que garantir um lugar para brincar enquanto as famílias participam das atividades da Feira, a iniciativa constrói um ambiente de convivência, cuidado e formação, onde a infância também ocupa um lugar na organização do Movimento. A programação reúne oficinas de pipas, bolas de sabão, pintura e colagem, além de contação de histórias, música e outras atividades de arte e cultura. São momentos que estimulam a criatividade, a expressão e a convivência entre as crianças, fortalecendo relações baseadas na partilha e na vida coletiva. Foto: Alí Nacif Para o MST, a ciranda faz parte da construção dos espaços de organização das famílias Sem Terra. Enquanto mães, pais, avós e outros familiares participam das atividades da Feira, as crianças também vivenciam a experiência coletiva, encontram outras crianças e constroem suas próprias formas de participação. Uma das crianças chamada Beto, perguntada o que era estar na Feira e na Ciranda, prontamente e com um sorriso largo respondeu – _“MEU PAI E MINHA MÃE ESTÃO TRABALHANDO E EU ESTOU COM MEUS AMIGOS E MEUS TIOS CURTINDO ESSE DIA”_ Na abertura da Feira, essa presença ganhou um significado especial. Crianças, filhos e netos acompanharam suas famílias em um momento de celebração e de luta. São diferentes gerações reunidas em um mesmo espaço, mostrando que a Reforma Agrária Popular também é pensada a partir da vida e do futuro das novas gerações. A ciranda, nesse sentido, não é apenas um lugar de recreação. É também um espaço de formação. Por meio da brincadeira, da arte, da cultura e da convivência, as crianças experimentam outras formas de relação, construídas a partir do cuidado, da solidariedade e da cooperação. Uma pipa feita pelas próprias mãos, uma pintura compartilhada, uma história contada, uma roda de música ou uma brincadeira com bolas de sabão fazem parte de um processo maior. São experiências que ajudam a construir, desde a infância, valores que estão presentes no cotidiano das famílias Sem Terra e na organização do Movimento. A construção desses espaços também expressa a compreensão do MST de que a infância precisa estar presente nos territórios e nas atividades do Movimento. O direito de brincar, criar, aprender e conviver está relacionado à construção de uma sociedade que coloque a vida no centro e garanta às novas gerações condições para viver com dignidade. Foto: Alí Nacif Na VI Feira da Reforma Agrária, as crianças também ocupam a cidade. Elas chegam acompanhando suas famílias, conhecem outras crianças, participam das atividades e deixam suas marcas no espaço por meio dos desenhos, das brincadeiras, das perguntas e dos sonhos. A luta pela terra, portanto, não se encerra na conquista de um pedaço de chão. Ela envolve a construção de condições para que as famílias possam viver, produzir, estudar, brincar, criar seus filhos e garantir um futuro com dignidade para as próximas gerações. “Nossas crianças são o futuro” é uma afirmação que ganha sentido quando o presente também é construído para elas. Cuidar da infância, garantir espaços de convivência e assegurar o direito à cultura, à arte e à brincadeira também faz parte da luta pela Reforma Agrária Popular. Na Feira da Reforma Agrária, a ciranda é espaço de cuidado, cultura e formação. É onde as crianças podem brincar, criar e conviver enquanto suas famílias apresentam ao povo da cidade a produção, a organização e a força da luta Sem Terra. É também onde o futuro começa a ser construído no presente. * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 16, 2026 at 6:25 PM
MST no Paraná fortalece organização para as eleições e a Reforma Agrária Popular.
- bsmst
https://mst.org.br/2026/09/15/mst-no-parana-fortalece-organizacao-para-as-eleicoes-e-a-reforma-agraria-popular/
#notcias #paran #reformaagrria
Foto: Juliana Barbosa _Por Coletivo de Comunicação e Cultura do MST, no Paraná_ _Da Página do MST_ Vencer as eleições com o Projeto Popular nas urnas, avançar na organização da Reforma Agrária Popular nos territórios e enfrentar todas as formas de violência. Estas foram as tarefas centrais debatidas entre mais de 500 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante a Reunião da Coordenação Estadual no Paraná, entre os dias 20 e 22 de agosto. Foram três dias potentes de formação, organização, debates, mística e também de memória. Num grande encontro entre camaradas, o local foi o assentamento 8 de Junho, em Laranjeiras do Sul, mesmo local que se transformou na sede da Brigada de Solidariedade do MST PR com as famílias atingidas pelos tornados em novembro de 2025. A Plenária Popular: Defender a Soberania, a Natureza e Transformar a Vida do Povo Brasileiro marcou o encerramento do encontro. Com palavras de ordem e muito ânimo, ficou reafirmado o compromisso com a reeleição do presidente Lula; Gleisi e Rosinha ao Senado; de Requião Filho para o Governo do Paraná; e de uma grande bancada progressista de deputados estaduais e federais. Estavam presentes os candidatos ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, além de candidatos à Assembleia Legislativa do Paraná e à Câmara dos Deputados. Foto: Juliana Barbosa João Pedro Stedile, da Direção Nacional do MST, enviou um vídeo com uma avaliação sobre os rumos das eleições, e propôs que a militância se dedique ao diálogo direto com a população. “Nós temos que disputar o coração das pessoas. Nós temos que ir de casa em casa, conversar com as pessoas, olho no olho. O maldito zap não serve pra convencer as pessoas, porque pelas redes sociais os grupos já estão consolidados e você não muda a opinião das pessoas apenas pelas redes sociais”, afirmou. >> Assista aqui o resumo da plenária: https://youtube.com/shorts/dDpTtFrKb8k?si=xVPe-esSBiUQdE2l A companheira deputada federal Gleisi enfatizou o avanço do conservadorismo e do imperialismo, que colocam as eleições deste ano como centrais para a classe trabalhadora brasileira. “É esta encruzilhada histórica. Nós temos a obrigação, enquanto campo progressista, político de esquerda, de não deixar a extrema direita voltar a governar o Brasil. É obrigação nossa”. “Vamos fazer uma campanha intensiva, organizar o território, fazer o debate e transformar em voto e organização popular”, sintetizou Roberto Baggio, integrante da direção do MST. Baggio relacionou o espaço de reunião do encontro da militância Sem Terra ao lançamento da campanha do presidente Lula, no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), no dia 16 de agosto. Aquele foi o local em que Lula fez um discurso histórico durante a greve dos metalúrgicos do ABC Paulista, há 47 anos. Já no território do Assentamento 8 de Junho, há 30 anos era o latifúndio Giacomet-Marodin, o maior da região Sul à época, com cerca de 83 mil hectares. Em 1996, cerca de 15 mil pessoas ocuparam aquela terra, que hoje é o maior complexo da Reforma Agrária da América Latina, com cerca de 5 mil famílias camponesas. “Os operários venceram naquele tempo histórico, e estamos aqui num lugar muito especial também. A Vila Euclides é aqui hoje, para nós camponeses. Aqui também vencemos. E o encontro dessas duas energias tem que ser a fonte pras batalhas adiante. Vamos fazer uma campanha intensiva de organizar o território, fazer o debate e esse debate transformar em voto e organização popular para os trabalhadores”, completou o dirigente. O encontro também teve a presença do companheiro Dr. Rosinha; além dos candidatos à Assembleia Legislativa Bia Alcântara, Guilherme Mazer, Inácio Werle, Matteus Henrique, Professor Lemos, Teresa Mendes, Vanda de Assis, e as candidatas e os candidatos à Câmara dos Deputados Ana Julia, Carol Dartora, Celio Rodrigues, Elton Welter, Luciana Rafagnin, Márcio Kieler e Tadeu Veneri. ## **Anti-imperialismo para garantir soberania nacional** As místicas e os momentos formativos trouxeram a urgência da luta anti-imperialista, em especial contra as atrocidades cometidas pelo governo dos Estados Unidos, com a conivência de outros países. Com bandeiras, estandartes, canções, e com o ânimo e a rebeldia da Juventude Sem Terra, as centenas de militantes reafirmaram o compromisso com o princípio do internacionalismo, em especial em solidariedade a Cuba, Venezuela e Palestina. No ano do centenário de Fidel Castro, sua trajetória revolucionária e seu legado de luta, organização e defesa da soberania dos povos também foram homenageados. Foto: Isabela Molin Edson Bagnara, integrante da direção nacional do MST, apresentou a análise de conjuntura durante o encontro, e enfatizou o papel do Movimento neste cenário de crise estrutural do capitalismo: “É nossa tarefa estratégica disputar a integração da América Latina, buscando a união que construa a grande pátria latino-americana”. ## **Violência Contra as Mulheres** A violência contra as mulheres tem se tornado um tema de preocupação recorrente, devido ao crescente aumento nos casos de feminicídio e de agressão contra a mulher no país. O Paraná é o terceiro estado com maior número de feminicídios, em 2026, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O combate a violência de gênero nas mais variadas instâncias faz parte do Programa Agrário do MST, que propõe uma sociedade baseada na equidade e na justiça social. Maria Izabel Grein, integrante da coordenação do MST PR afirma: “Nós Sem Terra estamos na luta pela emancipação humana. Se queremos o socialismo, a Reforma Agrária Popular, a cooperação e a agroecologia, só é possível se nós vencermos todas as formas de violência”. José Damasceno, coordenador da Frente de Massas no Paraná, atribui este aumento da violência de forma geral à ascensão do imperialismo internacional. “É um período crítico que nós estamos vivendo em que se consolida a ascensão do fascismo e acelera a expressão da barbárie e da violência generalizada”, afirma. Desde de 2022 o MST constrói nacionalmente, o Protocolo de Enfrentamento às Violências, com diretrizes e orientações para o combate às violências nos territórios da Reforma Agrária Popular, e que foi discutido na plenária estadual. Mirian Kunrath, coordenadora do Coletivo de Mulheres no Paraná comenta: “não é possível efetivar a Reforma Agrária Popular e a organização das nossas comunidades de resistência em ambientes violentos. A gente reafirma a necessidade de construir relações de gênero emancipadoras e que promovam a igualdade nas condições organizativas, políticas e econômicas dentro da nossa organização”. ## **Espaço da Saúde Popular Dona Maria** O setor de saúde é um dos coletivos presentes dentro da organização do nosso Movimento e, dentro de cada base interna. O espaço onde se organiza vai além de ser apenas um local de cuidado com a saúde, é um centro formativo, um lugar de acolhimento e que representa a coletividade e a organização. Durante os três dias do encontro estadual da coordenação, o coletivo se mobilizou para estar presente participando ativamente durante todo o tempo. Montaram o espaço Dona Maria disponibilizando uma variedade de chás, fitoterápicos, bioenergia e terapias. O nome Dona Maria, foi colocado em homenagem a companheira com grande jornada de contribuição com a saúde popular, que faleceu em junho de 2026. A coordenadora da saúde, Sirlei de Fátima Morais, assentada no Assentamento Guanabara, município de Imbaú, ela diz: “Entendemos que nós fizemos parte dessa organização, todo esse coletivo que está aqui participa da sua contribuição com um olhar humano para que todo o evento aconteça e nós façamos parte dessa construção, do nosso projeto popular.” ## **Ciranda Infantil Gralha Azul** Nesses momentos de pensar e definir os próximos passos da organicidade do Movimento, é o trabalho conjunto que dá concretude às construções políticas coletivas. Espaços como o da ciranda infantil são fundamentais para a realização desses debates. Para além de um espaço para deixar as crianças, as-os educadoras desenvolvem atividades lúdicas e de formação. Denice de Campos, educadora que trabalha na ciranda há mais de 10 anos, conta sobre a importância desse espaço. “Ela tem esse papel de garantir que as mulheres participem dos encontros do Movimento, já que na maioria das vezes quem fica em casa seriam as companheiras, que se tivessem com quem deixar o filho, não viria. E nesse encontro nós temos bastante companheiras, isso reflete como é fundamental a ciranda”. Ciranda Infantil Gralha Azul promove atividades lúdicas e educativas para as crianças durante o Encontro Estadual do MST no Paraná. A ciranda recebe crianças de seis meses a 12 anos de idade. Durante esse encontro foram recebidas quinze crianças e dez educadores. ## **Assembleia da Juventude** A juventude Sem Terra tem atuado como uma das linhas de frente do MST, propagando e difundindo as linhas políticas do Movimento. A juventude organizada tem realizado diversas mobilizações, entre elas, a Jornada da Juventude Sem Terra com o tema da solidariedade entre os povos, o anti imperialismo e a luta pelo socialismo. “A gente precisa estar à frente de todos os processos de luta do Movimento Sem Terra no próximo período. A juventude é quem incendeia as ideias revolucionárias, nós vamos bater no peito e defender o socialismo, afirmou a dirigente da juventude, Ana Clara Garcia Lazzarin. >> Confira aqui as tarefas da juventude: Que também frisou a importância da formação para os jovens, aproveitando os cursos realizados a partir do Programa de Educação para Reforma Agrária (Pronera). ## **A agroecologia que vira alimentação saudável no prato** Durante a Reunião da Coordenação Estadual do MST, a alimentação foi garantida para as centenas de pessoas participantes com qualidade, diversidade e fartura. Cada região e brigada trouxe os utensílios e também a diversidade de alimentos produzidos nos territórios: legumes, frutas, mandioca, batata, grãos, pães, café, bolachas, doces, carnes e tantos outros alimentos. A organização funcionou a partir de cinco cozinhas coletivas, de diferentes regiões do estado. Companheiras e companheiros se revezaram nas cozinhas para preparar as refeições e garantir a energia de toda a militância participante. Ângela Paixão, produtora agroecológica da comunidade Recanto da Natureza, de Laranjeiras do Sul, estava entre as coordenadoras da cozinha. Ela contou que os trabalhos começaram dias antes, para garantir a infraestrutura mínima, e também com a produção de pães, bolachas e as colheitas nas comunidades, em todo o estado. “Os alimentos que estão aqui, que a gente está servindo, essa diversidade que vocês viram aqui durante esse período, veio das nossas áreas, frutas, verdura, os assentamentos, eles produzem comida, os acampamentos eles produzem comida. Nós produzimos nosso alimento, nosso alimento saudável, de qualidade”, garantiu a camponesa. >> Veja aqui um pouco mais sobre como funcionaram as cozinhas coletivas: https://youtube.com/shorts/13K4nDmuOaQ?is=56wAPPOxmuwHY71x Ao final deste grande encontro, realizado a muitas mãos, a síntese da companheira Bruna Zimpel, integrante da Coordenação Nacional do MST, reforçou a importância do avanço nas ações de formação e organização nos territórios: “A fortaleza de uma organização é o povo organizado e com consciência”. A militante Sem Terra do Paraná voltou para as comunidades da Reforma Agrária com as energias renovadas para construir uma grande campanha e seguir, no cotidiano, fortalecendo a organização popular e a construção do Projeto Popular para o Brasil. * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 15, 2026 at 8:53 PM
Foto: Reprodução Da Página do MST Realizado entre os dias 10 e 12 de setembro de 2026, **o IV Encontro Sinodal Fratelli Tutti: Diálogo Socioambiental Norte-Sul** reuniu lideranças da Igreja Católica, movimentos sociais, sindicatos, universidades e o setor empresarial para debater a integração global e os eixos fundamentais inspirados na encíclica Fratelli Tutti, na Casa Geral de La Salle, em Roma. “Todos irmãos” é a tradução para o português da encíclica do Papa Francisco, que propõe uma reflexão sobre o ideal de fraternidade universal e sobre a necessidade de reconstruir a vida social a partir de vínculos mais solidários, justos e pacíficos. Publicada em 2020, a encíclica _Fratelli Tutti_ convida a humanidade a cultivar uma cultura de encontro capaz de superar conflitos, desigualdades e diferenças. A atividade em Roma teve como objetivo consolidar um espaço de diálogo entre atores das Américas do Norte e do Sul, com especial atenção para a realidade do trabalho, da transição ecológica e dos novos desafios frente às novas tecnologias. O MST esteve entre os movimentos populares presentes no encontro, e participou da entrega de documento que apresenta as emergências socioeconômicas de nossos países, e a necessidade de promover desenvolvimentos tecnológicos com sentido social, a serviço da vida humana. De acordo com representante do Movimento Sem Terra no encontro, os participantes trabalharam em torno de três eixos fundamentais para as Américas: O mundo do trabalho e transição ecológica; Impactos do extrativismo e a urgência de dar voz ativa às comunidades afetadas pela exploração mineral e extrativista na América Latina; e os desafios éticos e sociais das inovações tecnológicas e da inteligência artificial. O evento foi promovido em conjunto pelo Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) e pela Pontifícia Comissão para a América Latina. ## **Não temos tempo para ter medo!** Durante o encerramento, o Papa Leão XIV encorajou os participantes a “não terem medo” e a atuarem ativamente na promoção de uma “cultura da negociação” voltada ao bem comum. Para Rodrigo Suñe, da Direção do Setor de Internacionalismo do MST, o encontro com o Papa reforça nosso compromisso com a esperança coletiva, e renova nossa mística para seguir no trabalho organizado, sempre em defesa da dignidade humana, e dos bens comuns da natureza, que é a nossa Casa Comum. * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 15, 2026 at 4:57 PM
Por Agatha Azevedo Da Página do MST Foto: Pedro Veberling Entre os dias 11 e 13 de setembro de 2026, Belo Horizonte recebe, na Serraria Souza Pinto, a VI Feira da Reforma Agrária Popular. Ação permanente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Feira reúne produtos das famílias assentadas e acampadas, experiências de produção agroecológica, manifestações culturais e espaços de cuidado e articulação política. Composta pelas diferentes dimensões da Reforma Agrária Popular, o evento traz a produção de alimentos saudáveis, a defesa da soberania, o projeto de massificação agroecológica e defesa da biodiversidade, além da luta pelo direito à terra, em um só lugar. E é para mostrar um pouco dessa imensa diversidade, que preparamos uma lista com oito coisas que você só encontra na Feira. **1. Passarinhos de papel machê que também contam histórias de luta** Foto: Pedro Veberling Da Zona da Mata, as famílias do Acampamento Roza Cabinda trazem a cultura popular para retratar as paisagens da região e transformam papel machê em passarinhos da fauna brasileira. A matéria prima também serve para criar outras produções criativas, como os chaveiros com a bandeira do MST. O acampamento foi ocupado em 1º de maio de 2024, Dia do Trabalhador, e é referência em arte e produção agroecológica. Nas mãos das famílias, o artesanato se torna também uma forma de expressar a identidade, a memória e a resistência do território. **2. Geleias e licores de frutos do cerrado que você talvez nunca tenha provado** Foto: Pedro Veberling Murici, jenipapo, seriguela, maracujá do mato e coquinho azedo: a lista de sabores do Cerrado inclui geleias e licores produzidos pela Cooperativa Veredas da Terra e pelo coletivo de mulheres Flores de Pequi. A produção vem dos Assentamentos do MST Professor Mazan, Estrela do Norte e do Acampamento João Pedro Teixeira, todos na regional Norte de Minas. São alimentos que carregam a diversidade dos biomas e o trabalho coletivo das famílias da Reforma Agrária. **3.Banana-marmelo: a banana que também vai para a panela** Foto: Pedro Veberling Produzida no Assentamento 2 de Julho, na regional Metropolitana do MST, a banana-marmelo é cultivada pelo casal José Ross e Dona Lia. Diferente de outras variedades mais conhecidas, a fruta é ideal para comer frita ou cozida. Um alimento que mostra como a agricultura camponesa tem a capacidade de proteger e cultivar variedades alimentícias que fazem parte da cultura alimentar de diferentes regiões. **4. Cumari: a pimenta que o passarinho planta** Foto: Pedro Veberling A pimenta-cumari, também chamada de pimenta-passarinho, tem esse nome porque são os passarinhos que ajudam a plantá-la. De cultivo difícil, ela é produzida no Vale do Mucuri, no Sítio Pacajus, em Itaipé, cidade próxima à Teófilo Otoni. A variedade também carrega uma história de resistência: segundo os produtores, não germina em territórios contaminados por agrotóxicos. **5. Maxixe nativo dos Vales** Foto: Pedro Veberling Cultivado pela família de Dona Aparecida e Zé Banha, assentados Egídio Brunetto, no Vale do Rio Doce, o maxixe é uma planta rústica, nativa da região e muito consumida pelo povo dos Vales. Na cozinha, pode ser preparado refogado com carne ou servido puro ou com cheiro verde no almoço. Na Feira, ele aparece como exemplo da diversidade de alimentos produzidos pelas famílias Sem Terra. **6. Mudas nativas que carregam o futuro da biodiversidade** Foto: Pedro Veberling Pitomba da Mata Atlântica, orquídea-baunilha do Cerrado e panaceia, árvore conhecida por seus usos curativos. As mudas dos viveiros do MST em Minas Gerais estão sendo vendidas a preços populares e mostram que a Reforma Agrária também envolve cuidado com a biodiversidade e preservação de espécies. Quem adquire uma muda leva consigo a possibilidade de cultivar vida e contribuir para a recuperação dos territórios. **7. Cuidados populares em saúde, porque saúde também é luta** Foto: Mariana Jaimes Na Área de Cuidados do Setor de Saúde do MST Diva França, o cuidado aparece como prática coletiva, conhecimento popular e construção de autonomia. A proposta parte de uma compreensão ampliada de saúde: mais do que tratar doenças, saúde é cuidar da vida em todas as suas dimensões e construir a capacidade de lutar contra tudo o que nos oprime. **8. Ciranda Infantil: um espaço onde brincar também é construir** Foto: Pedro Veberling Enquanto as famílias participam das atividades da Feira, a Ciranda Infantil oferece às crianças um espaço de cuidado, brincadeira, convivência e formação. A Ciranda faz parte da organização do MST e reafirma que as crianças também participam da construção da vida coletiva e são sujeitos do presente da reforma agrária. Com a palavra de ordem “Sem Terrinha em Movimento: brincar, sorrir e lutar”, a ciranda é um espaço onde a luta se encontra com a alegria, a criatividade e o direito de brincar. * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 14, 2026 at 4:37 PM
_Laura Sabino Da página do MST_ Foto: Iris Pacheco Neste sábado (12), a 6ª Feira Estadual da Reforma Agrária, em Minas Gerais, colocou no centro de seus debates uma compreensão fundamental: não é possível explicar e combater a concentração de terras no Brasil sem discutir a questão racial. A estrutura fundiária brasileira foi construída sobre a invasão dos territórios indígenas, a escravização da população negra e a concentração da propriedade nas mãos de poucos. Por isso, falar em Reforma Agrária também é compreender quem foi historicamente expulso da terra, quem trabalhou nela sem receber e quem acumulou patrimônio e poder político por meio dessa exploração. Para Makota Celinha, coordenadora-geral do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (CENARAB), a Feira da Reforma Agrária também é um espaço para recuperar histórias de resistência que foram apagadas e reconhecer o protagonismo negro nas lutas pela liberdade, pela terra e pela transformação social. Ela destacou que o racismo não pode ser tratado como uma pauta separada da luta pela Reforma Agrária. “Os primeiros Sem Terra foram os povos negros trazidos à força para estas terras, onde não tinham direito a própria terra e foram obrigados a trabalhar sem receber nada em troca. Hoje, a população negra permanece entre as principais vítimas dos conflitos territoriais e da precarização do trabalho”, afirmou. Dos quilombos às ocupações de terra, a população negra sempre esteve no centro da resistência popular. Organizou comunidades, preservou conhecimentos, produziu alimentos e enfrentou o latifúndio. Essa história permanece viva nas famílias que hoje constroem acampamentos, assentamentos, cooperativas e experiências de produção agroecológica. Maíra, do Setor de Formação do MST na região Norte de Minas Gerais, lembrou que a concentração fundiária faz parte de uma estrutura do próprio Estado brasileiro que, ao longo da história, negou território, trabalho digno e condições de vida à população negra. “O Estado brasileiro criou mecanismos para impedir o acesso das pessoas negras à terra, como a Lei de Terras de 1850. Enquanto os antigos senhores de engenho mantiveram suas propriedades e seu poder, a população negra foi empurrada para o trabalho precarizado no campo e para as periferias das cidades”, explicou. Aprovada ainda durante o regime escravista, a Lei de Terras estabeleceu a compra como principal forma de acesso à propriedade. Em um país onde a população negra escravizada não recebia salário, a medida determinava, na prática, quem poderia se tornar proprietário e quem continuaria excluído. Mesmo depois da conquista da liberdade formal, a população negra não recebeu terras, reparação ou condições materiais para construir uma vida digna. Enquanto o patrimônio dos grandes proprietários foi preservado, milhões de pessoas negras foram lançadas ao trabalho precarizado, à exploração e à pobreza. A abolição encerrou juridicamente a escravidão, mas não destruiu as estruturas econômicas e políticas construídas por ela. O latifúndio permaneceu. A concentração da riqueza permaneceu. E a população que durante séculos trabalhou na terra continuou impedida de ter acesso a ela. #### **Reforma Agrária Popular também é luta antirracista** Pai Paulo Azarias defendeu que, o projeto de Reforma Agrária precisa ser popular e isso é, necessariamente, antirracista. Democratizar o acesso à terra significa enfrentar uma estrutura formada pelo colonialismo, pela escravidão e pela exclusão histórica da população negra e garantir território, trabalho, produção de alimentos, dignidade e poder político a quem teve esses direitos negados durante séculos. “Discutir o racismo na Feira da Reforma Agrária não é acrescentar um assunto secundário à programação. É debater o próprio centro da questão agrária brasileira. Terra, raça e classe fazem parte da mesma história e também precisam fazer parte do mesmo projeto de transformação”, afirmou. Levar esse debate para dentro da Feira significa ainda reconhecer os desafios presentes nas próprias organizações populares. A luta antirracista precisa atravessar a formação política, as instâncias de decisão, a distribuição de responsabilidades e as práticas cotidianas dos movimentos. Não basta denunciar o racismo existente fora das organizações. É necessário enfrentá-lo em todos os espaços e construir, desde agora, novas relações sociais. A 6ª Feira Estadual da Reforma Agrária reafirmou que a questão racial não é um complemento da luta pela terra. Ela está em sua origem, atravessa o presente e precisa ocupar um lugar central no projeto de transformação defendido pelos movimentos. * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 13, 2026 at 12:30 PM
_Por Jhessyka L. P. Fernandes Da cobertura colaborativa da 25ª Feira da Reforma Agrária_ Foto: Priscila Ramos O prazer pela sensibilidade da expressão artística ultrapassa séculos, lutas, movimentos e, por que não, gerações de famílias do Movimento Sem Terra. É através do artesanato de nossos companheiros que essa sensibilidade se expressa. Eles veem no sol a energia da terra que dá o alimento, a luz que ilumina as mãos que tecem, bordam, esculpem, modelam, pintam, lixam e suam dando vida a mais uma linha, um graveto ou um tronco. Na 25ª Feira da Reforma Agrária, que acontece na capital alagoana, os olhos dos artesãos brilham com a luta e com a inspiração de quem não se contém e precisa dar luz a mais uma peça. Na moda e nas artes plásticas, esses mesmos trabalhadores encontram no artesanato uma forma alternativa de renda, mas também uma forma de terapia, de construir companheirismo, de refletir um saber herdado pela família e de se alegrar com algo que resultou de horas, dias ou semanas para se concretizar. Na feira, você encontra inúmeras expressões desses artesanatos e do que a Alagoas que luta para plantar e colher tem para oferecer e a gente te convida a vislumbrar um pouco desse pequeno e tão plural mundo dos nossos companheiros. **Os bordados de quem escreve histórias em tecido** Cláudia Maria do Nascimento, do assentamento Nova Esperança, em Olho d’Água do Casado, é artesã desde a adolescência, ofício herdado de sua mãe e irmã mais velha. Trabalhando anteriormente com tecelagem, Cláudia viu no bordado uma alternativa de renda, vendendo suas peças em eventos e feiras estaduais. Morando desde sempre no campo, ela teve que se mudar para a cidade, mas não se adaptou. Hoje, ela borda representações do campo, da natureza e da luta social do MST em suas peças, tentando levar para fora de sua cidade a identidade de seu povo. **O crochê que modela corpos e formas** Jussara Emília dos Santos, do assentamento Patativa do Assaré, também de Olho d’Água do Casado, teve uma introdução mais tardia no artesanato. Apaixonada desde criança, só foi aprender aos 22 anos, sendo ensinada apenas o básico por sua cunhada, mas acessando um mundo de possibilidades pela internet. Suas peças, coloridíssimas, são muito avermelhadas – sua cor favorita – e refletem uma vivacidade que a luta do MST carrega em sua vida. Inserida no movimento desde criança, ela vê na roça sua resistência, mas no crochê sua existência: a vida precisa do trabalho, mas também precisa dos momentos de alternância. O crochê é a paixão de Jussara. Foto: Priscila Ramos **Esculturas que perpetuam bailarinas, naturezas, famílias e memórias** Joyce Maria Gomes Silva aprendeu há dois anos com sua família o ofício que lhe deu vida, imaginação e sustento. A bailarina, feita com gravetos obtidos com o roçado, é a peça pela qual mais sente afeto. Ela vê na beleza de outra expressão artística uma beleza em si própria por ser capaz de produzi-la. Layane da Silva Pereira, de Pão de Açúcar, viu a mãe se interessar pelo artesanato e sua vivência a levou ao seu esposo, Lucimário Oliveira da Silva, também artesão e que hoje produz suas peças em conjunto com a esposa. Ele esculpe, ela pinta. O casal, que compartilhava cumplicidade na vida, agora vive o companheirismo do artesanato. As Feiras da Reforma Agrária do MST transformam o ato de se alimentar em um manifesto cultural, unindo a produção agroecológica à identidade popular brasileira. Ao lado de frutas, verduras e sementes crioulas cultivadas em assentamentos de todo o país, as feiras movimentam a economia solidária com peças de artesanato local e valorizam a tradição regional por meio de shows de forró, viola caipira e mística popular. A luta pelo direito à terra e à comida de verdade deixa de ser apenas uma pauta política para se tornar um espaço vivo de celebração e preservação cultural do Brasil. A realização da 25ª Feira da Reforma Agrária e Festival do MST: Por Terra, Arte e Pão! conta com o patrocínio do Banco do Nordeste e é uma realização do Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares, com apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, da União Nacional das Cooperativas da Reforma Agrária Popular do Brasil (Unicrab) e do Governo do Estado de Alagoas. *Editado por Vitor Braz * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 12, 2026 at 6:31 PM
Com cerca de 2 mil mudas, viveiro Chico Mendes fará doação de plantas, neste sábado na Feira do MST em Maceió.
- bsmst
https://mst.org.br/2026/09/12/com-cerca-de-2-mil-mudas-viveiro-chico-mendes-fara-doacao-de-plantas-neste-sabado-na-feira-do-mst-em-maceio/
#notcias #feiraalagoas #reformaagrria
_Por Julia Neves_ _Da Página do MST_ Foto: Adla Melo Para além das barracas com comidas diversas, na Feira da Reforma Agrária há um lugar que não passa despercebido. De longe, nota-se o verde do Viveiro Chico Mendes, espaço onde as mudas são expostas na 25ª Feira da Reforma Agrária, em Maceió, para que os visitantes possam comprá-las. Com quase 2 mil mudas de diferentes espécies, desde nativas da Mata Atlântica até ornamentais, o viveiro faz parte da Feira há três anos, mas o plantio de árvores é projeto de mundo para o Movimento Sem Terra desde sempre. É o que conta o coordenador do Plano Nacional de Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis em Alagoas, Carlos Alexandre, mais conhecido como Chilio. “Eu acredito que é sempre muito importante trazer as nossas mudas plantadas em áreas de Reforma Agrária porque nós nutrimos nosso projeto de ser contra a destruição do agronegócio”, destacou. “Nós estimamos que já plantamos pelo menos 50 milhões de plantas, e mostrar isso no meio urbano é importante”, afirmou ele. A maioria das plantas vem do Acampamento Feliz Deserto, em Joaquim Gomes, onde está localizado o espaço chamado simbolicamente pelos camponeses de “viveiro-mãe”, por concentrar a maior parte da produção no estado. Além de lá, as mudas vêm também de outros assentamentos em áreas de Reforma Agrária. Foto: wkessiaam.jpg Mudas de açaí, graviola, moringa, tamarindo, ipê… Essas e outras plantas estarão disponíveis para doação neste sábado (12), a partir das 9h, para celebrar um ano de colheitas e semeaduras promovidas pelos trabalhadores e trabalhadoras rurais. A realização da 25ª Feira da Reforma Agrária e Festival do MST: Por Terra, Arte e Pão! conta com o patrocínio do Banco do Nordeste e é uma realização do Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares, com apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, da União Nacional das Cooperativas da Reforma Agrária Popular do Brasil (Unicrab) e do Governo do Estado de Alagoas. _*Editado por Vitor Braz_ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 12, 2026 at 4:34 PM
Foto: Mykesio Max Da Página do MST Batata, macaxeira, inhame, banana, laranja, melancia… A diversidade da produção de alimentos dos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária já ocupa a Praça dos Martírios, no Centro de Maceió, para a 25ª edição da Feira da Reforma Agrária. Com a comercialização iniciada desde às 6h desta quarta (9), a Feira segue até o próximo sábado (12), reunindo camponeses e camponesas de todo o estado de Alagoas. Pela primeira vez na Praça dos Martírios, a Feira que tradicionalmente ocorria na Praça da Faculdade, estreia pela primeira vez em um novo espaço na capital alagoana. “Nossa experiência com a Feira da Reforma Agrária inicia lá no ano de 1999, na Praça da Faculdade”, explicou Débora Nunes, da direção do MST. De acordo com Nunes, a 25ª edição já é um marco para a organização do MST em Alagoas. “São quase três décadas dialogando com a sociedade a partir da produção de alimentos e isso materializa na prática o papel da luta pela terra em nosso estado”, sinalizou. Foto: Mykesio Max Com produtos in natura e pequenos processados, a Feira reúne ainda uma variedade de atividades ao longo de sua programação. “Além dos 150 feirantes, a Feira recebe o viveiro, o restaurante popular, empreendimentos de economia solidária e o Festival por Terra, Arte e Pão”, pontuou Margarida da Silva, da coordenação do MST. Somente o viveiro, que ocupa o centro da Praça, doará 800 mudas de plantas nativas e frutíferas para quem passar pela Feira ao longo de sua programação. “Estamos trazendo para Maceió um gostinho do que é o campo alagoano: com comida saudável, preservação dos bens da natureza e muita cultura”, disse. ## **Seminários na Feira** Também compondo a programação, espaços de debate acontecem ao longo dos dias de Feira, reunindo convidados, estudiosos e especialistas em diversos temas em rodas de conversa abertas para feirantes e população de Maceió no geral. No primeiro dia de Feira, o debate é sobre cultura popular, a partir das 16h, com a presença da cantora Juliana Linhares, da Quadrilha Junina Amanhecer no Sertão e da Escola Popular de Teatro Político de Alagoas. Já na quinta-feira (10) o debate será sobre a luta pela terra em Alagoas, reunindo juristas e estudiosos do tema a partir das 14h. Fechando o ciclo, a Feira realiza o debate sobre soberania tecnológica na sexta-feira (11). A realização da 25ª Feira da Reforma Agrária e Festival do MST: Por Terra, Arte e Pão! conta com o patrocínio do Banco do Nordeste e é uma realização do Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares, com apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, da União Nacional das Cooperativas da Reforma Agrária Popular do Brasil (Unicrab) e do Governo do Estado de Alagoas. Foto: Mykesio Max *Editado por: Vítor Peruch * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
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September 9, 2026 at 8:06 PM
Movimentos do campo constroem plataforma comum para enfrentar agronegócio e defender territórios.
- bsmst
https://mst.org.br/2026/09/05/movimentos-do-campo-constroem-plataforma-comum-para-enfrentar-agronegocio-e-defender-territorios/
#notcias #agronegcio #reformaagrria
_Objetivo do encontro foi estabelecer uma agenda comum dos povos do campo, da floresta e das águas | Crédito: Rodrigo Gomes/BdF_ Após três dias de debates, 60 movimentos e organizações populares chegaram a uma convergência que inclui propostas de mobilizações, enfrentamento ao agro, defesa da soberania dos povos sobre seus territórios e um novo modelo de agricultura, entre outros pontos. O Encontro do Campo Unitário, realizado na Bahia entre os dias 3 e 5 de setembro, estabeleceu uma plataforma de pautas convergentes dos movimentos populares do campo, das águas e das florestas. “Construímos um documento que orienta a esquerda brasileira a atualizar o debate político sobre o campo”, resumiu o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues. Para ele, um dos pontos principais é elaborar e compreender qual é a nova realidade de atuação do capitalismo no campo, para que os movimentos possam articular melhor a luta. “A esquerda, bem como as organizações do campo, nos últimos 40 anos, lidou com um tipo de capitalismo agrário que foi inovando. Precisamos elaborar quem é esse novo agronegócio, para entender qual é o capitalismo que estamos enfrentando”, afirmou. Entre os pontos que precisam ser melhor compreendidos e enfrentados diante do avanço do capital sobre os territórios, Rodrigues citou as grandes empresas que promovem megaprojetos de transição energética; a exploração de terras raras, presentes nos territórios dos povos do campo, das florestas e das águas; a privatização das águas; a precarização das relações de trabalhos assalariados do campo; e o aumento do consumo do agrotóxico no Brasil. “Precisamos ter uma elaboração do que queremos nos próximos anos na reforma agrária. Existem cerca de 200 milhões de hectares de terras que podem ser disputados. As políticas públicas precisam apontar para uma política de desenvolvimento para melhorar a condição de vida dos trabalhadores do campo, que chegam a ter uma renda 30% menor do que os trabalhadores da cidade”, detalhou. Vânia Marques Pinto, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), defendeu que a plataforma deve ter como norte a defesa dos territórios e da vida. “Que fique clara a defesa dos nossos territórios, a luta pela reforma agrária, a defesa da água. Nós temos visto quanto o capitalismo tem investido contra os nossos territórios”, afirmou. “É necessária uma agenda comum para fazer a disputa pelo orçamento. Hoje o orçamento está capturado pelo Congresso. De que forma podemos fazer essa disputa? Nesse momento, cabe colocar a importância de eleger parlamentares comprometidos com as lutas do nosso campo. O plano safra precisa ser democratizado; falta ainda direcionamento de recursos para a produção agroecológica e sustentável”, complementou. Os movimentos vão preparar um calendário de lutas que inclui mobilizações de massa, agendas de diálogo com os governos eleitos para apresentar as prioridades para o próximo período e uma proposta de organização para confrontar o agronegócio e proteger os movimentos dos ataques da direita. A sistematização das propostas deve ser divulgada nos próximos dias. O evento reuniu 60 organizações, dentre elas, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores, a Via Campesina Brasil, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e Movimento de Mulheres Camponesas (MMC). Editado por: Camila Salmazio * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
mst.org.br
September 5, 2026 at 10:02 PM
_Foto: Gustavo Marinho_ _Por Gustavo Marinho Da Página do MST_ O próximo dia 29 de novembro marca os 20 anos do assassinato de Jaelson Melquíades, liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Atalaia, na Zona da Mata de Alagoas, e em cobrança por justiça e denunciando a impunidade e violência no campo, camponeses e campoenesas realizam um conjunto de ações. Em Atalaia, cidade onde o assassinato aconteceu há duas décadas, o MST realiza um momento religioso no Povoado Ouricuri, com a celebração de uma missa em memória de Jaelson na Igreja de São Sebastião, a partir das 10h. A previsão é reunir amigos do Movimento, familiares de Jaelson, além dos camponeses e camponesas da região. _“Para nós esse é um dia de muita dor, mas especialmente um dia de reafirmar nossa disposição de lutar. O assassinato de Jaelson foi como um recado para acabar com o MST na região”_ , explicou Margarida da Silva, assentada no município e integrante da direção do Movimento. Segundo Margarida, a morte de Jaelson pegou todos de surpresa mas em momento algum fez a luta pela terra diminuir no município. _“A gente seguiu se fortalecendo, organizando nossa luta e avançando com nossas conquistas. Jaelson deixou sementes e nós seguimos o seu exemplo de perseverança e de resistência”_ , comentou. _Foto: Mykesio Max_ Após a celebração religiosa, os camponeses e camponesas realizam ainda um almoço coletivo. Ainda como parte das ações do dia 29 de novembro, outros municípios se somam às iniciativas em memória de Jaelson e em denúncia à violência no campo. _“Já temos previstas ações de plantio de árvores em vários acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária de várias regiões de Alagoas, organização de momentos religiosos e debates que devem pautar o tema da violência e impunidade”_ , sinalizou Silva. **Jaelson Melquíades** Dirigente do MST em Atalaia, Jaelson foi assassinado fruto de um consórcio do latifúndio da região e a conivência de autoridades políticas da região. Jaelson foi morto numa emboscada armada, surpreendido por pistoleiro quando se deslocava de uma atividade. Desde seu assassinato o caso de Jaelson esteve impune, quando somente em agosto de 2016, após muita cobrança dos movimentos de luta pela terra, um suposto executor do crime foi preso. Desde então, as organizações camponesas marcam o dia 29 de novembro como o Dia Estadual de Luta Contra a Impunidade e a Violência no Campo e na Cidade. _*Editado por Leonardo Correia._ * Whatsapp * Facebook * Twitter * Copy
mst.org.br
November 27, 2025 at 7:30 PM
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Não fode....
https://ursal.zone/@botsocialista/115584424567840534
Bot Socialista (@botsocialista@ursal.zone)
‘Uma verdadeira aula’: Durante a COP30, ministro Wellington Dias visita floresta produtiva do MST no Pará. - bsmst https://mst.org.br/2025/11/20/uma-verdadeira-aula-durante-a-cop30-ministro-wellington-dias-visita-floresta-produtiva-do-mst-no-para/ #Notcias #COP30 #Par #Reformaagrria
ursal.zone
November 21, 2025 at 3:35 AM